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"Transurbano" retrata o caminhar pela cidade guiado pela eventualidade

Francisco da Silveira fala sobre o filme experimental selecionado para exibição no Curta 8

"Transurbano" retrata o caminhar pela cidade guiado pela eventualidade
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"Transurbano" (Brasil, 2024), rodado em Super-8 na cidade de Curitiba, é o segundo filme experimental de Chico Silveira e o primeiro em que assina sozinho a realização. O curta-metragem se propõe a mostrar geometrias complexas da cidade e como isso é percebido: "A sequência dos espaços é criada pela pertença dos vazios e dos cheios. Dentro de um nada, há também um todo moldado em fragmentos que vão dando tons à forma (...)"

O cineasta é também professor, licenciado em História pela Universidade Estadual de Maringá, onde estudou temas do cinema relacionados com a área de sua formação. Hoje, aos 29 anos de idade e radicado em Curitiba desde 2020, ele trabalha como roteirista, escritor e editor, enquanto cursa o mestrado em Cinema e Artes do Vídeo, na Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

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Silveira conversou com o Plural sobre seu curta-metragem selecionado para competir na Mostra Digital do Curta 8, edição de 2024. Ele falou sobre referências e inspirações, como Jonas Mekas e André Breton, e ainda contou outros detalhes da produção de "Transurbano". Confira a seguir. 

Como nasceu a ideia para “Transurbano”? O filme já circulou em outros festivais fora o Curta 8? 

“Transurbano” nasceu da ideia do caminhar como prática poética. O nome do filme vem de um conceito, o de “Transurbância”, do autor Francesco Careri, que discute exatamente esse caminhar e a ideia de subverter as imagens como prática estética. Ao iniciar as gravações do filme, quando estava com o cartucho de Super-8 em mãos, me deparei com uma frase do André Breton, em "Le spas Perdus", em que ele diz “a rua, com suas inquietações e os seus olhares, era o meu verdadeiro elemento: nela eu recebia, como em nenhum outro lugar, o vento da eventualidade”. 

O filme já circulou por alguns festivais e foi realizado em um desses, no Festival Inflamável (2023-24), quando recebeu dois prêmios: o de melhor filme experimental, pelo júri técnico, e melhor filme experimental, pelo júri popular. Já foi exibido no Festival de Audiovisualidades (MAC-Paraná); na edição de 2024 do Metrô Universitário; no Lift-Off Global Network; no Festival de Cinema de Itapetininga; e no Festival Super-Off, em São Paulo, também em 2024.

Por que filmar em Super-8? Como foi e quanto tempo levou a montagem? 

A ideia de filmar sem ver o resultado, como na fotografia analógica, sempre me instigou. A eventualidade, da qual Breton fala das ruas, também existe na câmera Super-8. Lidamos com as eventualidades da gravação, sem saber se o foco ficou como deveria, se a luz está muito exposta (ou se não há luz). A ideia de gravar por um tempo e esquecer o que gravou, de montar na própria câmera, enfim, todas essas nuances do cinema analógico (e do cinema experimental especificamente) sempre foram provocativas para mim. 

A montagem do filme foi feita na própria câmera. O filme está da forma como foi gravado, na sequência gravada. Caminhei com a câmera pela cidade de Curitiba por dois meses, tendo feito diversos registros rápidos e outros mais demorados, a depender da familiaridade com a imagem que se apresentava no momento. A montagem levou o tempo de realização do filme, quase dois meses; às vezes gravava um minuto, às vezes dez segundos... e por aí vai.

Quais são suas principais referências e qual o filme da sua vida? 

Minhas principais referências como realizador são Jonas Mekas e seus filmes "Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza" (2000), "Walden: diários, notas, esboços" (1969); e Maya Deren, com "Tramas do Entardecer" (1943).

Não sei se consigo responder sobre um filme da minha vida, também gosto muito de documentários e outros gêneros, para além do cinema experimental, gosto muito de Eduardo Coutinho.

"Transurbano" está na programação do Curta 8

Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba

O Curta 8 tem produção da PERFIL comunicação e cultura e da Processo MultiArtes. É um projeto realizado por meio da Lei Municipal Complementar 57/2005, do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura, Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba. O incentivo cultural foi da Uninter, tendo os apoios da Caixa Econômica Federal e da Eye See Films.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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