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Estado do Paraná deve responder por danos a vítimas do "Massacre do Centro Cívico", decide STF

Para não pagar indenização, Estado deverá comprovar a responsabilidade de cada manifestante na ação violenta da PM em 2015

Estado do Paraná deve responder por danos a vítimas do "Massacre do Centro Cívico", decide STF
Polícia Militar bombardeou servidores que protestavam na frente da Assembleia / Reprodução
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O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que o Estado do Paraná é responsável pelos danos causados a professores e servidores estaduais feridos durante a ação da Polícia Militar no episódio que ficou conhecido como "Massacre do Centro Cívico", no dia 29 de abril de 2015. O Estado só não será obrigado a indenizar as vítimas se comprovar a eventual responsabilidade de cada manifestante na reação da PM, que utilizou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.

Os manifestantes protestavam na frente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) contra o projeto de lei do governo que alterava as regras do fundo de previdência dos servidores. No meio da tarde, enquanto os deputados estavam em sessão, a PM deu início a um bombardeio, usando bombas de gás e balas de borracha. Cerca de 200 servidores ficaram feridos e alguns chegaram a ser atendidos na Prefeitura de Curitiba, por iniciativa do então prefeito Gustavo Fruet (PDT).

Foram apontados como principais responsáveis pela violência policial o então governador Beto Richa (PSDB) e o secretário da Segurança Pública, Fernando Franschini (que em 2021 veio a ter seu mandato de deputado estadual cassado por divulgar informações falsas sobre a eleição de 2018).

Livro traz novos relatos sobre o “Massacre do Centro Cívico”, em abril de 2015
Jornalista Louize Lazzarim ouviu 21 pessoas, entre elas o ex-governador Beto Richa, sobre o episódio que deixou mais de 200 pessoas feridas

Julgamento

O STF analisou o caso em Recurso Extraordinário apresentado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) contra decisão do Tribunal de Justiça (TJ-PR). O TJ-PR havia definido que as vítimas da ação da PM em abril de 2015 deveriam provar que não foram culpadas pelos atos dos policiais. O Tribunal ainda acatou o pedido do governo do Paraná e instaurou um Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), para julgar de forma igual os pedidos de indenização.

Para o relator do caso no STF, ministro Flávio Dino, a conduta dos manifestantes não era ilegal, pois a Constituição garante o direito de livre manifestação e de reunião pacífica em locais públicos. Para Dino, a culpa da vítima não pode ser presumida nem avaliada por meio de um IRDR e seria necessário verificar caso a caso. O único a votar contra a responsabilização do Estado do Paraná foi o ministro Nunes Marques – ele admitiu, no entanto, a impossibilidade de analisar a responsabilidade do Estado por meio de IRDR.

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29 de abril de 2015: tiros e bombas (Vídeo: José Marcos Lopes)

"É uma grande conquista, para continuar demonstrando que a nossa luta é importante, que a nossa luta vale a pena”, afirmou a secretária de Assuntos Jurídicos da APP-Sindicato, Marlei Fernandes. “Os ministros disseram que não é possível que se impeça as pessoas de fazerem manifestações, que elas sejam agredidas pela força policial de forma desproporcional e ainda, aqueles que entraram com ações pedindo indenização pelos danos que foram causados, tivessem que provar que não fizeram nada contra os policiais".

"Bancada do Camburão"

O pacote de medidas que gerou a confusão foi enviado pelo governo em fevereiro de 2015. A votação estava marcada para o dia 12 de fevereiro, mas servidores em greve ocuparam as galerias da Assembleia e bloquearam as entradas. O governo cedeu um veículo blindado da Polícia Militar para os parlamentares passarem pelos manifestantes e a PM serrou as grades da Alep.

Depois desse episódio que poderia ser classificado como ridículo, os governistas passaram a ser classificados como integrantes da "Bancada do Camburão". A votação, que seria no restaurante da Assembleia, foi adiada e só aconteceu no dia 29 de abril, quando ocorreu o "Massacre do Centro Cívico".

Veja quem eram e onde estão hoje os integrantes da "Bancada do Camburão":

Bancada do Camburão: dez anos depois, onde estão os deputados da base de Beto Richa
Em 12 de fevereiro de 2015, deputados da base governista andaram em um blindado da Polícia Militar para escapar de servidores em greve
José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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