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"Agroecologia sem política é jardinagem"; conheça o projeto de extensão da UFPR que une ciência, comunidade e docência

Programa foi destaque durante a 22a Jornada de Agroecologia realizada na UFPR entre 6 e 10 de agosto

"Agroecologia sem política é jardinagem"; conheça o projeto de extensão da UFPR que une ciência, comunidade e docência
Fotos: Divulgação Programa Agroecologia e Movimento/UFPR
Publicado:

Por Murilo Ferreira
Supervisão: Maíra Gioia

A agricultura a partir da perspectiva ecológica ganhou força nas últimas décadas. O movimento visa garantir uma alimentação natural e de qualidade, com um melhor aproveitamento dos recursos e com a manutenção da qualidade do solo. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolve projetos de referência na área. Um deles é o programa de extensão Agroecologia e Movimento, que faz parte do Departamento de Ciências Florestais do Setor de Ciências Agrárias da Universidade. Coordenado pela professora Rozimeiry Gomes Bezerra Gaspar, o programa atua nas áreas urbanas e rurais com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e preservar o meio ambiente.

O projeto foi destaque na 22a edição da Jornada de Agroecologia realizada entre os dias 6 e 10 de agosto no Campus Politécnico da Universidade. Os participantes realizaram uma visita à agrofloresta urbana, que fica no Campus Botânico, e é uma das principais ações realizadas pelo Agroecologia e Movimento.

A agrofloresta é um conjunto diverso que engloba de tudo um pouco, com espécies frutíferas, espécies com objetivo na produção de madeira, espécies que ajudam o solo, além de diversas plantas comestíveis. A professora Rozimeiry afirma que a agrofloresta do Campus Botânico também carrega uma questão de beleza cênica. “A agrofloresta nada mais é do que o cultivo de multialimentos e também junto com componente arbóreo, além disso é uma composição de paisagismo para as pessoas na área urbana se interessem mais e coloquem nos quintais, nos jardins, nas praças”, afirma.

O projeto não se limita ao Campus. A professora comenta sobre a agrofloresta comunitária que fica no Jardim Independência, na beira do rio Iguaçu, em São José dos Pinhais. O local era um lixão e foi transformada em uma área focada na produção de alimentos. Segundo a professora, a comunidade foi amplamente envolvida e todos fazem parte dos cuidados. O principal objetivo era a segurança alimentar, a terapia ocupacional e também a devolução da autoestima para essa comunidade, que antes vivia ao lado de um lixão, mas agora faz parte de algo que todos estão envolvidos e que ajuda muito no dia a dia dessas pessoas. A questão social é um dos pontos que caminha lado a lado com o programa. O foco não é só na preservação do meio ambiente em si, mas em atingir um dos principais pilares dos programas de extensão: a participação e conexão direta com a comunidade.

Além da agrofloresta comunitária em São José dos Pinhais, o programa Agroecologia e Movimento está muito envolvido com a comunidade local perto do Campus, recebendo crianças e pessoas de fora para ajudar nos cuidados do local. A professora cita a participação da comunidade escolar. “A gente capacita os professores no uso de áreas verdes dentro do espaço da escola, desde a sala de aula até os quintais de jardins, transformando essa área em multicultivo e em um trabalho interdisciplinar, fazendo com que todo mundo consiga enxergar que não é só a educação ambiental, ou o professor de artes, que vai trabalhar com isso, e sim todas as disciplinas”, afirma.

A natureza multidisciplinar do programa também é destacada pela coordenadora, que observa a importância da participação de pessoas de várias áreas como Comunicação Social, Psicologia, Farmácia, dentre outras. A multidisciplinaridade chamou a atenção do graduando de Psicologia Luís Eduardo Turci, que atualmente é bolsista do programa. “O que me cativou no projeto em si é a relação dele com o social. Porque, como tem a frase ‘agroecologia sem política é jardinagem’, precisa do social, da questão política para ele se fundar. É a comunidade, é a participação de todos”, comenta.

A Universidade abre as portas e traz a comunidade externa para participar, trocando saberes e conhecimento. Os participantes cultivam vários alimentos e semanalmente a colheita é dividida entre os integrantes que participam do cultivo. A professora Rozimeiry convida a todos para participar do programa "Agroecologia e Movimento" e do trabalho na agrofloresta urbana. As atividades de na agrofloresta ocorrem toda terça-feira à tarde no Campus do Botânico da UFPR.

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