Das sete escolas estaduais do Paraná que aparecem na lista dos 50 colégios públicos do país com o melhor desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), apenas duas integram o programa de Colégios Cívico-Militares implantado no Estado em 2020 pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). Os supostos bons resultados educacionais do modelo levaram a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) a aprovar nesta semana um projeto para transformar em cívico-militares as escolas estaduais de tempo integral.
O governo comemorou a inclusão de sete escolas do Paraná na lista, divulgada pelo jornal O Globo no início do mês. Mas os dados colocam o Estado em terceiro lugar, o que contrasta com o slogan "Melhor educação do Brasil" propagado por Ratinho. "O desempenho faz do Paraná o terceiro estado com mais escolas entre as melhores ranqueadas do Brasil, de acordo com o levantamento. Somente Rio Grande do Sul, com 12 escolas, e São Paulo, com oito, têm mais colégios no top 50 do que o Paraná", diz matéria publicada na Agência Estadual de Notícias.
As sete escolas do Paraná que tiveram notas entre as 50 mais altas do país:
- Colégio Estadual Vila Alta (Alto Paraíso): 612,16
- Colégio Estadual de Laranjeiras do Sul (Laranjeiras do Sul): 604,34
- Colégio Estadual João Arnaldo Ritt (Toledo): 592,85
- Colégio Estadual Lucia Alves de Oliveira Schoffen (Altônia) 592,56
- Colégio Estadual Lauro Tavares (Rolândia): 591,55
- Colégio Estadual Octávio Tozo (Cascavel): 586,69
- Escola Estadual Juscelino Oliveira (Maringá): 584,02
Apenas dois colégios da lista – Colégio Estadual João Arnaldo, em Toledo, e Lauro Tavares, em Rolândia – foram incluídos no programa de colégios cívico-militares.
O projeto do Executivo que autoriza a militarização de escolas de tempo integral foi aprovado nesta semana pela Alep, em regime de urgência. Um projeto semelhante havia sido proposto pelo deputado Ricardo Arruda (PL), mas o Executivo entendeu que seria sua prerrogativa apresentar a proposta. Somente uma emenda, apresentada pela deputada Luciana Rafagnin (PT), foi aprovada, para impedir que escolas rurais com mais de 150 alunos sejam militarizadas.

Líder da base governista na Alep, o deputado Hussein Bakri (PSD) disse que a expansão do programa é um pedido da sociedade, que os resultados são bons e que a oposição a Ratinho Júnior é contrária o modelo por "motivos ideológicos".
O deputado Goura (PDT) desafiou o governador a matricular seus filhos em escolas cívico-militares.
"Se esse projeto fosse tão bom, deveríamos todos nós colocar nossos filhos nessas escolas cívico-militares. Deveria igualmente o governador Ratinho Júnior colocar suas filhas e seus filhos nesses colégios."
Goura, deputado estadual
A deputada Ana Júlia Ribeiro (PT) lembrou que, com o novo projeto, caberá á Secretaria de Estado da Educação (Seed) decidir unilateralmente sobre a adesão a programa quando não houver quórum suficiente nas consultas escolares. A tática já foi usada para incluir escolas no programa Parceiro da Escola – 70 colégios foram terceirizados pelo governo de Ratinho sem aprovação da comunidade escolar.
Ana Júlia citou ainda os casos de assédio e agressão nos estabelecimentos militarizados, que ainda não foram esclarecidos. “Um estudante ficou horas trancado e sendo humilhado por um militar dentro de uma escola. Isso é tortura. Desde o dia 11 de agosto aguardamos uma resposta da Seed e nada foi feito. É inaceitável”.
Modelo pode ser declarado inconstitucional
O projeto para aumentar a militarização de escolas foi aprovado quando Ações Direitas de Inconstitucionalidade são analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas questiona a lei que autorizou a criação do programa no Paraná e outra é contra o pagamento de policiais militares em São Paulo com recursos da educação, o que seria inconstitucional. Segundo a oposição a Ratinho Júnior, há insegurança jurídica, pois o modelo poderá ser declarado inconstitucional.
De acordo com a APP-Sindicato, os policiais militares contratados para atuar como monitores recebem R$ 5,5 mil por mês, mesmo sem formação para trabalhar com estudantes. Já os professores estaduais têm um piso salarial de R$ 4,9 mil para jornada de trabalho de 40 horas semanais.