O governo do Paraná assinou na quarta-feira (2) o termo de colaboração que cria o primeiro Hub de GovTechs do Brasil, para atuar no desenvolvimento de soluções de tecnologia para órgãos públicos. Com um custo de R$ 15 milhões em três anos, o hub funcionará no Canal da Música, em Curitiba, e terá como parceiros a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (Seia) e a Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos (APTSJC).
A ideia é abrir editais para captar empresas, startups e instituições da área que desenvolvam soluções para secretarias e órgãos públicos, como o Detran – serviço que atualmente é prestado pela Celepar, a estatal paranaense que poderá ser a próxima privatizada pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). O termo de colaboração foi assinado pelo vice-governador Darci Piana, já que Ratinho está em férias.
Uma indicação de que o Hub terá pouco trabalho nos próximos anos é a recomendação da Casa Civil do governo do estado para secretarias e órgãos públicos renovarem seus contratos com a Celepar por até cinco anos. Se houver a renovação, a futura compradora da companhia herdará contratos feitos sem licitação, no valor mínimo de até R$ 2,2 bilhões, e atuará por cinco anos – a previsão orçamentária para o Hub de GovTechs é para três anos.
No mesmo ofício em que sugeriu as renovações, a Casa Civil também recomendou órgãos e secretarias do governo a compartilharem seus códigos-fonte com a Celepar e autorizarem a companhia explorar comercialmente os softwares desenvolvidos, que atualmente são de propriedade dos contratantes. Com isso, a compradora da companhia também poderá herdar softwares desenvolvidos pela Celepar com recursos públicos.

Em entrevista ao jornalista Luiz Queiroz, do site Capital Digital, em dezembro do ano passado, o secretário de Inovação, Alex Canziani, disse que a Celepar privatizada poderá ampliar seus negócios, mas continuará prestando serviços para o estado.
“O governador tem clara essa visão de que (a privatização) é o melhor para o estado. Ele até cita que a Nasa não tem uma empresa pública, o governo federal dos Estados Unidos também não, por que o Paraná precisa ter?”, afirmou Canziani. “A Celepar é uma das referências do país, mas existem questionamentos do governo sobre falta de agilidade, demora em produtos e projetos. Com a privatização, ela vai poder alavancar os seus negócios e o governo do estado vai durante um certo tempo ficar como cliente”.
Em dezembro, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou informação publicada pelo jornal "The Washington Post", de que o órgão foi alvo de um ciberataque realizado por hackers. De acordo com o jornal, os hackers tiveram acesso a uma chave de segurança de um software terceirizado.
Leia o que já foi publicado sobre a privatização da Celepar