Manhã. Domingão. O Barigui já lotadaço. Desde as oito horas a Rê e o Pato já tavam no quiosque. O Pato, maconheiro-mor, já mandando ver no vinhote e na erva. Eu cheguei um pouco depois. Mas pra mim ainda era cedo pra caralho. É que se você não chega cedo não consegue lugar. Os quiosques são disputados pra caralho. Tinha uns três finais de semana que a gente tava tentando fazer um churras, mas nunca dava certo. Dessa vez a gente resolveu ir virados da noite, pra garantir. Se demos bem, a gente pegou um bem escondidinho, meio enfiado no mato. Quiosquinho vip, tá ligado. Mesmo assim tem que ficar esperto, os treta da Guarda-Municipal não dão folga. A gente não pode dar mole que eles já vão descendo a porrada. Mas, pô, esse lugarzinho tava massa pra caralho. Aos poucos a piazada foi chegando. O Rudnei, a Anta, o Suck, o Meia-Calça e o Tombo. O Suck me falou que tinha tomado um ácido ontem de noite e que tava até agora na pira, aí foi sacando a viola, puro aço berrador. Era que era um Raulzito atrás do outro. O Suck tem um repertório massa pra caralho. A Anta tem esse apelido, mas ela é gostosa pra caralho. Eu piro nela um monte, mas ela não dá mole. Ela trouxe um saco enorme de pão e todo mundo já foi comendo pão puro, porque a gente ainda tava preparando o fogo com a porra do carvão que não queria queimar de jeito nenhum. Daí a Rê e o Pato que, esqueci de dizer, são juntados, eles tinham ficado encarregados da maionese e dos apetrechos de churrasco e tal. A Rê pediu pro pai dela, na verdade. E o pai da Rê pegou as parada lá da turma do futebol dele. Uns garfão e uns espeto. E a gente ficou pirando de lutinha de espada. O Rudi trouxe a linguiça e a carne, uns alcatrão cavalo mesmo, tá ligado. É que ele tem uma prima que meio que trepa com o Carnicinha, que é o filho do Carniça, que é dono de um açougue no São Brás, que é super perto ali de onde o Rudi mora. Ah, só um parêntese, o Rudi não tem apelido porque quando o Meia-Calça foi meter o apelido de Hulk no Rudi, o Rudi destruiu o Meia-Calça na porrada. O pau que o Meia-Calça, que é meio bicha e um dia disse pra piazada que no inverno usa por baixo da calça meia-calça da mãe, e é por isso que a gente chama ele assim, claro né... O pau que o retardado levou do Rudi ficou histórico. Tanto é que o Meia-Calça meio que manca até hoje. A piazada só deixa ele andar junto porque ele meio que é a nossa empregada. Precisa ir comprar cigarro, manda o Meia-Calça. Faltou álcool, vai o Meia-Calça. O Carnicinha me falou uma vez que o Rudi deixa o Meia-Calça pagar boquete pra ele. Sei lá, não duvido de porra nenhuma. Que se foda. Não vai ser eu que vai pagar com a cara do Rudi, nem fudendo. O Rudi é casca, já teve preso e tudo. O Tombo é outro que se caga do Rudi. E dessa vez eu até que me dei bem. O Rudi deu a ordem: Tombo, cê leva as bera. E você, Danhãnha, leva uma garrafa de chiboca. Belê, chiboca era o que não faltava pra mim. Era só mocá uma do estoque do Bar do Zeuzão quando eu fosse fazer um bico lá, e já era. E foi por aí, a manhã passando e a piazada já no grau. A gente arregado de cerva, carne, pinga e, o principal, a erva mágica do Patolino. O bagulho era pancadão. Acho que a gente ficou umas três horas, tudo lôco, inventando essa música "dragão, dragão / quem nunca agarrou um dragão, dragão / quem nunca agarrou um dragão". Ali pelas quatro da tarde, todo mundo já tava lesado pra caralho. Eu já burro, babando na bluseira que o Suck tava metendo na viola. E a bichinha chora, viu. O Suck é o Kurt Cobain da galera. A merda de tudo é que a Anta é meio afinzinha do Suck. Daí quando ela começa se abrir demais pra ele, eu fico meio puto, tá ligado, porque eu sou meio a fim da Anta. Eu fico mais puto ainda principalmente porque o Suck tá cagando pra Anta. E ela, mesmo assim, é louquinha pra dar pra ele. Mas na real o Suck tá cagando pra todas as gurias. Acho que é porque as gurias ficam tudo babando nele. Ele pega quem quiser. Mas ele nunca quer ninguém. Então eu nem entendi porque que ele entrou na pira de meter uns chifre no Pato com a Rê. Acho que é porque o Suck considera o Pato um pau no cu, pleyboyzão de merda. E na real o Pato é mesmo metido pra caralho. Mas eu sempre me dei bem com ele. Então que se foda ele e o Suck. Deu cagada porque a gente vacilou. Não podia ter perdido o controle. Já era umas seis da tarde, tava todo mundo retardado. Ai o Suck foi mijar no mato pela terceira vez. E a idiota da Rê foi atrás de novo. Porra, bem que eles podiam pegar mais leve. Fazendo merda na frente do namorado da guria. Puta vacilão o Suck. Eu nem reparei que o Pato tinha sumido também. Só lembro que eu tava deitado na grama, olhando o ceuzão cheio de estrela. Feliz pra caralho porque a Anta tinha pedido meu moletom emprestado, porque tava caindo um sereno frio. E ela, depois de vestir o moleta, até deitou ali do meu lado. E a gente ficou dando bola numa ponta bem docinha. Foi aí que de repente, porra, a Rê apareceu em cima da gente, pálida que nem um fantasma, tentando gritar sem conseguir, com um espeto atravessado na barriga.
Churrasconha
Manhã. Domingão. O Barigui já lotadaço. Desde as oito horas a Rê e o Pato já tavam no quiosque
Mais em Luiz Felipe Leprevost
Ver todosMais de Luiz Felipe Leprevost
Ver todosDe nossos parceiros
Professoras ainda esperam reconhecimento da Prefeitura por trabalho na pandemia
Lei autoriza pagamento de benefícios congelados, mas Prefeitura ainda não demonstra reconhecimento por trabalho de professoras durante a pandemia
Greve das professoras é também pelas famílias e pelas crianças com neurodivergência
Prefeitura de Curitiba falha no apoio à inclusão; faltam de cinco a 11 profissionais por escola
Caronas da BlaBlaCar, mais do que eficientes, oferecem acessibilidade e segurança para os usuários
Serviços de carona têm se mostrado cada vez mais importantes na conexão de pequenas cidades. A plataforma também integra ônibus em uma solução multimodal que amplia o acesso à mobilidade e fortalece a conectividade regional
Conheça a agência curitibana que faz as redes sociais de Dalton Trevisan, Caetano Galindo e André Tezza
A MOMO estreia movimentando a cena cultural e em seu portfolio conta com nomes como o escritor Caetano W. Galindo e o fotógrafo premiado internacionalmente André Tezza