Franchesco Belinelli Neuwiem, 36 anos, morador de Curitiba, ficou cinco anos apenado em Piraquara (RMC). Ao sair, uma das dificuldades foi se reinserir no mercado de trabalho. Atualmente, ele trabalha no banco de alimentos do Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) e começou o curso de empreendedorismo e empregabilidade na UTFPR.
Assim como Neuwiem, outras 29 pessoas também integram o curso, que integra o projeto Alvorada, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A UTFPR é a primeira universidade do Estado do Paraná a integrar o projeto, que tem aporte de R$ 698 mil para desenvolvimento do curso. Entre outros, o recurso também garante a permanência dos estudantes até a conclusão, com bolsas de até R$ 1,5 mil mensais.
“Para mim vai ser bastante importante [a bolsa] porque eu tive várias perdas. Perdi minha mãe no fim do ano e meu pai perdeu o emprego, já com certa idade. Mas para evoluir em preciso estudar e para estudar preciso de um computador, então [a bolsa] ajuda nessas partes”, fala Neuwiem.
Impacto social
Neuwiem diz que nunca pensou em estudar na UTFPR, mas nesta quarta-feira (16) esteve no anfiteatro do campus Curitiba, para a primeira aula magna do curso de empreendedorismo no qual é discente desde março deste ano.
Durante a tarde representantes da UTFPR e do Ministério se reuniram na reitoria para tratar do Alvorada. Para Giovanna Pezarico, professora responsável pelo projeto na UTFPR, a aproximação dos alunos que cumpriram pena com a Universidade causa impacto social, cumprindo o papel da instituição. “Nós queremos que eles deixem se ser egressos do sistema prisional e passem a ser egressos da UTFPR”, explica.

Assim como Neuwiem, outros participantes pensam em ter melhor qualificação e aplicar os ensinamentos de empreendedorismo para garantir a reinserção plena. Para o MJSP a empregabilidade anda lado a lado com a cidadania.
“A Universidade Tecnológica é a primeira instituição a executar o projeto Alvorada aqui no Estado e para nós é uma honra. É o momento que marca o início de uma reescrita da trajetória dessas pessoas com inclusão não só produtiva, mas também uma inclusão social”, ressaltou Roseane de Aguiar Lisboa Narciso, coordenadora pedagógica do projeto dentro do MJSP.
Ao todo serão 720 horas de formação, com direito ao certificado de conclusão com o nome da UTFPR. A previsão do término da formação é para novembro e as aulas são ministradas por professores dos Programas de Pós-Graduação em Administração ser (PPGA) e em Planejamento e Governança Pública (PGP) do Campus Curitiba.