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Cooperativa que coagiu funcionários citando "socialismo" é proibida de repetir fato

Cooperativa Lar, famosa marca de alimentos do Paraná, foi barrada pela Justiça de continuar práticas ilegais para direcionar votos de seus empregados

Cooperativa que coagiu funcionários citando "socialismo" é proibida de repetir fato
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A Lar Cooperativa, cuja sede administrativa fica em Medianeira, no Oeste do Paraná, entrou para a lista das empresas do estado que estão mira do Ministério Público do Trabalho (MPT) por assédio eleitoral. Nesta segunda-feira (24), a Justiça atendeu pedido do órgão e determinou, liminarmente, que a companhia, bastante conhecida por seus produtos à base de frango congelado e milho e ervilha enlatados, deixe de coagir funcionários para votarem em Jair Bolsonaro (PL), a quem o presidente da cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues, declarou voto em carta compartilhada na última semana. O documento também foi questionado pela Justiça sob crivo da legislação eleitoral.

Em seu site, a marca diz ter 24 mil trabalhadores e mais de 12 mil associados no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

A decisão da juíza Susimeiry Molina Marques, da 1ª Vara de Trabalho de Foz do Iguaçu, proíbe a Lar de prometer ou conceder benefícios em troca de votos e de ameaçar e constranger qualquer trabalhador de suas plantas por causa de voto.

O despacho se baseia em denúncias descritas nos autos pelo MPT – um punhado de relatos que indicam a mesma prática de outras investigadas Brasil afora, vitaminadas por informações falsas sobre a suposta tomada do Brasil pelos ideais comunistas e socialistas e pela derrocada das empresas, e consequente comprometimento dos postos de trabalho, em um eventual governo Lula, do PT, candidato que disputa a presidência contra Bolsonaro neste segundo turno.

Os relatos de práticas ilegais começaram a chegar aos gabinetes dos procuradores há cerca de duas semanas e, desde então, várias recomendações chegaram a ser encaminhadas à cooperativa.

Uma denúncia do dia 14 de cita supostas reuniões “com os candidatos e seus líderes para que coajam seus funcionários e prestadores de serviços de terceiros a votarem nos candidatos que os beneficiam, chegando alguns gestores a verbalizar que tais prestadores de serviços seriam boicotados, somente por possuir bandeiras da oposição de seus candidatos”. O relato também fala em temor “de demissões e represálias após o término da campanha.”

Em outro caso, o MPT fala de um pronunciamento de Rodrigues no programa que a empresa mantém em seis emissoras diferentes no Paraná. Na fala, o diretor atrela a uma possível vitória de Lula o risco dos empregos na cooperativa, além de fazer alusão à possibilidade de existência de fraude nas urnas eletrônicas, tese bastante empregada pela ala bolsonarista para atacar a Justiça Eleitoral em caso de perda de Bolsonaro no pleito.

O despacho da Justiça leva em consideração artigos constitucionais e o Código Eleitoral, que garantem direito ao voto direto e secreto e coíbem a interferência do poder econômico em desfavor da liberdade do voto.

Assim, também ordena que a marca deixe de desempenhar várias práticas coibidas pela lei eleitoral. Entre elas, “exigir, impor, induzir ou pressionar” a participação dos trabalhadores em manifestações políticas a favor do candidato do PL; veicular propaganda político-partidária em comunicados dirigidos aos funcionários; fazer atos políticos no ambiente de trabalho e impedir que os trabalhadores designados para a escala de domingo – dia do segundo turno das eleições – possam sair para votar.

Sobre a decisão desta segunda, a empresa afirmou que, como o assunto está subjudice, não poderá se manifestar até o fim do período eleitoral.

Em manifestação ao Ministério Público do Trabalho, a Lar negou os fatos, mas deixou de juntar os documentos requeridos. Nos autos, anexou uma carta em papel timbrado com considerações pessoais do diretor sobre as eleições. O teor do texto também foi lido pela Justiça como possível intimidação a funcionários.

Na carta, Irineo da Costa Rodrigues diz que o brasil está à beira do socialismo – que, nas palavras dele, foi responsável por empobrecer a argentina, e engajar jovens e universidades para uma nova escalada da corrupção –, embora ainda haja a opção de seguir para a “direita”, a quem atrela as palavras “valores” e “moral”.

“O presidente Bolsonaro trabalhou com equipe técnica, fazendo o melhor em um tempo difícil até que um tempo melhor surgisse para fazer ainda melhor, sempre com a marca de uma gestão séria. Pensemos nisto, sabendo que o caminho melhor para a nossa geração, para os nossos filhos e netos é reeleger o presidente Bolsonaro”, diz trecho em que a juíza defende ser evidente a pretensão do proprietário de impor “sua visão dos fatos aos empregados, sendo claro o constrangimento dos trabalhadores que tem o emprego como sua fonte de renda, o que implica abuso do poder diretivo”.

Além de multa de até R$ 200 mil por item descumprido, a Lar terá até esta terça (25) para publicar carta de esclarecimento, em plataformas de amplo acesso, para afirmar respeito à garantias constitucionais e eleitorais de seus empregados.

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