Crônicas sobre o cotidiano no Paraná, com olhar sensível e autoral sobre a vida nas cidades, personagens locais, memórias, afetos e experiências urbanas e regionais.
Mesmo debaixo de blusas e casacos, mesmo enrolada em xales e cachecóis, mesmo de gorro e máscara, mesmo vinte quilos mais pesada que o habitual, eu a reconheço
Homenagear vítimas sempre dá a impressão de algo humano e solidário, afinal é o reconhecimento que um determinado número de pessoas foi vítima de algo, de alguma ação ou ausência de ação
A bruxa está solta. Posso senti-la agora, sozinho em minha cadeira de preguiça sob esse lume lunático. Quisera fosse sempre assim, e as coisas saíssem de vez das planilhas, saltassem para fora da realidade adestrada
Há um pequeno ipê-amarelo que, faz tempo, acompanho da minha janela. Está em algum lugar da Comendador Macedo. Nunca o vi de perto. Este ano não floriu. Será que morreu? Visto duas máscaras e vou averiguar
uma fita do fusca que sei lá se é bem como dizem é a de que geral curte. geral olha quando passa um? sim. mas às vezes é tipo uns olhar cabuloso em cima de umas boca nervosa que “falam” TIRA ESSA LATA VELHA DA RUA
Estávamos em estado de mistura e ninguém parecia se incomodar com o fato de que uma cidade verdadeiramente existisse assim, tão sórdida e bela, enquanto Nasser, o libanês, nos atendia com um cigarro na mão e um isqueiro
sigo ansiosa pelo dia em que o mundo finalmente postará seu textão de retorno das cinzas dizendo que ano passado morreu, mas que este ano não morre mais, que a ultradireita endossada pelos negacionistas seja só um retrat
São milhares de milicianos, policiais, guardas municipais, seguranças privados e parte das Forças Armadas armados e dispostos a tudo e o tudo é derrotar – mesmo que não saibam o que é e quem é – o comunismo e os comunist