A presença do cônsul da Rússia na cerimônia de abertura do Festival Folclórico e de Etnias do Paraná causou revolta em grupos de folclore que representam a comunidade ucraniana. A Rússia invadiu a Ucrânia em 2022 e há mais de dois anos mantém uma guerra contra o país vizinho considerada injusta pela maior parte da comunidade internacional.
Os grupos Poltava e Barvinok dizem que o convite a um representante da Rússia (que segundo eles teria sido inclusive homenageado na cerimônia do Tratro Guaíra) ignora o contexto da guerra e soa como uma afronta para o povo ucraniano. Os grupos se manifestaram publicamente sobre o assunto nas redes sociais.
“Tal gesto, em um evento que celebra o respeito entre os povos, ignora o contexto atual de guerra, destruição e sofrimento enfrentado pelo povo ucraniano desde a invasão russa à Ucrânia em 2014, e em grande escala em 2022“, diz o post publicado pelos grupos.
"Homenagear um representante oficial de um país agressor, justamente em um festival que deveria ser símbolo de união entre os povos, é um ato insensível, ofensivo e absolutamente desrespeitoso com a história, a dor e a resistência do povo ucraniano", afirma o texto.
Os dois grupos ucranianos estão entre os mais importante do folclore local e representam grande parte da comunidade de descendentes de ucranianos que vivem ao Paraná.
A manifestação dos grupos obrigou a associação que promove o festival, a Aintepar, a publicar uma resposta explicando sua posição ao convidar o cônsul russo.
“Os cônsules presentes no Grande Auditório do Teatro Guaíra foram protocolarmente nomeados, seguindo os precedentes dos anos anteriores. Este procedimento está em conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, incorporada ao direito brasileiro pelo Decreto nº 61.078/1967, que prevê a participação de representantes consulares em eventos públicos após a devida aprovação do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Reafirmamos que essa presença em nenhum momento representou apoio ou concordância com as ações da Rússia no cenário internacional“, afirmou a associação.
A associação também elogiou os grupos ucranianos. “Os Grupos Ucranianos Barvinok e Poltava são fundamentais para nossa Associação, e a Diretoria da AINTEPAR tem profundo reconhecimento pela luta do povo ucraniano em defesa de sua soberania contra a invasão russa. A AINTEPAR apoiou desde o primeiro momento a Ucrânia e os ucranianos neste período de conflito. Estaremos sempre ao lado de nossos grupos filiados e de suas comunidades. A AINTEPAR sempre prezou pela diversidade cultural e pelo diálogo pacífico, e reafirmamos nosso apoio à soberania e à resistência do povo ucraniano”, diz a nota.