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Empresa começa a cortar árvores na região da Arthur Bernardes mas é impedida pelo Ibama

Consórcio contratado pela prefeitura não conseguiu provar que tinha autorização para derrubada de árvores; Guarda Municipal usou força para conter manifestantes

Empresa começa a cortar árvores na região da Arthur Bernardes mas é impedida pelo Ibama
Ibama suspendeu cortes na Vital Brasil até a apresentação dos documentos necessários à execução das obras. Foto: Giovani Sella
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A prefeitura de Curitiba realizou nesta sexta-feira (25) o corte de 34 árvores na rua Vital Brasil, bairro Portão. A derrubada acontece com o objetivo de se alargar as vias no trecho entre a Avenida Arthur Bernardes e a Rua Guararapes, como parte das obras do Inter 2. A obra, no entanto, foi suspensa após denúncia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por falta de licença para a atividade.

A paralisação dos cortes ocorreu após pressão do movimento SOS Arthur Bernardes, composto por moradores e moradoras da região, que questionaram a legalidade da derrubada. As vereadoras Vanda de Assis (PT) e Giórgia Prates (PT) acompanharam o ocorrido no local. Das 35 árvores autorizadas para corte pela prefeitura, 23 pertencem à mata nativa. O corte acabou em conflito entre a Guarda Municipal e manifestantes.

O Ibama deu prazo de 5 dias para o TC-Jerusalém, consórcio responsável pela obra na Vital Brasil, apresentar a licença emitida pelo Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), que fiscaliza o destino das árvores nativas derrubadas. 

“A gente acredita que, até semana que vem, eles devam apresentar e o Ibama faça a análise desses documentos para deferir ou não a continuidade das atividades”, afirma Sergio Suzuki, chefe da divisão técnico-ambiental do Ibama/PR. A notificação exige ainda informações sobre a quantidade de espécies nativas abatidas no local até o momento e quantas ainda serão cortadas.

TC-Jerusalém abateu 34 árvores ao longo da Vital Brasil. Questionada pelos moradores, a empresa se recusou a mostrar a licença para a obra. Foto: Giovani Sella

Irregularidades e tensão com moradores

A situação gerou tensão entre os moradores e os responsáveis pela obra. Integrantes do movimento SOS Arthur Bernardes relataram que a empresa se recusou a apresentar a documentação para a execução da atividade.

Eduardo Titão Motta, representante do consórcio TC-Jerusalém não estava com a licença no momento das derrubadas. Questionado pelos moradores, ele afirmou que “a obra tem todas as autorizações necessárias”, mas se recusou a mostrar os documentos à população.

A vereadora Vanda de Assis (PT) também exigiu a licença que permitiria a execução da obra pela empresa mas, assim como os residentes, teve o pedido negado pelo representante do consórcio. “A gente não tem obrigação de mostrar para vocês”, afirmou Titão Motta aos cidadãos no local. “A gente tem que mostrar para a autoridade responsável”, disse.

Verônica Rodrigues, moradora da região e integrante do SOS Arthur Bernardes, protestou junto de outras pessoas do coletivo contra a derrubada irregular das árvores no trecho da Vital Brasil. “A prefeitura faz o que ela quer. Se ela quer cortar, ela vai cortar”, afirmou a ativista nas redes sociais do movimento. “A gente está cortando um projeto de cidade alinhada com o meio ambiente, com o futuro”, denuncia.

Após pressão do movimento SOS Arthur Bernardes e de vereadoras, obras na rua Vital Brasil foram suspensas. Foto: Giovani Sella

Laudo de fauna “ao vivo”

Moradores e ativistas do SOS Arthur Bernardes questionaram a empresa responsável pelos cortes sobre o laudo de identificação da fauna local, requisito para a realização do abate das árvores. “Eles estão fazendo o laudo depois que já derrubaram as árvores”, afirma Robert Marques, geógrafo e mestre em planejamento urbano, que acompanhou as atividades no local. 

Cobrada pela população, a equipe responsável pela obra mandou um homem sem uniforme ou equipamentos de proteção individual subir em uma árvore para produzir o laudo de identificação da fauna na hora da derrubada. Àquela altura, a maioria das árvores no trecho da Vital Brasil já havia sido abatida.

Ação da Guarda Municipal

A Guarda Municipal (GM) foi acionada pelo consórcio para fazer a “proteção” da obra contra moradores e ativistas do SOS Arthur Bernardes. No local, agentes armados fizeram cerco para garantir a derrubada das árvores pela empreiteira. Em nota, a GM afirmou cumprir ordem da prefeitura para garantir a continuidade das atividades de derrubada.

“A Guarda Municipal realizou, na tarde desta sexta-feira (25), a contenção de uma área delimitada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Os agentes atuaram para isolar o local, para permitir que o trabalho fosse realizado com segurança, sem riscos para moradores, pedestres e motoristas”, conclui a nota.

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Rodrigo Matana

Rodrigo Matana

Estudante de jornalismo na UFPR

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