Em dezembro de 2025 a prefeitura de Curitiba anunciou a assinatura de um contrato com o Hospital XV para inclusão da instituição na rede SUS da cidade. A ocasião foi marcada por uma visita do diretor do Hospital XV, José Lazzarotto, ao prefeito Eduardo Pimentel (PSD). O contrato, no valor de R$ 14,9 milhões por ano, porém, não era entre a prefeitura e o hospital.
O Hospital XV, como o Plural noticiou, estava em Recuperação Judicial por conta de cerca de R$ 23 milhões em dívidas. A falência da instituição foi decretada pela Justiça no último dia 13 de março.
O contrato anunciado por Pimentel é, na realidade, entre o Município de Curitiba e a Pro Vitta Associação Beneficente, uma entidade privada "especializada na gestão de serviços de saúde e administração clínica hospitalar".

O Pro Vitta se credenciou como prestadora de serviço no endereço do Hospital XV no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) em 30 de novembro de 2025. No dia 2 de dezembro a entidade celebrou o contrato com a prefeitura de Curitiba com valor mensal de R$ 1,25 milhão para receber no Hospital XV pacientes encaminhados pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPA).
No dia 18 de dezembro, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) recebeu o diretor do Hospital XV, José Lazzarotto, para anunciar a assinatura do contrato e a integração do hospital a rede municipal de saúde.
A reportagem do Plural tentou contato com a empresa através dos telefones oficiais, sem sucesso. A entidade gerencia o atendimento de saúde em outros municípios, como Turvo e Clevelândia e tem convênio com a Secretaria de Estado da Saúde.

Chamamento Público
A relação entre a Pro Vitta, o Hospital XV e a Prefeitura começou a partir do lançamento de um Chamamento Público para contratação de atendimento traumato-ortopédico em setembro de 2025. O edital previa a contratação de instituição beneficente, credenciada para atender o SUS.
Legalmente, o Hospital XV não poderia participar do chamamento uma vez que além de não ser beneficente, a empresa também tem dívida ativa junto à Prefeitura. Segundo levantamento de 2019, a instituição deve R$ 7,8 milhões ao município. A dívida levou ao pedido de leilão judicial da sede do hospital em 2025.
Segundo o Portal de Transparência da Prefeitura de Curitiba, 17 entidades retiraram o edital, mas apenas a Pro Vitta participou da licitação. O contrato prevê o atendimento de 60 pacientes por dia, 1800 pessoas por mês.
No release da prefeitura anunciando o acordo com o hospital, o texto informava que a Pro Vitta era "mantenedora da instituição hospitalar". Não há, porém, nenhum registro no processo judicial de instituição da Pro Vitta como mantenedora do Hospital.
“Hoje nós assinamos um ato simbólico que marca a entrada do Hospital XV no SUS curitibano para atendimento ao trauma, e a partir de agora, essa parceria não para mais, pois fortalece nosso sistema de saúde e atende as pessoas que precisam de assistência ortopédica”, declarou o prefeito na ocasião.
