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Eu queria ter votado no Alfredo Gulin Neto prefeito

O jovem Gulin pensa numa cidade em que criança possa pegar fruta no pé e que área verde seja sinônimo de qualidade de vida, mas infelizmente as ideias dele hoje são para poucos

Eu queria ter votado no Alfredo Gulin Neto prefeito
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Eu não conheço o Alfredo Gulin Neto, CEO da AG7 Realty, muito embora tenha escrito um perfil sobre ele em 2023. O jovem Gulin, sei, é herdeiro dos Alfredos Gulin e Gulin Filho, ambos sócios ou ex-sócios das empresas de transporte coletivo de Curitiba e do grupo familiar e econômico em que os curitibanos mais informados chamam coletivamente de "os Gulin". Mas o pouco que sei aponta que Neto é o Eduardo Pimentel que deu certo.

Ao contrário do prefeito eleito, cujo currículo contém só uma passagem pelo setor privado, no Grupo Paulo Pimentel, um empreendimento que há quase dez anos se desfez de seus principais ativos: o Canal 4 - comprado pelo Ratinho pai e transformado na Rede Massa - e a Tribuna do Paraná, hoje parte do portifólio de publicações do GRPCom, também dona da Gazeta do Povo, Neto está liderando na empresa da família seu quinto projeto. Pimentel enquanto isso ostenta no currículo menos de meia dúzia de cargos em comissão nos governos de aliados, por onde galgou primeiro a vice-prefeitura de Curitiba e agora a eleição para prefeito.

Para completar, Pimentel registra na área acadêmica um diploma de Administração pela Universidade Positivo, o que para uma pessoa comum seria uma grande conquista. Mas para alguém que é não só um Pimentel, mas também um Slaviero, é, vamos combinar, pouco. Afinal se você nasceu e cresceu estudando nas melhores escolas e tudo mais que uma vida entre os remediados representa, é de se esperar que o resultado seja, no mínimo, um currículo acadêmico um pouquinho mais robusto.

Falta também a Dudu uma visão própria da Curitiba do futuro, a que ele promete entregar em seus anos à frente da cidade. Isso porque o principal mérito dele é de incorporar uma versão menos tiozão do Rafael Greca, que deixa a prefeitura nessa segunda passagem sem nenhuma marca significativa como seus onipresentes Faróis do Saber, fruto de sua primeira gestão.

Neto, por sua vez é engenheiro civil formado pela PUC-PR e fez carreira no setor financeiro antes de desembarcar no empreendimento familiar. Mas a principal vantagem dele, acho eu, é uma visão da Curitiba do Futuro na qual daria gosto de votar. A Curitiba de Alfredo Gulin Neto, aponta a reportagem da Exame sobre o novo empreendimento da AG7, um lugar onde criança "possa pegar fruta no pé" e se molhar no lago. A Curitiba do Alfredo Neto é a que tem árvores, pomar, espaço para caminhada, corpos de água preservados e aproveitados pelas pessoas, e não canalizados abaixo do asfalto.

Com apartamentos ao preço médio de R$ 15 milhões, o empreendimento novo de Neto representa uma meta palpável a qualquer grande história de sucesso curitibano. Já imaginou, o curitibinha que começa a vida andando nos ônibus dos Gulin e chega ao ápice do sucesso ao adquirir uma "casa térrea" no prédio deles? Muito melhor que "os empreendedores do agronegócio que procuram uma segunda casa em Curitiba" ou "executivos de multinacionais" para quem a AG7 espera vender os imóveis hoje. Muito mais digno de fim de dramalhão com a mocinha exclamando "eu nunca mais passarei fome novamente" na ampla varanda, o verde do paisagismo emoldurando a cena, o barulho da cachoeira artificial ao fundo.

Aliás, suspeito que Neto tenha uma quedinha pelo cinema. Só ver o potencial cinematográfico do empreendimento AGE360 para casa de vilão da Marvel. A Curitiba do Neto é linda, ampla, ventilada. Não tem nem gente fumando e a água que sai pela torneira tem controle de qualidade (vide a matéria da Exame). Sou fã, não nego.

Mas no Ícaro Casa Térrea Neto está limitado a criar uma Curitiba do Futuro para só 38 famílias que querem ter um imóvel que parece uma casa, mas sem a inconveniência de estar no mesmo nível dos meliantes. Por lá as ideias de Neto vão se concretizar só para - considerando 4 pessoas por imóvel e 38 imóveis - 152 selecionados, com um orçamento de só algumas centenas de milhões. Coisa pequena, Neto. Você pode mais.

Então vejam só, na prefeitura ele teria R$ 12 bilhões POR ANO e 30 mil profissionais para criar um futuro para mais ou menos dois milhões de pessoas. Muito mais digno de alguém que disse em entrevista a revista QG que seu propósito é "transformar a sociedade através da criação de produtos e serviços criativos que gerem leveza, prosperidade, alegria e felicidade para quem os usa ou está próximo". Duvido que exista algum eleitor em Curitiba que não tope um projeto desse. Leveza? Sim. Prosperidade? Sim!! Alegria? Claro! Felicidade? Isso aí!

Tenho certeza que sob a gestão de Neto, a Curitiba do Futuro teria trem monotrilho de alta velocidade cruzando a cidade do Atuba ao Caximba e do São Miguel ao Cajuru. O verde se libertaria dos parques para invadir as ruas, as crianças poderiam colher maças ou maracujás no caminho para a escola, que poderiam fazer a pé ou de bicicleta em vias seguras, quase sem carros porque do porteiro ao executivo, todo mundo iria preferir o transporte coletivo.

Mas se Neto achar que não vale a pena deixar o trabalho na iniciativa privada em nome do serviço público, tenho um último argumento matador: já imaginou o quanto o portifólio imobiliário da família iria valorizar se no entorno do Age360 e o Ícaro Casa Térrea no Ecoville não houvessem as ocupações Bom Menino e Vila Santa Rita e mais? A prefeitura de Curitiba tem centenas de imóveis na cidade toda. Neto pode dar vida a todas suas ideias: bosques, escolas com pé direito generoso, janelões amplos, ventilação natural, lago para a educação física ser stand up paddle ou remo. Hospitais com leitos com vista para os jardins de inverno.

Eu sei que parte da atração por projetos como o Ícaro Casa Térrea é justamente a exclusividade. Não é para qualquer bolso, não cansam de comentar alguns nas redes sociais do Plural quando noticiamos o projeto. Mas o próprio Neto diz estar olhando para fora, São Paulo e Camboriú, para poder abrir as asas já que Curitiba tem lá seu limite para empreendimentos milionários. Veja, querido Neto, São Paulo é legal e tals, mas é muito mais fácil recuperar o Barigui que o Tietê. Já imaginou ter milhares de metros quadrados de imóveis de alto padrão de frente pro Sena depois da recuperação? E por aqui vocês já compraram na baixa. Depois de implementar todas suas ideias será hora de vender na alta e se aposentar antes dos 40.

Vai que é tua, Neto! Chega de intermediários.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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