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Deputados querem barrar atuais concessionárias de pedágio em nova licitação

Emenda ao projeto quer que, além de multas, atuais concessionárias envolvidas em corrupção sejam declaradas inidôneas

Deputados querem barrar atuais concessionárias de pedágio em nova licitação
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A Assembleia Legislativa (Alep) vai analisar uma proposta para que as atuais concessionárias que atuam no estado sejam impedidas de participar do próximo leilão do pedágio no Paraná. A sugestão foi formalizada pelo deputado Soldado Fruet (PSL) em forma de emenda ao projeto de lei do Executivo que delega 1,2 mil quilômetros de rodovias paranaenses (PRs) ao governo federal e elaborada como resposta à decisão recente da Controladoria-Geral do Estado de não ampliar a penalidade imposta a duas das seis empresas controladoras do anel de integração.

Na última terça-feira (10), a CGE determinou multa de R$ 38,6 milhões à Ecocataratas e R$ 27,5 milhões à Ecovia – ambas do grupo Ecorodovias – como pena por práticas de corrupção. A determinação veio após tramitação de um processo administrativo de responsabilização (PAR) implementado pelo estado com base na lei anticorrupção. Todas as seis concessionárias que hoje controlam o sistema de pedágio do Paraná já foram alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) em operações originadas a partir dos trabalhos da força-tarefa da Lava Jato, mas apenas agora foi dada a primeira decisão no âmbito administrativo do Paraná. As demais concessionárias continuam com processos sendo analisados na CGE.

Para uma parte dos deputados, no entanto, a pena dada é insuficiente. Eles esperavam que, além das multas, o estado decidisse por aplicar declaração de inidoneidade por ato lesivo, previsto na lei anticorrupção. O instrumento jurídico impediria que as concessionárias participassem do próximo leilão de concessão de rodovias paranaenses, previsto para o primeiro semestre de 2022.

Embora a resolução da CGE determine que a Ecocataratas e a Ecorodovias e a empresa Ecorodovias também ficam impedidas de contratar ou licitar com o Paraná por dois anos, a medida não restringe nenhuma delas de, se interessadas, participar do próximo certame, que será organizado pelo governo federal, e não estadual. Caso a declaração de inidoneidade tivesse sido aplicada, a limitação também valeria para contratos de qualquer outra esfera.

O deputado soldado Fruet, que classificou a resolução da CGE como política e sem efeito na prática, pediu apoio à emenda. A ideia é condicionar a delegação das rodovias estaduais à exclusão das atuais concessionárias do processo.

“Assim teremos a certeza que as concessionárias que tanto calote deram, que tantas obras deixaram de realizar, que tantos bilhões ganharam às custas dos paranaenses, serão de fato punidas. O maior sonho dessas concessionárias é continuar no bilionário mercado das concessões no Paraná”, disse o parlamentar. Ele ganhou apoio de outros deputados.

“Eles não colocaram a pena de declaração de inidoneidade que impede que essas empresas contratem com todos esses entes públicos. Isso quem está falando não sou só eu. É o STJ e também o próprio controlador [geral do estado] Raul Siqueira, que em outras decisões afirmou esse entendimento. Infelizmente não aconteceu e a consequência disso tudo é a participação das concessionárias nas novas licitações de pedágio no estado do Paraná”, acrescentou a deputada Mabel Canto (PSC).

Cerca de 1,2 mil quilômetros de PRs estão no pacote do novo modelo de pedágio desenhado pela União. A presença destes trechos é imprescindível para atrair interessados, mas eles só podem ser delegados mediante autorização no Plenário da Alep. O projeto tramita em regime de urgência.

Depois de passar pela Comissão de Constituição de Constituição e Justiça, o projeto foi aprovado nesta segunda (16) pela Comissão de Finanças e Tributação e já seguiu para os membros da Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicação, de onde veio um pedido de vista do deputado Professor Lemos (PT). Os membros da comissão votam a se reunir nesta terça-feira (17) para continuar com a discussão.

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