Crônicas sobre o cotidiano no Paraná, com olhar sensível e autoral sobre a vida nas cidades, personagens locais, memórias, afetos e experiências urbanas e regionais.
Não fiz pão. Também não me empenhei em cursos online. Não participei de festas no Zoom. Nem ao menos posso me gabar de seguir o mesmo chato de pouco mais de um ano atrás
O senhor sacou uma máscara do bolso e, teatralmente, a atirou no chão. Voltou-se para mim e, como um desvairado, gritou: “Ciência?! Eu quero que a ciência se foda! Eu odeio a ciência! Odeio!”
Tento conceber os livros, que tanto admirei ao longo de mais de quarenta anos, como pesos de papel, revistas abandonadas por falta de imagens, inúteis caixas de palavras desprovidas de valor
Não havia nenhum motivo pra ele parar naquela cidadezinha, exceto o tiroteio. Era uma cidadezinha desenxabida e desinteressante, os prédios pintados num tom de amarelo estrambótico, que fazia os olhos