Pular para o conteúdo

Com superávit e arrecadação em alta, governo de Ratinho nega reajuste para professores aposentados

Cerca de 11 mil docentes sem paridade com os ativos ficarão sem reposição

Com superávit e arrecadação em alta, governo de Ratinho nega reajuste para professores aposentados
A sessão desta terça-feira da Assembleia Legislativa. Foto: Orlando Kissner/Alep
Publicado:

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou nesta terça-feira (17) o reajuste para professores e professoras da rede estadual de ensino, nos valores de R$ 250, para docentes com jornada semanal de 20 horas, e de R$ 500, para jornada de 40 horas. Os cerca de 11 mil professores aposentados sem paridade foram excluídos e não terão nenhum reajuste neste momento. A oposição ao governador Ratinho Júnior (PSD) tentou estender o reajuste aos aposentados por meio de uma emenda, que acabou rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep.

Enviado pelo governo na semana passada, o projeto não tratou dos aposentados sem paridade, apesar de os governistas repetirem que o estado vive um bom momento econômico. Em audiência na Assembleia no dia 26 de maio, o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, disse que no primeiro quadrimestre deste ano o Paraná teve um crescimento das receitas totais de 8,7%, com um crescimento real de 3%, de R$ 24,5 bilhões para R$ 26,6 bilhões. O incremento das receitas tributárias foi de 9,2% (crescimento real de 3,2%). “Arrecadamos R$ 26,8 bilhões nos primeiros quatro meses do ano. O ICMS cresceu 9,9%”, afirmou.

O superávit em 2024, de acordo com o governo, foi de mais de R$ 6,4 bilhões, o terceiro do país. Já o PIB cresceu 63% em seis anos, de R$ 440 bilhões em 2018 para R$ 718,9 bilhões no ano passado, um salto de R$ 278 bilhões no período – superior ao PIB total de outros estados, de acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). 

Mesmo com esse cenário positivo, a base de apoio a Ratinho Júnior na Alep recusou a emenda que previa um reajuste de 11,31% para os aposentados, o que, segundo o cálculo da oposição, teria um impacto anual de R$ 47,6 milhões. Se os aposentados ganhassem o valor fixo proposto pelo governo, o impacto seria de R$ 33,6 milhões, de acordo com a emenda apresentada pela oposição.

Para reformar escolas, Prefeitura cancela construção de quadras cobertas
Projetos eleitos no Fala Curitiba devem permanecer na gaveta este ano

O líder da bancada governista, Hussein Bakri, disse que há um compromisso discutir a inclusão dos aposentados a partir de agosto. “Assumi o compromisso, vamos até o governo discutir essa pauta, mas não é mais possível nesse projeto. Não temos como colocar mais despesas nesse projeto. Temos o compromisso de avançar com esse tema no segundo semestre, primeiro com estudos, porque isso tem um reflexo sobre as demais carreiras”.

A oposição votou a favor do reajuste, para garantir que os profissionais da ativa recebam o aumento ainda em junho. “Foi uma decisão responsável diante da intransigência do governo”, afirmou o deputado Arilson Chiorato (PT). Para os oposicionistas, o projeto desestrutura a carreira ao ignorar o tempo de serviço e aplicar percentuais desiguais. Para quem inicia na rede, o reajuste chega a 11,3%, mas o percentual cai para profissionais com salários mais altos. “Negar o reajuste a aposentados sem paridade é um confisco indireto, inaceitável sob qualquer prisma constitucional”, criticou c a deputada Ana Júlia (PT).

Piso nacional e progressão na carreira

Com o pagamento do valor fixo, o governo de Ratinho Júnior passará a respeitar o Piso Nacional do Magistério, atualmente em R$ 4.867,77 para a jornada de 40 horas semanais. A principal reclamação da APP-Sindicato, que representa professores e professoras no estado, era a possibilidade do fim na progressão da carreira.

O projeto apresentado pelo governo revogava um artigo de uma lei de 2004, que estabelece uma diferença entre 1% e 5% entre os salários dentro de um mesmo nível. Ao pagar valores fixos para todas os níveis, o projeto descumpria a legislação anterior. Para o sindicato, ao abolir as diferenças salariais dentro de um mesmo nível, o governo acabaria com a progressão na carreira, aproximando os vencimentos. Uma emenda apresentada pelo deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) determinou que os percentuais previstos na lei anterior não se aplicam enquanto a nova tabela estiver em vigor.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todos os artigos

Mais em Educacao

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros