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Às vésperas de reestrear show com a Orquestra à Base de Sopro, grupo Fato fala sobre seus 30 anos de estrada

O grupo que nasceu para uma temporada de três dias está nos palcos há três décadas – cheio de inquietudes, poesia e tamancos – e ainda vai “fazer muito barulho do bom”

Às vésperas de reestrear show com a Orquestra à Base de Sopro, grupo Fato fala sobre seus 30 anos de estrada
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Neste domingo (26), às 20h30, no Teatro Regina Vogue, a Oficina de Música de Curitiba apresenta a reestreia de “Orquestra à Base de Sopro Convida e Celebra os 30 anos do Fato”. É uma nova - e talvez a única - chance do público conferir o show que, em novembro de 2024, fez parte da comemoração pelas três décadas de música do grupo que nasceu para “uma única temporada de dois ou três dias” em 1994. (Ingressos à venda, aqui.)

Às vésperas da apresentação, os integrantes do Fato conversaram com o Plural sobre a trajetória do grupo. Hoje, eles são Grace Torres (teclados, voz e percussão), Ulisses Galetto (baixo, violão e voz), Priscila Graciano (bateria, percussão e voz), Daniel Fagundes (voz, guitarra, violão, cavaquinho e percussão), e Andrezza Prodóssimo (voz, teclados, acordeom, percussão e percussão corporal).

Mas isso é hoje. O grupo teve diferentes formações ao longo de sua história e atribui muito da sonoridade inconfundível de seus trabalhos a essas trocas, que não são simplesmente substituições, o "guitarrista sai, entra outro tecladista; quando sai, entra um saxofonista-guitarrista; quando sai, entra uma mulher que faz música corporal e toca acordeon”. Entre os nomes que fizeram a história do Fato, estão Ze Loureiro Neto, Gilson Fukushima, Alexandre Nero, Babi Farah, Felipe Hickmann, Sergio Monteiro Freire e Daniel Fagundes, e também parceiros como Marcelo Sandmann, Benito Rodriguez e Antonio Saraiva.

Na entrevista por WhatsApp, Grace, Galetto e Priscila falaram sobre música, parcerias e momentos marcantes, que fizeram do Fato o que ele é, um grupo cheio de inquietudes, poesia e tamancos. Eles também comentaram os lançamentos de agora e contaram que ainda vão “fazer muito barulho do bom”. Confira a seguir.

https://open.spotify.com/playlist/65Dby6JeVk8hTYLbX07xd6?si=CXtm9iAmQnamTmuiwAFMjA

Bonus track: A pedido do Plural, eles montaram uma playlist essencial, com dez canções para quem quer conhecer a música do Fato ou, para quem já é fã, curtir. A reportagem do Plural também fez uma linha do tempo interativa, sobre os 30 anos do grupo; ela está no final do texto.

O Fato fez sua estreia na cena musical curitibana em 1994. De onde veio a ideia e o que imaginavam para o grupo naquela época? O desejo era fazer música, mas já estava definido o estilo que marcaria a identidade musical do Fato? Quem eram os integrantes naquele momento?

Nós dois [Ulisses e Grace] fazíamos parte de outros grupos, um deles encerrou suas atividades em março de 1993. Como conhecíamos muitos compositores “alternativos” e amávamos o que fazíamos (viva a juventude!), nada mais natural do que pensarmos em continuar fazendo música, sempre pensando em criar, desenvolver uma linguagem artística. Assim nasceu o Fato, ainda sem nome, sem proposta de estilo definida - iríamos criar isso juntos - e sem nenhum plano de perenidade, convidamos algumas pessoas que admirávamos para organizar um repertório de diversos compositores conhecidos e apresentá-lo em uma única temporada de dois ou três dias.

Nesse primeiro show, nem sonhávamos ainda com a utilização da sonoridade dos tamancos que iríamos a adotar mais tarde. Bem, estamos nesse barco até hoje, mais de 30 anos depois. Os integrantes em 1994 eram: Fabiano Medeiros, Grace Torres, Miguel Porfírio, Sandrão Fernandes, Silvia Contursi, Ulisses Galetto e Ze Loureiro Neto.

Quem já foi e quem está no Fato até hoje? Quais músicos foram os responsáveis pela criação da personalidade sonora que tornou o grupo conhecido no Brasil e no exterior?

Além das pessoas já citadas da primeira formação, fizeram (ou fazem) parte do Fato: Gilson Fukushima, Alexandre Nero, Priscila Graciano, Babi Farah, Felipe Hickmann, Sergio Monteiro Freire, Daniel Fagundes, e Andrezza Prodóssimo. Fabiano Campos e Alex Figueiredo (percussionistas) fizeram parte por alguns meses cada um. Todas essas pessoas ajudaram a construir a linguagem musical do grupo.

Devemos dar o devido destaque para as pesquisas coletivas incessantes, as ideias rítmicas “fora da caixa” do Ze Loureiro Neto (integrante por 18 anos e criador da Tamancalha em 2002), as provocações musicais do Gilson Fukushima (que entrou em 1996) e a inquietude do Alexandre Nero (que entrou em 1997), este provocado pelas nossas buscas de linguagem (cada um permaneceu no grupo por volta de dez anos).

Junto com Priscila Graciano (que trouxe elementos fortes da cultura POP), eles participaram da fase de inserção dos tamancos de fandango como instrumentos de percussão no grupo, de um tipo de atenção à cultura popular que desenvolvemos juntos e que consolidou a identidade musical do grupo.

Outras pessoas musicalmente muito fortes, como Felipe Hickmann (integrante por dois anos) e Sérgio Monteiro Freire (integrante por nove anos), também foram importantíssimas e muito enriquecedoras musicalmente, sempre nos levando a outros patamares de invenção - para a qual sempre tivemos muita disposição, desde o início e até hoje.

O Daniel Fagundes está conosco desde 2008 e trouxe delicadezas e elementos de linguagem mais específicos da MPB que não trabalhávamos tanto antes. Em 2018, entrou no grupo a Andrezza Prodóssimo, que agregou a linguagem belíssima da música corporal ao grupo, junto com seu acordeon, foi mais uma sonoridade nova.

Uma coisa interessante, deliciosa e rica que aconteceu com o Fato foi que, quando saía alguém, não necessariamente a gente substituía pelo mesmo instrumento, o que foi fazendo o nosso som ficar mais interessante. Guitarrista sai, entra outro tecladista que, quando sai, entra um saxofonista-guitarrista que, quando sai, entra uma mulher que faz música corporal e toca acordeon... (E todos são cantores!)

A poesia e o fandango sempre estiveram no radar do Fato? Quem influenciou o trabalho de vocês? E as parcerias, como surgiram e quais foram ou são as principais?

A poesia sim, já que éramos ligados a compositores que tinham trabalhos consistentes baseados, em boa medida, na poesia e estudos de linguagem. Já o fandango chegou até nós a partir de 1995, um ano depois do “nascimento” do Fato. A Grace Torres tinha se formado em música pela FAP [Faculdade de Artes do Paraná] e frequentou aulas do professor Inami Custódio Pinto. Ele foi um grande referencial e incentivador. Compartilhou alguns de seus arquivos (fitas K7) a partir das quais nos demos conta da riqueza rítmica do fandango. Logo, no mesmo ano, nasceria a música “Tamanco”, cujo primeiro verso é: “Lá vai Fandango, com tamanco meu sinhô…” E em 1996 colocamos uma vinheta com uma convenção de tamancos no nosso segundo álbum - “A Noite”. Mas somente no “Oquelatá Quelateje” (gravado em 1999 e lançado em 2000), os tamancos passaram a ter mais protagonismo.

As influências em nosso trabalho são realmente muitas, até porque, a cada troca de integrante, elas iam se transformando. Tem desde chorinho, MPB, música POP americana e inglesa, rock, música clássica, contemporânea experimental, músicas do mundo e culturas populares dos mais diversos lugares do planeta, jazz, blues, música do nordeste, latina, francesa… de tudo!

Quanto às parcerias em composições, foram surgindo naturalmente, pelos encontros da vida. As principais, ao longo da história do Fato, são com Antonio Saraiva (nosso “padrinho” de primeira hora), Luiz Antonio Fidalgo, Marcelo Sandmann, Neuzza Pinheiro e Benito Rodriguez.

Uma parceria fundamental, que construiu e consolidou conosco a linguagem cênica de palco do Fato, foi a com Jacqueline Daher, que dirigiu nossos shows de 1995 a 2012. O show “Oquelatá Quelateje”, por exemplo, que estreou numa temporada lotada, de três dias no Teatro da Reitoria, teve uma concepção dela maravilhosa, com cenário todo construído por artesãos, com cipós, palhas, couro… realmente muito bonito. Quem viu, não esqueceu. O último show que ela dirigiu está disponível em nosso YouTube e em alguns Canais de TV a Cabo e Streaming: “FATO da Tamancalha ao Sampler”, com direção de vídeo e montagem de João Marcelo Gomes.

Quantos álbuns já lançaram? Sabem, ou chutam, o número de shows até hoje? Em quais países estiveram?

Até agora foram nove álbuns, 16 shows montados com apresentações por muitos estados brasileiros. Fora do Brasil, estivemos em Paris, no Ano do Brasil na França, em 2005 e, recentemente, em Buenos Aires (Argentina) e em Montevidéu (Uruguai) na Turnê Mercosul, realizada em 2022. Sobre o número de shows, não temos ideia, num palpite grosseiro e considerando alguns anos “hibernando” para gravar e sem shows, devemos ter feito entre umas 300 e 330 apresentações.

Fato

Quais foram os momentos marcantes e o show mais emblemático? Qual álbum consideram o principal na trajetória?

Momentos marcantes foram muitos, entre viagens, gravações e apresentações. Uma delas, em 2003, no 1˚ Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi emblemática. Fomos convidados para participar e, chegando lá, descobrimos que não iríamos tocar no palco principal, mas sim no acampamento. Ficamos um pouco decepcionados e desanimados. Passamos o som à tarde, quase sem vontade, fomos descansar e voltamos no início da noite para o show com “meia carga”. Chegando no palco, havia quatro mil pessoas na plateia, o que nos impressionou. Começamos o nosso show e, apesar de as pessoas não conhecerem as músicas, foi uma das apresentações mais mágicas que tivemos em todos esses anos. Um sonho: todo mundo pulando e gritando com as nossas músicas.

Mas houve muitos outros momentos, como a gravação do álbum e o show “Oquelatá Quelateje” (2000), que foi uma “virada de chave” na nossa linguagem e consolidou uma sonoridade que nos identificou fortemente a partir daí, e outros shows como: os em Paris (2005), muito impressionantes pela resposta do público, que não nos conhecia; o com a Orquestra Sinfônica do Paraná, na Praça Santos Andrade, para milhares de pessoas (2005); o “Balaio de Fato”, com Siba (PE), Antonio Saraiva (RJ), Mauricio Pereira (SP) e Arthur de Faria (RS) no Paiol (2008); o “Próximo”, que viajou o Paraná e o Brasil, com Pedro Luís, Alexandre Nero, João Cavalcanti e Mauricio Pereira (2015 a 2018); o “Claro Movimento”, que fez duas turnês, a Mercosul e a Paraná (com participações de artistas das cidades visitadas); e, os dois de novembro de 2024, o que montamos com Ná Ozzetti para o Teatro Paiol, muito impactante e inesquecível para nós, e o show-concerto em que fomos convidado pela Orquestra à Base de Sopro para uma grande apresentação no Guairinha, homenageando os 30 anos do grupo.

Sobre o álbum mais importante, podemos falar na perspectiva de repercussão local, nacional e internacional. “Oquelatá Quelateje”, lançado em 2000, foi um marco para nós. Nele inserimos de maneira mais decisiva os tamancos do fandango e começamos a trabalhar, ainda que de maneira discreta, com samplers. O álbum “Musicaprageada” (2006) também foi importante por aglutinar convidados do Brasil e dos EUA. Por fim, “Claro_Movimento” (2020) também foi muito significativo. Lançado no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a partir dele, nasceram diversos videoclipes, algo em torno de 50 apresentações pelo Paraná, Brasil e exterior e outros projetos importantes. Mas como dissemos, cada disco teve sua importância para nossa carreira e para a construção de nossa linguagem musical. Todos, sem exceção, foram e são muito significativos para nós.

E o livro de partituras, lançado em 2010. Em um tempo tão digital, tão online, como e por que lançar um livro de partituras? O livro funcionou?

O livro foi um presente da vida pra nós. Havia uma produtora em Curitiba, a Beth Moura, da Verdura Produções Culturais, que queria fazer um livro de partituras, era um projeto que ela sonhava. Quando a Fundação Cultural [de Curitiba] abriu um edital específico para esse fim, ela analisou vários grupos e artistas de Curitiba e chegou até o Fato. Como o Gilson Fukushima, já ex-integrante do grupo, tinha o conhecimento de edição de partituras e, é claro, conhecia o nosso repertório, fomos escolhidos e ficamos muito felizes.

Sobre se funcionou ou não, depende do ponto de vista. É claro, como o livro traz músicas de um grupo sem inserção na Indústria Cultural. Ele serviu como uma ferramenta de divulgação do nosso trabalho e como fonte de consulta para formação de repertórios - incluindo a confecção de novos arranjos, como os para o show com a Orquestra à Base de Sopro - e é utilizado em disciplinas de prática de conjunto em alguns cursos de graduação em música, já que contém as transcrições dos arranjos completos - o que é uma raridade em música popular. Sim, o livro cumpriu com êxito todos os objetivos em suas 1000 cópias distribuídas gratuitamente - apesar de todas as nossas limitações.

Vocês estão lançando um novo clipe e uma nova música?

https://youtu.be/oLG-j8Sc3TE?si=3ZzMlxcBLgROeiMp

Neste momento, estamos lançando um vídeo gravado no show de novembro passado com a Orquestra à Base de Sopro, da música “Vernissage”, de Ulisses Galetto e João Cavalcanti. A direção e montagem, é de Luciano Coelho, da Linha Fria Filmes.

No entanto, temos uma nova criação, ainda inédita - a canção “Água”, de Ulisses Galetto e Benito Rodriguez, que estreou na voz da gigante Ná Ozzetti, também em novembro. Ela inclusive já a gravou em estúdio para trabalharmos mais no arranjo, gravação e mixagem para fazermos o lançamento em breve. Essa canção fala desse tema tão atual e tão ancestral para a vida no planeta, a água.

Para os leitores do Plural mais curiosos, o Fato deu um spoiler da letra da música. Confira aqui.

É raro um grupo ou uma banda chegar a um marco como completar 30 anos de música, entre palcos e estúdios. Vocês já pensaram em parar? Por quê? E o que motivou continuar na estrada? Quais os planos e o que ainda falta para o Fato?

Nós já falamos em parar, mas a conversa durou 15 minutos (risos). Logo depois, vieram ideias para novos projetos e esquecemos da “aposentadoria”. Falamos sobre isso exatamente pelo tempo que temos dedicado a esse projeto, com ensaios regulares e uma produção constante, diversificada e vigorosa. Temos muito, mas muito trabalho, já que levamos tudo com muita seriedade e dedicação. Na quase totalidade do tempo, esse trabalho não é remunerado. Trabalhamos por considerar importante - e prazeroso - fazer o que fazemos: uma música com identidade própria, da combinação todos os integrantes. Isso é muita coisa, mas diante da premência da vida (almoço, janta, contas e tudo mais), às vezes é difícil manter a assiduidade e o ímpeto.

De toda maneira, até agora temos conseguido e, pelo menos por ora, não pretendemos parar, já que temos projetos futuros, alguns deles de bastante envergadura. O prazer e a convicção da importância do que fazemos nos mantém unidos e com disposição para continuar trabalhando. É claro, hoje as condições são outras. Temos nosso próprio estúdio, nossa sala de ensaio e tudo o que precisamos para fazer música. Temos também muita amizade e amor entre nós e nossos parceiros, o que, sem dúvida, nos mantém unidos.

Os planos futuros envolvem um novo disco, um novo show e uma turnê por regiões que exploramos pouco. Também devemos finalizar os vídeos dos shows com a Orquestra à Base de Sopros e com Ná Ozzetti, há um estudo para um documentário e para uma turnê nacional de maior envergadura. Isso, caso a gente consiga realizar, já vai prolongar o Fato por, pelo menos, mais seis a oito anos. Se os corpos não nos limitarem, ainda vamos fazer muito barulho do bom.

O que o público pode esperar do show na Oficina de Música de Curitiba?

Um show com a sonoridade incrível de uma das melhores Orquestras de Sopro do mundo (para se ter uma ideia, é a “escolhida” do Egberto Gismonti nos seus projetos com sopros). O show no Guairinha, em novembro, foi mágico (palavras do público), dando outro ambiente, outras cores e harmonias para as canções do Fato. A gente sempre fica feliz com essas reações, em especial quando são pessoas que ainda não nos conheciam e ficaram realmente tocadas. Recebemos até cartas escritas à mão, entregues no camarim. Acreditamos que poderemos repetir o feito neste show de domingo (26/01), as pessoas que não puderam assistir no ano passado tem mais esta oportunidade, provavelmente a última, de ver, ouvir e viajar nesse som mágico que esses arranjadores criaram para a orquestra, conduzida brilhantemente pelo maestro Sérgio Albach.

Confira a história do Fato na linha do tempo a seguir. É só rolar a imagem e clicar nos botões

, sobre as fotos, para ver detalhes. (A trilha sonora é a faixa "Encharque", composição de Alexandre Nero com arranjo do grupo, do álbum "Oquelatá Quelateje".)Your browser does not support the video tag.(function (d) { var js, id = "genially-embed-js", ref = d.getElementsByTagName("script")[0]; if (d.getElementById(id)) { return; } js = d.createElement("script"); js.id = id; js.async = true; js.src = "https://view.genially.com/static/embed/embed.js"; ref.parentNode.insertBefore(js, ref); }(document));

Show: Orquestra à Base de Sopro Convida e Celebra os 30 anos do Grupo Fato

Oficina de Música de Curitiba

26 de janeiro, domingo, às 20h30, no Teatro Regina Vogue (Shopping Estação -Av. Sete de Setembro, 2775 - 2004 - Rebouças). Ingressos à venda a partir de R$ 20 (meia-entrada) mais taxas, no Disk Ingressos.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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