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Feminismo e resistência: Filmes de Jocelyne Saab estão no Olhar de Cinema

Festival exibe “As Mulheres Palestinas” (1974) e “Era Uma Vez Beirute” (1994), obras da cineasta precursora do novo cinema libanês dos anos 70

Feminismo e resistência: Filmes de Jocelyne Saab estão no Olhar de Cinema
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O 13ª Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, na Mostra Olhares Clássicos, exibe um curta-metragem e um longa de Jocelyne Saab (1948–2019). As obras “As Mulheres Palestinas” (1974) e “Era Uma Vez Beirute” (1994) mostram um breve panorama da produção da jornalista e repórter de guerra que se tornou precursora do novo cinema libanês dos anos 70 e referência no gênero de resistência.

A importância da cineasta nasce da ousadia de levar para as telas um mundo refém de guerras – com o olhar de uma mulher sobre mulheres, além do registro histórico de conflitos que duram até hoje entre Israel e Palestina. (Vale destacar que o diretor de "Retrato de Um Certo Oriente", Marcelo Gomes, encerrou seu discurso na abertura do festival (12) pedindo "urgentemente o cessar fogo em Gaza.")

Sessões

As exibições dos filmes são juntas, em duas sessões: no dia 13, às 17h15; e no dia 15, às 14h50, no Cine Passeio. 

“As Mulheres Palestinas” (Dir. Jocelyne Saab | Líbano | 1974 | 16’)

Sinopse: “Entre o céu e os aviões, não sabemos onde estão as pessoas”. A mulher que fala isso parece estar em meio a uma montanha. Ao seu lado, uma metralhadora. Os aviões de que ela fala são as máquinas bélicas do estado de Israel. No território colonizado da Palestina, a luta armada das mulheres se torna central a uma formação política. O filme de Saab, parte de uma série de outras curtas dela documentando as ofensivas de Israel tanto na Palestina quanto no Líbano, conversa com várias dessas mulheres para entender os pontos de encontro entre a resistência, a educação formal e a luta armada pela defesa do território.

“Era Uma Vez Beirute” (Dir. Jocelyne Saab | Líbano | 1994 | 104’) 

Sinopse: Yasmine e Leila são duas jovens de uma geração que nasceu dentro da guerra. Aos 20 anos, elas decidem fazer uma visita a um famoso colecionador de cinema e arquivista, e nesse encontro descobrem um Líbano que elas nunca tinham conhecido. Com um roteiro escrito pela própria Jocelyne Saab, ao lado de Philippe Paringaux e Roland Paringaux, o longa faz parte de uma categoria muito especial de filmes que falam sobre cinema e, ao falar do cinema, falam da vida. No resgate de um universo cinematográfico prolífico, a projeção de filmes para Yasmine e Leila se torna uma forma de refazer uma relação com a cidade-ruína que elas aprenderam a habitar.

Leia também sobre cineastas paranaenses no Olhar de Cinema: Filme “Quarto vazio” habitava a cabeça de Julia Vidal há muito tempo

Cineasta Jocelyne Saab 

A cineasta nasceu em 1948, no Líbano, e iniciou sua trajetória no cinema durante a Guerra Civil Libanesa. Nesse período, Saab dirigiu cerca de 30 documentários. A partir dos anos 1980, investe em experiências com a ficção, dirigindo roteiros em que elementos ficcionais se fundem ao documental. Ganhou prêmios nos festivais de Oberhausen e Valladolid, e sua última obra foi filme Dunia (2005), filmado no Egito e alvo de censuras por abordar um tema tabu no mundo árabe, a mutilação da genitália feminina e o desejo da mulher. Ela também foi professora de cinema, se dedicou à preservação de arquivos e apoiou a reconstrução da Cinemateca do Líbano. Faleceu em 2029, na cidade de Paris-FR, aos 70 anos de idade.

13º Olhar de Cinema – De 12 a 20 de junho

A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba exibe produções para as crianças, estreias nacionais e internacionais, obras de cineastas paranaenses e filmes clássicos, no Cine Passeio (R. Riachuelo, 410 – Centro); Cinemark Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127, Centro) e no Teatro da Vila (R. Davi Xavier da Silva, 451, Cidade Industrial de Curitiba). A exibição especial de abertura é dia 12 de junho, na Ópera de Arame (R. João Gava, 920, bairro Abranches).

Os ingressos estão à venda no site oficial do evento com valores a partir de R$8 (meia-entrada). Todas as sessões no Teatro da Vila são gratuitas.

Os curtas-metragens brasileiros em exibição no festival também poderão ser assistidos gratuitamente, de 18 de junho a 7 de julho, na plataforma de streaming Itaú Cultural Play.

Programação completa e outras informações aqui, e também nas redes sociais oficiais do evento: Instagram @olhardecinema e Facebook.com.br/Olhardecinema. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição.

A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é realizada por meio do programa de apoio e incentivo à cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, sendo também o projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, e pelo Ministério da Cultura – Governo Federal, com patrocínio do Itaú e Peróxidos do Brasil, apoio do Instituto de Oncologia do Paraná, Sanepar, Cimento Itambé, Favretto Mídia Exterior, e apoio cultural de Projeto Paradiso, Cine Passeio, Instituto Curitiba de Arte e Cultura. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição. A produção é da Grafo Audiovisual.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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