No último dia 10 de fevereiro, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD), cercado por asseclas, ocupou uma escola municipal para expor fotos de crianças e anunciar para a imprensa todos os "feitos" da administração municipal na educação. Ausente nesse "show da volta às aulas" estava a fila de crianças de 0 a 3 anos que ainda aguardam uma vaga em creches e CMEIs da rede municipal.
Dados informados pela Prefeitura à Câmara mostram que a fila chegou em 2026 com 5998 crianças, o mesmo patamar de janeiro de 2024. No início do ano a fila chega a seu mais baixo patamar porque é quando a Secretaria Municipal de Educação fecha o cadastro de crianças e tira da fila aqueles estudantes que já passaram da faixa etária, ou a família deixou de recadastrar o filho.
As informações foram enviadas em resposta a um pedido de informação do vereador Marcos Vieira (PDT).
Entre 2024 e 2026, porém, a prefeitura - como consta no balanço comemorado por Pimentel e companhia no dia 10 - pagou vale-creche para 5,3 mil famílias, além de supostamente ter aumentado o número de vagas ofertadas na rede.
A falta de vagas, mostra o balanço encaminhado pela Prefeitura aos vereadores, mostra que o problema continua afetando as comunidades mais pobres de Curitiba. A regional cuja fila é maior é o Tatuquara. Os dados apresentados, que representam apenas a fila de crianças que buscam vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), indicam que em dezembro 1183 crianças aguardavam vaga nas creches públicas.
Em setembro de 2025, a fila total na regional Tatuaquara era de 1656 crianças. Na regional CIC, a fila total era de 1597 crianças. Em dezembro, a fila para CMEIs na regional era de 968 crianças.
No Bairro Novo, regional que começou o ano letivo com um déficit de 110 professores na educação infantil, a fila de crianças para os CMEIs era de 645 bebês. Em setembro de 2025, a fila total para a rede municial na regional Bairro Novo era de 1043 vagas.
A resposta da Prefeitura ao vereador Marcos Vieira afirma que "a administração municipal tem priorizado ações nas regionais Tatuquara, Cidade Industrial de Curitiba e Bairro Novo". A administração municipal também afirmou que investe na abertura de vagas muito embora "o atendimento de zero a três anos não possua caráter de escolaridade obrigatória por lei". O texto, porém, não informa que a oferta de vagas pelo município é dever constitucional e direito fundamental das crianças.
