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Moradores prometem bloquear rua contra programa de assistência no Centro de Curitiba

Moradores da região da Rua Dr. Muricy querem que programa Base seja retirado do Centro – só não sabem para onde ele deve ir

Moradores prometem bloquear rua contra programa de assistência no Centro de Curitiba
Programa Base oferece alimentos e oportunidades de emprego para pessoas em situação de rua. Foto: Isabella Mayer/SECOM
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Moradores da região da Rua Dr. Muricy, no Centro de Curitiba, estudam organizar um protesto para fechar a via caso a Prefeitura não retire a sede do Programa Base (Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego) do local. O atendimento a pessoas em situação de rua começou no dia 4 de abril e os moradores da região alegam falta de segurança.

No início de abril, a Prefeitura anunciou a substituição do restaurante popular Mesa Solidária, na Rua Barão do Serro Azul, perto da Praça Tiradentes, por um módulo da Guarda Municipal. O restaurante foi transferido para a sede do Base, no número 71 da Rua Dr. Muricy, a cerca de um quilômetro de distância.

Em audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba realizada na quarta-feira (22), moradores da região disseram que poderão agir para parar o trânsito caso a Prefeitura não retire a unidade do local. A audiência foi convocada pelos vereadores Eder Borges (PL), Indiara Barbosa (Novo) e Da Costa (Podemos). Borges é contrário aos restaurantes populares em áreas centrais e chegou a defender o fim do Mesa Solidária.

"Temos condição de trancar a rua. Nós também temos condição de queimar pneus. Para dizermos porque estamos fechando a rua, pelo descaso da Prefeitura. Se isso acontecer, não é radicalismo, é defender os nossos direitos", disse o morador identificado como Vagno Rodrigues. "O apartamento de cada um de nós está perdendo valor. Quem tem um imóvel comercial está deixando de alugar".

Outro morador, que pediu para não ter a identidade revelada, concordou em fechar o trânsito. "acho que não é o caminho (queimar pneu) porque vai poluir o ar. Vamos nos reunir um dia e sentar na André de Barros. É dois toques, para tudo", disse. Ele ainda sugeriu que a unidade seja aberta na sede da Prefeitura. "Tem um monte de salão vago. Leva pra lá".

Para Regina Saraceni, integrante do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) São Braz, é preciso oferecer locais dignos para as pessoas em situação de rua. "Para onde levar essas pessoas? Alguém aqui já entrou em um abrigo? Nós temos vários locais que não são dignos. E não é só bandido que está na rua. Eu conheço – pessoas que estão passando fome na rua e a Prefeitura não ajuda".

Pessoas sem lugar

Os participantes da audiência foram unânimes: todos disseram não ser contra o programa, mas querem que ele deixe o Centro da cidade. Um deles disse que o Base poderia ser instalado na Praça Rui Barbosa. "Praça Rui Barbosa, Centro Cívico, por que não fazem em lugares públicos?", questionou.

Outro sugeriu que as pessoas em situação de rua sejam levadas para os Hortos Municipais. "Tem na Barreirinha e no Guabirotuba", disse.

Para o vereador Da Costa, o ideal é levar as pessoas para "zonas rurais". "Não acho interessante jogar para os bairros, porque vão pedir para jogar para o Centro. O Jardim Botânico está cheio de moradores de rua. O Hauer está tendo muito arrombamento", afirmou.

Da Costa apresentou um projeto de lei para acabar com todas as unidades de acolhimento na cidade e transferir as pessoas em situação de rua para "regiões rurais" – sem apontar quais seriam. "O problema não é só na hora do almoço, porque eles ficam pela manhã perambulando esperando o almoço. Depois, ficam perambulando pela região. A melhor saída que eu vejo é colocar afastado dos grandes centros".

Primeiro emprego

Segundo a Prefeitura, a primeira pessoa a conseguir emprego no Base foi Jefte Cleiton Santos, de 38 anos, natural de Beberouro (SP). Depois de migrar para Curitiba em busca de oportunidades ele acabou em situação de rua e passou por abrigos temporários. Frequentador do programa Mesa Solidária, Jefte conheceu o Base e enquanto aguardava uma refeição decidiu procurar atendimento no Sine, que funciona no mesmo espaço. Hefte foi encaminhado para uma vaga de repositor em um supermercado.

 Jefte Cleiton Santos foi encaminhado para emprego no Base / Ricardo Marajó/SECOM

A Prefeitura nega que a unidade aumente a insegurança. "Com o atendimento concentrado e organizado, há redução da circulação desordenada e de situações de conflito no entorno. Além disso, a região contará com presença da Guarda Municipal, reforçando a segurança para moradores, trabalhadores e visitantes do Centro", afirmou a Prefeitura.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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