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Dona Iracema, líder comunitária faxinalense, é morta a tiros dentro de casa

Iracema Correia dos Santos tinha 64 anos e atuava na defesa dos povos tradicionais da região Sul do Paraná contra a grilagem de terras

Dona Iracema, líder comunitária faxinalense, é morta a tiros dentro de casa
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A líder comunitária Iracema Correia dos Santos, 64 anos, foi morta a tiros na noite de quinta-feira (19), dentro de casa, no Faxinal Bom Retiro, município de Pinhão, na região Centro-Sul do Paraná. Dona Iracema, como era conhecida, atuou na defesa dos direitos territoriais dos povos faxinalenses da região. Ela teria sido morta na frente do próprio neto.

Dona Iracema nasceu em Faxinal Bom Retiro e atuava em defesa das comunidades da região contra a grilagem de terras. A região é marcada por conflitos fundiários desde a década de 1940, quando madeireiras e plantadores de erva mate passaram a se instalar no local, que tem comunidades tradicionais e áreas de floresta mista conhecidas como faxinais.

Em nota, a Articulação dos Povos Faxinalenses (APF), da qual ela fazia parte de 2005, e o Núcleo em Defesa dos Direitos de Povos e Comunidades Tradicionais (NUPOVOS/IFPR) emitiu uma nota cobrando a investigação do caso, já que Dona Iracema era ameaçada desde 2006. O nome da ativista constava no Caderno de Conflitos do Campo da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

“É um fato muito triste, com uma mulher lutadora, que estava à frente da luta pelo reconhecimento dos faxinais, que estão entre as comunidades tradicionais mais agredidas que temos”, disse a superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Paraná, Leila Aubrift Klenk. “Eles são muito agredidos pelos vizinhos. É uma situação delicada, que precisa ser apurada”.

Segundo Leila Klenk, o caso foi comunicado à diretoria do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos do MDA, Cláudia Dadico. “Ela fez contato com o ministro Paulo Teixeira, que se colocou à disposição da família, para que possa auxiliar no que for preciso. Esperamos que o caso seja elucidado logo e que parem de matar pessoas no campo. A violência está cada vez maior no Paraná, contra indígenas, sem-terra e agora contra os faxinalenses”. O MDA e o Incra emitiram um nota conjunta, em que lamentam a morte e pedem a apuração do caso.

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