A ação truculenta da Polícia Militar do Paraná (PMPR) contra o vice-presidente do Sindicato do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana (SMC), Nelsão da Força, repercutiu nacionalmente e fez com que as centrais sindicais nacionais emitissem nota de repúdio. O texto é assinado por oito organizações. No Paraná, sindicatos também reagiram ao ato violento.
Nelsão foi derrubado e recebeu um ‘mata-leão’ enquanto o SMC realizava ato em favor de melhores salários para os funcionários da empresa Brose do Brasil, em São José dos Pinhais. Além disso, a utilização de spray de pimenta também deixou outros trabalhadores feridos.
Nelsão e outros dois diretores foram presos por desacato e a PM justificou a ação como forma de “preservar a ordem pública”. O caso aconteceu na quarta-feira (04).

No Paraná, parlamentares e sindicatos também cobraram providências do governador Ratinho Jr. (PSD) sobre as agressões.
Nacionalmente, o texto das centrais sindicais critica a postura do governador. “Como tem sido recorrente no Estado do Paraná, a Polícia Militar se faz presente no movimento dos trabalhadores, constrangendo, batendo e prendendo trabalhadores e dirigentes sindicais”, diz a nota (leia a íntegra no fim do texto).

Não é a primeira vez que o governador usa força policial contra trabalhadores. Em 2024, Ratinho Jr. pediu a prisão da presidenta da APP-Sindicato durante greve dos professores no Paraná.
Negociações
As reivindicações dos trabalhadores, que estão em greve desde o fim do mês passado, consistem em negociar correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real, equiparar vale mercado às empresas do seguimento, discutir jornada de trabalho e implantação de PLR.
Assista ao vídeo da prisão aqui.
A empresa Brose, conforme afirma o SMC, não quer negociar. “A postura da empresa Brose comprova o total desrespeito ao diálogo. Ao invés de sentar para negociar, a empresa prefere dificultar apelando para práticas antissindicais e utilização inexplicável da polícia na tentativa de enfraquecer a mobilização dos trabalhadores, criminalizar a luta coletiva e impor, pelo medo, condições indignas de trabalho e remuneração”, publicou, em nota, o sindicato.
O Plural procurou a empresa, mas não obteve resposta.
Leia a íntegra da nota:
Repúdio à truculência da Polícia Militar do Paraná
Os trabalhadores da empresa metalúrgica Brose de São José dos Pinhais – PR estão em greve desde 29/01, porque o processo de negociação que durou meses chegou a um impasse sem fechar o primeiro acordo coletivo que se busca celebrar. Diante da negociação frustrada, a greve foi deliberada pelos trabalhadores e conduzida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana.
Como tem sido recorrente no Estado do Paraná, a Polícia Militar se faz presente nos movimentos dos trabalhadores, constrangendo, batendo e prendendo trabalhadores e dirigentes sindicais. Nesta greve não foi diferente: três diretores do sindicato foram presos e trabalhadores agredidos.
As Centrais Sindicais repudiam a política do governador Ratinho de reprimir a livre organização dos trabalhadores e a ação violenta da Polícia Militar, bem como denunciam as práticas antissindicais da empresa, que contrata temporários para furar a greve e não se faz presente nas audiências de mediação convocadas pelo poder público.
Nossa solidariedade aos trabalhadores em greve, à atuação do Sindicato e o repúdio à política de repressão das manifestações pacíficas dos trabalhadores.
São Paulo, 05 de fevereiro de 2026.
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Sônia Maria Zerino da Silva, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)
Antônio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
José Gozze, presidente da Pública – Central do Servidor
