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Após recomendar venda de softwares para empresa privada, governo cria hub para substituir a Celepar

Iniciativa pode ter pouco efeito, pois governo de Ratinho quer renovar contratos com companhia antes da privatização

Após recomendar venda de softwares para empresa privada, governo cria hub para substituir a Celepar
O vice-governador Darci Piana durante assinatura do termo de colaboração que cria o Hub de GovTechs. Foto: Ari Dias/AEN
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O governo do Paraná assinou na quarta-feira (2) o termo de colaboração que cria o primeiro Hub de GovTechs do Brasil, para atuar no desenvolvimento de soluções de tecnologia para órgãos públicos. Com um custo de R$ 15 milhões em três anos, o hub funcionará no Canal da Música, em Curitiba, e terá como parceiros a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (Seia) e a Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos (APTSJC).

A ideia é abrir editais para captar empresas, startups e instituições da área que desenvolvam soluções para secretarias e órgãos públicos, como o Detran – serviço que atualmente é prestado pela Celepar, a estatal paranaense que poderá ser a próxima privatizada pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). O termo de colaboração foi assinado pelo vice-governador Darci Piana, já que Ratinho está em férias.

Uma indicação de que o Hub terá pouco trabalho nos próximos anos é a recomendação da Casa Civil do governo do estado para secretarias e órgãos públicos renovarem seus contratos com a Celepar por até cinco anos. Se houver a renovação, a futura compradora da companhia herdará contratos feitos sem licitação, no valor mínimo de até R$ 2,2 bilhões, e atuará por cinco anos – a previsão orçamentária para o Hub de GovTechs é para três anos.

No mesmo ofício em que sugeriu as renovações, a Casa Civil também recomendou órgãos e secretarias do governo a compartilharem seus códigos-fonte com a Celepar e autorizarem a companhia explorar comercialmente os softwares desenvolvidos, que atualmente são de propriedade dos contratantes. Com isso, a compradora da companhia também poderá herdar softwares desenvolvidos pela Celepar com recursos públicos. 

Governo de Ratinho quer repassar softwares para iniciativa privada e renovar contratos da Celepar
Futura compradora da estatal poderá ser beneficiada com contratos sem licitação e comercializar programas desenvolvidos com dinheiro público

Em entrevista ao jornalista Luiz Queiroz, do site Capital Digital, em dezembro do ano passado, o secretário de Inovação, Alex Canziani, disse que a Celepar privatizada poderá ampliar seus negócios, mas continuará prestando serviços para o estado.

“O governador tem clara essa visão de que (a privatização) é o melhor para o estado. Ele até cita que a Nasa não tem uma empresa pública, o governo federal dos Estados Unidos também não, por que o Paraná precisa ter?”, afirmou Canziani. “A Celepar é uma das referências do país, mas existem questionamentos do governo sobre falta de agilidade, demora em produtos e projetos. Com a privatização, ela vai poder alavancar os seus negócios e o governo do estado vai durante um certo tempo ficar como cliente”.

Em dezembro, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou informação publicada pelo jornal "The Washington Post", de que o órgão foi alvo de um ciberataque realizado por hackers. De acordo com o jornal, os hackers tiveram acesso a uma chave de segurança de um software terceirizado.

Leia o que já foi publicado sobre a privatização da Celepar

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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