Integrantes do Coro da Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançaram um abaixo-assinado online cobrando a contratação de um novo maestro. Desde a aposentadoria de Álvaro Nadolny, em 2022, a regência do grupo está vaga, impossibilitando ensaios e apresentações, bem como a continuidade das 17 bolsas culturais para integrantes do grupo.
Desde então, o conjunto que já soma 66 anos em atividade, passou por soluções apenas paliativas, conforme explicam os integrantes em comunicado enviado à reportagem: "Ainda em 2023, um ano após o comunicado da aposentadoria, a PROEC [Pró-Reitoria de Extensão e Cultura] não conseguiu oficializar a contratação temporária de Lucas Svolenski, então Maestro Assistente do grupo. Diante desse impasse, para garantir a continuidade do Coro, foi formada uma gestão de transição composta pelo servidor e Maestro Márcio Steuernagel, que assumiria interinamente a administração do grupo por ser servidor concursado, pelo Maestro Assistente Lucas Svolenski – integrante do Coro há mais de 10 anos – e pela Maestra Ingrid Stein Fernandez, ex-integrante do grupo que retornou para colaborar com sua manutenção."
Enquanto os outros grupos artísticos da UFPR já começaram suas atividades deste ano, não houve publicação de edital para o Coro. A única saída seria a realização de concurso público para a vaga de maestro.
Em resposta à reportagem, a assessoria de imprensa da UFPR confirmou que "nos anos de 2023 e 2024 o maestro Márcio Steuernagel assumiu, de forma temporária, a regência no Coro da UFPR, paralelamente à regência da Orquestra Filarmônica da UFPR".
Sobre a previsão de contratação do novo regente, a instituição explicou que o impedimento está no Decreto nº 10.185, de 20 de dezembro de 2019, do governo de Jair Bolsonaro, que bloqueou a reposição de muitas vagas nas universidades federias ao vedar cargos para concurso sem consulta às instituições. "O cargo de regente é um desses casos. Atualmente, espera-se a regulamentação do que dispõe a Medida Provisória 1286 de 31 de dezembro de 2024 e que a vaga de regente possa ser contemplada na nova denominação dos cargos públicos das universidades. Para contratação de terceirizado, é preciso esperar a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025 pelo Congresso Nacional."
Os músicos do Coro admitem que o decreto impede o concurso público. Mas afirmam que se trata de uma "barreira política e burocrática que poderia ser superada com a devida articulação institucional junto ao Ministério da Educação (MEC), ao Governo Federal e ao Congresso Nacional".
A universidade ainda ressaltou que o problema não é novo e que sabe da importância do grupo para além das portas da instituição: "O problema é antigo, desde 2022, e a atual gestão, que assumiu em dezembro de 2024, está buscando alternativas possíveis, dentro do que as normas e o orçamento permitem. Uma delas é a redistribuição de uma servidora técnica no cargo de pianista, que depende apenas de publicação em Diário Oficial. A UFPR reconhece e se orgulha da importância do Coro para a comunidade universitária e a cultura paranaense, e está agindo para que as atividades retornem o mais breve possível, dentro da legalidade."