Após perder a perna durante o serviço militar, o gaúcho Douglas Padilha, hoje morador de Paranaguá e funcionário do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), encontrou no vôlei sentado não apenas um esporte, mas um novo caminho de vida — marcado por disciplina, pertencimento e conquistas internacionais.
A superação no esporte representa a capacidade de ultrapassar limites físicos, emocionais e psicológicos. Para muitos atletas, esse processo vai além das competições: torna-se parte da construção de uma identidade, da autoestima e de um cotidiano mais saudável. No caso de Douglas, a jornada de superação ganhou forma em Paranaguá.

O encontro com o vôlei sentado em Paranaguá
Natural de Uruguaiana, Douglas Padilha, 33 anos, teve sua vida transformada após um acidente em 2010, durante o serviço militar, que levou à amputação de uma perna. Anos depois, já vivendo em Paranaguá, conheceu o vôlei sentado — modalidade paralímpica que lhe devolveu motivação e novos sonhos.
Há três anos, ele passou a treinar com o time civil AVPL Paranaguá, e desde então vem acumulando resultados expressivos.

Conquistas internacionais e medalha de ouro
Em fevereiro de 2025, Douglas integrou a seleção brasileira que participou do Invictus Games Vancouver Whistler 2025, no Canadá, competição internacional voltada a atletas militares com deficiência. Foi a primeira vez que o Brasil enviou um time completo — e a delegação voltou para casa com a medalha de ouro.
Meses depois, em julho, Douglas competiu no 3º Torneio Internacional Militar de Vôlei Sentado, no Sesc da Esquina, em Curitiba. O campeonato reuniu equipes militares da Itália, Bélgica, Nigéria, Colômbia, Argentina e França, além da equipe anfitriã, a Seleção do Círculo Militar do Paraná. Mais uma vez, a equipe saiu campeã.
Treino, disciplina e rotina entre o trabalho
Conciliar o esporte com a vida profissional exige organização e determinação. Na entrevista ao Plural, Douglas contou que treina três vezes por semana, ajustando os horários à rotina de trabalho. A disciplina, segundo ele, é o que mantém tudo funcionando.
“Mais do que representar o Brasil, sou reflexo da força da inclusão no ambiente corporativo. Quero ser exemplo de superação, dedicação e espírito esportivo para todos que fazem parte do Terminal”, afirmou.
Pertencimento e apoio: o esporte como comunidade
Douglas destaca que o esporte foi um ponto de virada. Antes do acidente, praticava atividades apenas por diversão. Agora, carrega o peso e a honra de representar Paranaguá — sua cidade de coração — e as Forças Armadas do Brasil.
“Hoje pratico representando a cidade que me abriu as portas para o esporte paralímpico e também as forças armadas. Sou militar reformado porque o acidente aconteceu durante o serviço, em 2010”, explica.

Fé, família e força interior
A fé e o apoio da família foram fundamentais para sua recuperação. Douglas conta que encontrar outros atletas com deficiências semelhantes foi determinante para fortalecer a autoestima e a vontade de continuar.
“A participação no esporte paralímpico oferece senso de pertencimento. Encontramos apoio em pessoas que passaram por experiências semelhantes. Isso fortalece a motivação e a autoestima”, diz.
Mesmo assim, ele reforça que a força verdadeira nasce dentro de cada pessoa:
“Nem todos os dias serão fáceis. Haverá momentos de dúvida e desânimo. O importante não é a queda, mas a capacidade de se levantar e seguir em frente.”
Ele também deixa um recado para quem enfrenta obstáculos:
“O treino é constante e o caminho pode ser longo, mas cada pequeno passo importa.”
A vitória que vai além do pódio
Para Douglas, mais importante que medalhas é a transformação proporcionada pela jornada.
“Acreditem no seu potencial. Encontrem algo que os motive. Vocês são capazes de coisas incríveis. Não há problema sem solução quando estamos dispostos a buscá-la. Contem com o apoio de quem está ao redor e, acima de tudo, acreditem em si mesmos.”
A história do atleta mostra que a verdadeira vitória está na superação diária — dentro e fora das quadras.