Crônicas sobre o cotidiano no Paraná, com olhar sensível e autoral sobre a vida nas cidades, personagens locais, memórias, afetos e experiências urbanas e regionais.
Pergunto à minha mãe se a voz do meu pai era grave ou aguda, se ele falava alto, como nós que ficamos depois dele, ou mais baixo. Ela dá algumas indicações, mas nenhuma reconstitui a voz
Nas ruas, as pessoas se dividem em duas categorias básicas, reducionistas: as que usam e as que não usam máscara. Diante isso, concluo eu, uma única pergunta continua, e continuará, por muito tempo, a me assombrar: depoi
nessas últimas chuvas fechei um livro que ainda tá aberto na minha cabeça. li a maior parte no bonde mas deixei pra terminar quietinho, em baia. uma das orelhas que dobrei foi a da 471. a mina tá num museu
Minha amiga era uma aristocrata por natureza. Vendeu sua floricultura no São Francisco quando completou cinquenta anos, e desde então vivia da renda de dois imóveis, um deles locado para mim
De repente me peguei contando número de quadras que caminhava, número de passos que dava, degraus de escadas que subia e parado na rua me peguei contando, várias vezes, o número de andares de determinados prédios em cons
Em meio ao burburinho dos clientes e aos gritos dos garçons para a cozinha, iniciamos então uma dessas conversas pontuadas de silêncio que costumamos ter
Pergunto quem compôs aquela canção e o homem diz que foi ele mesmo, e até estranha a minha pergunta, achou que eu o conhecesse de antemão, fiz muito sucesso anos atrás, não me reconhece? Eu digo que não, e me desculpo po
Poderia falar de coisas mais que divinas caídas do céu, mas o menino um dia será homem e haverá de saber que os homens nascem das mulheres, e nunca o contrário
Lá da cobertura do vigésimo e não sei quantos andares, sequer se veem, se é que ainda existem, as redes de pescadores em varais na praia, quem dirá os varais coloridos que assisto nas sacadas e janelas