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Curitiba passa por um surto de hepatite A; saiba como se prevenir

Curitiba registra 310 infecções, maior taxa de casos confirmados nos últimos 10 anos foi registrada em 2018, quando a capital teve 26 casos

Curitiba passa por um surto de hepatite A; saiba como se prevenir
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Na última segunda-feira (10), a Secretaria Municipal de Saúde informou que, durante a primeira semana de junho, foram registrados em Curitiba 38 casos confirmados de hepatite A. Até o momento, a capital do Paraná registra 310 infecções, cinco mortes e um transplante hepático.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2012 e 2022, Curitiba registrou 135 casos de hepatite A, de acordo com os dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais publicado em julho de 2023. A maior taxa de casos confirmados em Curitiba foi registrada em 2018, quando a capital registrou 26 casos. Ainda segundo o boletim, nos últimos quatro anos, a taxa de contaminação na cidade não passou de seis casos confirmados.

De acordo com a médica pediatra, especialista em infectologia pediátrica e professora de medicina da UFPR, Cristina Rodrigues, a capital do Paraná passa por um surto da doença. “Isso caracteriza bem o surto quando se tem um aumento comparado com a série histórica e nesse caso a série histórica era de seis casos ao ano. O número agora é absurdo”, diz.

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A Hepatite A é uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite, e sua contaminação ocorre pelo contato de fezes com a boca. A doença tem relação com alimentos ou água inseguros, baixos níveis de saneamento básico e de higiene pessoal. Outras formas de transmissão são o contato pessoal próximo entre pessoas contaminadas ou por praticas sexuais desprotegidas.

O Centro de Epidemiologia da SMS investigou os dados de contaminação da doença e identificou que a transmissão ocorre de pessoa a pessoa, principalmente por práticas sexuais desprotegidas.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a maioria das confirmações atinge homens jovens, entre 20 e 39 anos. São 228 casos masculinos (73,5%) e 82 femininos (26,5%). Por atingir adultos, os casos têm sido mais graves, sendo que 187 pessoas precisaram de internação hospitalar (60%) e 11 deles de cuidados intensivos em UTI.

Para Rodrigues, o melhor caminho para prevenção da doença são os cuidados com higiene pessoal. “É muito importante que esse surto seja investigado para tentar determinar o que está acontecendo nessa comunidade para que seja possível passar de maneira assertiva as estratégias preventivas”, diz.

De acordo com a prefeitura, o trabalho de investigação das causas do surto em Curitiba ainda não terminou e está sendo reforçado por profissionais do Ministério da Saúde. Os sintomas da Hepatite A são fadiga, febre, mal-estar, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia, urina escura, pele e os olhos amarelados (icterícia).

Sintomas da hepatite A

Se os sintomas forem leves, o atendimento poderá ser feito pela Central Saúde Já pelo telefone 3350-9000. Depois de falar com um profissional de saúde para a classificação de risco, poderá ser realizada uma consulta por telefone ou vídeo com um médico da Central. Se necessário, será agendado atendimento presencial em uma Unidade de Saúde ou, se o caso for mais grave, será encaminhado para atendimento em uma das nove UPAs da cidade.

De acordo com a médica Cristina Rodrigues, as principais medidas para prevenir a contaminação pela Hepatite A são relacionadas à higiene pessoal. “Os cuidados principais devem ser com os hábitos de higiene, então lavar as mãos depois de usar o sanitário, antes de se alimentar, fazer a higiene correta dos alimentos, evitar consumir água que não seja tratada ou mineral”, diz.

Outros cuidados são usar preservativos e higienização das mãos, genitália, períneo e região anal antes e após as relações sexuais. Lavar constantemente as mãos ao trocar fraldas e antes do preparo de alimentos; Lavar com água tratada, clorada ou fervida, os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por pelo menos 10 minutos; Cozinhar bem os alimentos antes de consumi-los, principalmente mariscos, frutos do mar e peixes; Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras.

No caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas, devem ser adotadas medidas rigorosas de higiene, tais como a desinfecção de objetos, bancadas e chão utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária. Não se deve tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou próximo de onde haja esgoto; é importante evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios.

A melhor prevenção ainda é a vacina. Disponível a todos pelo plano de imunização nacional desde 2014, as crianças de 1 a 5 anos devem tomar a vacina contra a Hepatite A. A imunização é prevista no calendário nacional do SUS.

A vacina não é recomendada para adultos, mas pode ser tomada por pessoas vivendo com HIV/Aids, candidatos a transplantes, doadores de órgãos sólidos e imunossuprimidos. Essas pessoas também podem se vacinar contra a Hepatite nos Centros de Referências de Imunobiológicos (Crie).

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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