OSGEMEOS são geniais, sim, mas cá entre nós: em Curitiba também vivem muitos outros grafiteiros ponta firme e a fachada do Museu Oscar Niemeyer (MON) ainda tem muito espaço em branco.
No começo da semana, lançamos a seguinte pergunta nas redes sociais do Plural: que artistas do grafite de Curitiba e região também merecem um registro na fachada de nosso principal museu de arte? Centenas de pessoas se manifestaram, muitas delas enaltecendo as pratas da casa e deixando boas indicações. O resultado você confere aqui: uma curadoria de 10 grafiteiros sobre os quais precisamos falar.
Atenção, direção do MON: nota essa galera!
1. Rimon Guimarães
Rimon Guimarães tem 33 anos e faz murais há 17. Ele cresceu no bairro Portão, mas hoje mora no Centro. Se você é curitibano, certamente já se deparou com a arte dele por aí. “Tenho influência direta de três manifestações culturais: dos povos indígenas, dos povos africanos e da arte naïf”, explica o artista.
Se fosse convidado para fazer um mural no MON, ele acha que passaria um tempinho estudando o espaço. “Eu produzo de acordo com o que vem na hora na cabeça, então eu ficaria olhando o MON até aparecerem imagens para eu materializar”.
2. Ezequiel Moura

Ezekiel Moura tem 35 anos e vive no bairro São Francisco, pertinho do coração de Curitiba. Desde 2013, ele trabalha exclusivamente com arte e vende seu trabalho no Instagram. Se fosse convidado para fazer um mural de museu, ele fala que levaria a mesma arte que faz nas ruas.
“O trabalho de mural consiste na liberdade da ideia e do traço: os traços formando histórias dentro das histórias; personagens lúdicos, transcendentes, a grande maioria em preto e branco, como nas ilustrações”, conta o artista, que além de ser muralista, também ilustra e se aventura nas tirinhas. Ele gosta de usar canetas à base d’água e óleo.
3. Lala Luz
Aos 23 anos, Lala Luz soma oito anos e meio de experiência com o grafite. Ela vive na divisa entre os bairros Boa Vista e Santa Cândida e se descreve como uma multiartista que explora a pintura a óleo e a gravura, além de ter feito vários murais espalhados pela cidade.
“No grafite é onde me encontro mais, acho o grafite uma arte democrática que alcança pessoas de diferentes realidades sociais e pontos de vista. Com ele quero apresentar a arte feminina, as mulheres brasileiras sempre fortes e donas de si, sabendo o que querem. Tudo em um cenário brasileiro, amo focar nas paisagens do Brasil, fauna e flora típicas, dentro da linguagem urbana do grafite”, fala.
Se convidada para levar sua arte para as paredes dos museus de Curitiba, ela desenharia o que mais gosta: mulheres brasileiras. “Eu faria um grafite com uma mulher brasileira em cenário brasileiro, com uma paisagem de plantas típicas e talvez alguns pequenos animais como passarinhos e abelhinhas. Se fosse um espaço grande, faria três mulheres: uma branca, outra indígena e outra africana, representando os três pilares da cultura e origem brasileira.”
4. Bolacha
João Paulo Rotava é conhecido por “Bolacha” pelos chegados. Autodidata, ele começou a desenhar por influência do irmão mais velho, em 1998. Hoje, mora no Sítio Cercado e já levou seu trampo para vários muros de Curitiba, do Chile e outras cidades do Brasil, como Rondônia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina.
Bolacha já não se dedica mais exclusivamente ao grafite por conta do preço dos materiais, mas gosta da arte e garante que não desperdiçaria a oportunidade de pintar o MON. “Com toda certeza faria o melhor e mais detalhado trabalho, me dedicaria como meta de vida”.
5. Erika Lourenço
Erika Lourenço tem 28 anos e faz pinturas desde 2018. Moradora do Ahú, ela produz artes que quase sempre se relacionam com o universo das mulheres e suas subjetividades. “Eu crio ilustrações digitais, pinturas e murais. Gosto de trabalhar com cores quentes e formas orgânicas, sempre trazendo algum contraste”, resume.
Para o museu, ela apostaria em um desenho simples e impactante ao mesmo tempo. “Faria algo que representasse algum sentimento que pudesse despertar algo de bom em alguém”.
6. Cris Pagnoncelli
Cris Pagnoncelli mora no Água Verde, tem 36 anos e trabalha com muralismo desde 2013. “Sou designer e artista visual e acredito muito na força das imagens e palavras que escolhemos colocar no mundo. Meu trabalho tem como protagonistas o desenho de letras e a brincadeira com palavras, muitas vezes flertando com o ativismo, outras vezes de forma reflexiva e poética”, descreve.
Para o MON, ela levaria “algum trabalho que valorizasse a figura, voz e presença das mulheres – que em museus, ainda hoje, mais aparecem como 'musas' do que como artistas e criadoras”.
7. Luci Gnoatto
Luci Gnoatto tem 31 anos e vive na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Formada em Bacharelado em Design pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, também estudou na escola alemã de arte e design Hochschule für Gestaltung Offenbach.
“Com meu trabalho, expresso emoções, crio experiências visuais e conto histórias com pinturas, desenhos e murais há cinco anos”, fala. “Ao ocupar, com minha arte, um espaço institucional como o MON, iria homenagear mulheres que fizeram história na vida e na arte”.
8. Jorge Torres Galvão (JTG)

Jorge Torres Galvão (JTG) tem 36 anos e pinta desde 1998. Ele é morador do Ahú. "Meu trabalho tem um estilo mais sujo e livre do que o normal, faço desenhos coloridos e carregados com uma força gráfica que fazem as pessoas pensar. São uma válvula de escape para mim. Nem sempre agrado e já tive meu trabalho apagado várias vezes, mas faço por amor e com muita vontade".
Se fosse convidado pra grafitar o MON, ele seria crítico: "Iria fazer uma pichação enorme com extintor com alguma frase criticando a sociedade curitibana".
9. Mariê Balbinot

Mariê Balbinot mora nas Mercês e grafita há quase 11 anos. “Movida pela transformação social por meio da arte, tenho como principal temática personagens femininas com olhares fortes, que transmitem confiança e autoestima para outras mulheres e que contribuem para um mundo sem distinção de gênero, credo, classe e raça”, pontua.
“Minhas criações são uma harmonia entre minha própria intuição e causas que defendo, como LGBTQIA+, igualdade de gênero, luta antirrascista e veganismo. O que eu faria se tivesse um espaço no MON? Levaria minhas personagens de forma bem impactante e em grande escala pra lá”.
10. Café
Café tem 37 anos e também vive no Sítio Cercado. “Meus primeiros traços na rua foram em 1998, pinto há 23 anos”, relembra. “Meu trabalho tem como característica a utilização de linhas para compor meus personagens. São figuras de pessoas negras, conhecidas ou anônimas, que carregam consigo muita beleza e sentimento. Minha intenção é provocar uma pausa na vida das pessoas para apreciarem mais e se permitirem ser tocadas pelas artes que estão na rua”.
No museu, ele diz que “representaria figuras e personagens negros que foram e são importantes para a cidade de Curitiba e para o Brasil, nomes que têm sido invisibilizados, silenciados, desconhecidos e embranquecidos ao longo dos anos”.
Bônus!
A gente sabe que esta lista não passa nem perto de esgotar todos os nomes possíveis. Quando dizemos que existem muitos artistas talentosos na cidade, não é eufemismo. Abaixo, você confere outras 12 indicações de perfis que valem a pena seguir. Clique em cada um dos nomes para dar uma olhada nos murais, combinado?
- Marciel Conrado
- Gustavo Santos da Silva
- Felipe Felas
- Bruno Romã
- Robolito
- Thiago Galileo
- Celestino Dimas
- Pac Calory
- Artestenciva
- Muchas Minas
- Fred Freire
- Ysto
Não encontrou o artista que você gosta? Sinta-se à vontade para mencionar o seu favorito nos comentários. Uma seleção verdadeiramente democrática se constrói a várias mãos. ;)