Pular para o conteúdo

Aluna recorre à Justiça para conseguir transferência da Universidade Positivo

Estudantes relatam problemas com mensalidades, carga horária, falta de informações e retorno; até sair da instituição tem sido um desafio

Aluna recorre à Justiça para conseguir transferência da Universidade Positivo
Publicado:

O ano de 2020 não foi fácil para a comunidade acadêmica da Universidade Positivo (UP). Além da pandemia, que afetou o bom funcionamento de todo o setor da Educação, a instituição foi comprada pelo Grupo Cruzeiro do Sul no fim do ano anterior e as mudanças foram drásticas. “Foi o primeiro ano da minha filha no curso de Medicina Veterinária - e a coisa saiu do controle. Professores demitidos, notas erradas, nada de aulas de laboratório, enfim. Inúmeras coisas. A gente tentou algumas vezes reduzir o valor da mensalidade, sem sucesso. Foi quando optamos por uma transferência”, conta a enfermeira Adriana Ortiz.

No dia 15 de dezembro do ano passado, ela protocolou, via portal do aluno, a solicitação do kit de transferência para que a família pudesse fazer a matrícula da jovem em outra instituição. “Já começou errado ali, porque a previsão de entrega ficou para o dia 25 de dezembro, que é feriado. Não recebemos nada. Em janeiro, estive lá pessoalmente. Eles alegaram que tinham mudado o sistema e não constava a solicitação anterior, daí foi feito um e-mail para os coordenadores”, relembra. Mesmo assim, não houve retorno.

“Eu aguardei uma semana, mandei e-mail cobrando e nada de resposta. O pai da minha filha também tentou e não foi respondido. Depois de ficar várias vezes sem resposta, eu comentei com um advogado e ele me falou de entrar com um mandado de segurança. Foi o que deu certo”, diz, referindo-se à decisão do juiz Augusto César Pansini Gonçalves. No dia 8 de fevereiro, ele determinou que a UP tinha três dias úteis para entregar o kit de transferência à aluna. Os documentos chegaram, via e-mail, em cima do prazo: no dia 11 de fevereiro.

“Se não fosse assim, a gente estaria pedindo até hoje. O que chateia mesmo é o descaso, a falta de consideração e a falta de respeito. Veja, é metade de fevereiro e agora é que a gente vai dar entrada na outra universidade. Se tem uma coisa que eu quero é distância da UP”, conclui Ortiz.

A decisão

Quem sugeriu o mandado de segurança foi o advogado Luiz Felipe França, cujo escritório atende 400 alunos da UP, sem contar o Diretório Central do Estudantes (DCE) e os centros acadêmicos. Os clientes pedem na Justiça para que os valores das mensalidades sejam revistos, já que, apesar de fazer vários cortes de professores e carga horária, a instituição negou a redução do pagamento em 2020. Enquanto isso, outras demandas não param de aparecer. Foi o caso da família Ortiz.

“Na decisão, o juiz menciona a inflexibilidade da Lei 9.870, que determina que a universidade não pode se negar, em nenhum momento, a entregar documentos de transferência aos alunos. Vários alunos têm enfrentado esse problema. Com isso, nós esperamos que a interpretação da lei passe a ser clara para a Positivo”, comenta.

Aos demais alunos com a mesma demanda, o profissional recomenda que façam a reclamação no Procon e enviem uma cópia do protocolo para a ouvidoria da Universidade Positivo. “É a solução mais barata, digamos assim, mas também não garante o resultado. Outra solução gratuita é buscar a Defensoria Pública da União e pedir que eles entrem com mandado de segurança em favor do aluno. Caso o estudante tenha capacidade financeira, pode contratar um advogado.”

“Campanha para a desistência”

A tradutora Sheila Gomes é aluna de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na UP e também está insatisfeita. Há algumas semanas ela enviou um e-mail para a coordenação do curso levantando uma série de problemas e finalizou escrevendo: “O que aparenta estar acontecendo é uma campanha para forçar a desistência de alunos que agora se tornaram um problema para a Cruzeiro do Sul, já que eram parte de uma instituição com um programa diferente e que a nova instituição não mostra disposição em cumprir em sua integralidade.”

Entre as queixas apontadas estão falta de informação sobre aulas, calendários e ementas; aumento de mensalidades sem qualquer tipo de aviso prévio e falta de clareza sobre os valores; mudança na carga horária de aulas presenciais e on-line, com diminuição em mais de 50% da carga anterior; e contrato de rematrícula com cláusula arbitrária e contrária à lei, como o Plural já noticiou. Gomes afirma que não recebeu uma cópia nova com as alterações prometidas pela UP.

“Falta perspectiva sobre a formação. Contratei um curso que me habilitaria a ser programadora com diversos conhecimentos específicos que foram essenciais na decisão de matrícula, mas agora está sendo ofertada uma formação diferente”, desabafa a aluna, dizendo que mudanças na matriz curricular do curso foram comunicadas pela coordenação somente em fevereiro deste ano. “Não teve nenhum tipo de consulta prévia, eles simplesmente chegaram e disseram: vai ser assim daqui pra frente.”

“Matérias que eram determinantes pra gente, principalmente de programação, foram removidas da grade. No lugar entraram coisas como Língua Portuguesa e Ciências Administrativas e Econômicas. Sem entrar no mérito da importância ou não dessas disciplinas, não era o que a gente tinha como objetivo. Outras disciplinas que entraram já tinham até sido ofertadas e eles estão vendendo como novas”, diz. 

Além disso tudo, a turma de Gomes enfrenta o mesmo problema relatado pela família Ortiz. “Há um descaso com as tentativas de realização da maioria das ações dentro do ambiente virtual da instituição. Solicitações são feitas, mas as datas de atendimento não são respeitadas.”

Resposta

O grupo Cruzeiro do Sul enviou uma nota em resposta às questões levantadas pelos alunos. Leia na íntegra.

“Desde o início de janeiro, a Universidade Positivo teve todo o seu sistema de atendimento ao aluno reformulado, priorizando o atendimento digital, que cobre 98% dos serviços ao estudante. Além disso, para aumentar a capacidade e agilidade no atendimento, o aluno conta com o apoio da Estela, assistente virtual com inteligência artificial da IBM Watson – uma das mais avançadas tecnologias no mercado – em constante evolução, que, por meio de um chat, atende, interage e orienta. Caso a demanda do aluno não possa ser atendida pela Estela, ele é redirecionado para um atendente. Em casos mais complexos, o aluno poderá agendar – também por meio da Estela – o atendimento presencial em uma das unidades, de acordo com os decretos municipais e limitações em número de pessoas. O aluno também conta com a CAA Online (Central de Atendimento ao Aluno), dentro do novo portal da Área do Aluno, onde é possível abrir protocolos sobre diferentes assuntos, como financeiro, tesouraria, crédito educativo, entre outros, e poderá acompanhar o processo e poderá acessar o registro de todas as interações ao longo da sua vida acadêmica. 

As mudanças das Matrizes Curriculares, realizadas com a participação dos coordenadores de curso da UP, observando a legislação vigente, visam praticar a Educação para o Desenvolvimento Sustentável, formando egressos que irão atuar em prol do desenvolvimento econômico e social, com atenção às questões ambientais. Devido à grande velocidade da produção de novos conhecimentos, os currículos dos cursos devem ter flexibilidade e ser reavaliados, regularmente, a fim de oferecer ao aluno da UP uma formação alinhada com o presente, mas que o prepare para o futuro.

A UP está solidária aos seus alunos e segue, junto ao time de atendimento, dedicados a dar vazão a todas as dúvidas, serviços e necessidades dos estudantes. Este é um momento de mudanças em alguns processos, tecnologias e sistemas, que comumente podem gerar alguma resistência e um período de adaptação, assim como inconsistências que, caso ocorram, serão sempre administradas e corrigidas com toda dedicação, compromisso e profissionalismo da nossa equipe. Colocamos nosso time de atendimento e canais de comunicação para atender e resolver o quanto antes às demandas dos alunos.”

Jess Carvalho

Jess Carvalho

Jornalista investigativa com foco na defesa dos direitos humanos. É formada em Jornalismo pela Universidade Positivo e mestre em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa

Todos os artigos

Mais em Vizinhança Curitiba

Ver todos

Mais de Jess Carvalho

Ver todos

De nossos parceiros