A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) cobrou informações do Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR) sobre a fiscalização de postos de combustíveis no estado. Na semana passada, a Operação Carbono Oculto, da Receita Federal, identificou um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro que teria ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Foram identificados 46 postos de Curitiba.
Ana Júlia encaminhou um pedido de informações ao Ipem sobre a frequência das fiscalizações, o número de estabelecimentos inspecionados neste ano e no ano passado, as autuações aplicadas e casos de reincidência. Ela solicitou ainda informações sobre o uso de tecnologias de detecção de fraudes, o treinamento oferecido aos fiscais e a cooperação do órgão com entidades como Polícia Federal, Ministério Público e Procon.

“É atribuição do IPEM zelar pelo consumidor paranaense, mas causa estranhamento que apenas agora, com a presença de órgãos federais, tenha sido exposto um esquema tão amplo de fraudes em postos de Curitiba. É importante entender se o Instituto tinha conhecimento de indícios dessas irregularidades e quais medidas foram tomadas ao longo do tempo”, disse a deputada.
A parlamentar também cobrou esclarecimentos sobre possíveis vazamentos de informações sobre as fiscalizações. “Estamos diante de um escândalo que envolve não só o bolso do consumidor, mas também a credibilidade de um setor essencial. É dever do governo do estado garantir fiscalização efetiva, transparência e punição exemplar para quem frauda e prejudica a população”.
A Operação Carbono Oculto foi feita pela Receita Federal em parceria com os Ministério Público de oito estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Espírito Santo. Foram cumpridos mandados contra 350 alvos nos oito estados. Há a suspeita de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
As investigações apontam que integrantes do PCC atuavam na importação irregular de metanol pelo terminal PAR 50 do Porto de Paranaguá, privatizado em 2023 pelo governador Ratinho Júnior (PSD). A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pediu o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens.

Os agentes identificaram que o metanol utilizado para adulterar o combustível entra no país pelo Porto de Paranaguá e não é entregue aos destinatários indicados nas notas fiscais. Altamente inflamável e tóxico, o metanol é enviado para postos e distribuidoras, nos quais é utilizado para adulterar combustíveis, o que geraria lucros bilionários ao PCC.