Dois acusados de executar um casal em uma festa neonazista realizada em 2009, em Quatro Barras, na região metropolitana e Curitiba, foram condenados na noite de sábado (22) no Fórum de Campina Grande do Sul. Jairo Maciel Fischer, de 37 anos, foi condenado a 27 anos, sete meses e oito dias de prisão; João Guilherme Correa, 34, foi sentenciado a 35 anos. Outros dois suspeitos foram inocentados.
Eles foram condenados pelas mortes dos estudantes Bernardo Dayrell Pedroso, então com 24 anos, e Renata Weachter Ferreira, 21 anos, na madrugada de 21 de abril de 2009. Apontado como mandante do crime, o economista Ricardo Barollo, de 48 anos, será julgado no dia 22 de maio. Barollo teria encomendado as mortes em meio a uma disputa de poder no movimento neonazista.
Bernardo e Renata participavam de uma festa neonazista em uma chácara em Quatro Barras, convocada para a noite de 20 de abril, data de nascimento do ditador Adolf Hitler. Bernardo, que era estudante de Direito morava em Minas Gerais, era visto como um dos líderes do movimento no país. Ele era contrário aos ataques a homossexuais e travestis nas ruas de Curitiba, por achar que os atos de violência “prejudicavam a imagem” do movimento. Renata era estudante de Arquitetura na PUCPR.
Já na madrugada de 21 de abril, o casal foi chamado para comprar mais cerveja e buscar o namorado de outra participante da festa em Curitiba. Quando voltavam para a chácara, na BR-476, o ocupante teria pedido para parar o carro. Outro veículo, com dois homens encapuzados (que seriam Jairo Maciel Fischer e João Guilherme Correa), se aproximou. Eles atiraram na nuca de Bernardo e três vezes contra Renata. Um dos tiros acertou a cabeça dela. Os dois morreram no local.
"Neuland"
Seis pessoas foram presas pela Polícia Civil do Paraná em maio de 2009. Quatro foram presas em Curitiba, inclusive o casal que teria participado da emboscada. Ricardo Barollo foi preso em São Paulo e o suspeito de atirar contra o casal foi detido em Teutônia (RS). Com ele foi apreendida uma das armas que teria sido utilizada no crime, uma pistola Hi-Power calibre 9 mm registrada na Argentina. Outra arma foi encontrada no Parque Barigui, em Curitiba.
Todos foram libertados no dia 2 de julho de 2009, após decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), devido a uma palavra errada no processo. Barollo foi novamente preso no dia 28 de outubro, mas deixou a cadeia no dia 30, após novo habeas corpus concedido pela 1ª Câmara Criminal do TJ-PR.
Em abril de 2011, os seis suspeitos foram interrogados em audiência pública no Fórum da Comarca de Campina Grande do Sul, mas desde então o julgamento vem sendo adiado. Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo planejava a criação de um "novo país" chamado Neuland, que ficaria na Europa e seria "livre de judeus e homossexuais".

Célula nazista em SC
João Guilherme Correa foi preso em novembro de 2022 em um sítio na rodovia SC-281, em São Pedro de Alcântara (SC). Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ele participava da reunião anual de uma célula neonazista que vinha sendo monitorada pela Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância. Oito pessoas foram presas, entre elas Correa, conhecido como “Kempfer”. No local os policiais apreenderam munições, armas brancas, broches, camisetas de bandas neonazistas, livros e imagens de Hitler, além dos celulares dos suspeitos. Outro participante do encontro foi condenado a 13 anos de prisão, em 2018, por espancar, junto com outras pessoas, três homens que usavam quipás.