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Assassino de Marcelo Arruda, Jorge Guaranho vai a júri popular

Bolsonarista assassinou petista no dia do aniversário de 50 anos da vítima

Assassino de Marcelo Arruda, Jorge Guaranho vai a júri popular
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O juiz Gustavo Germano Francisco Arguello determinou que o policial penal Jorge José da Rocha Guaranho vá à júri popular por assassinar o tesoureiro do PT de Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda, no dia da festa de 50 anos da vítima. Cabe recurso da decisão

O crime aconteceu em 9 de julho deste ano. Guaranho, que é bolsonarista, teve acesso às imagens das câmeras da Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu (Aresf), onde Arruda comemorava aniversário com amigos.

O tema da festa era alusivo ao PT e ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O assassino viu a decoração por meio do celular de Marcio Jacob Muller Murback, quando ambos estavam em uma confraternização na Associação dos Empregados da Itaipu Binacional Brasil.

De lá, Guaranho saiu com a família e invadiu a festa de Arruda. O aparelho de som do carro tocava músicas de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) para provocar a vítima.

Houve uma discussão entre eles e Arruda jogou terra contra o carro do assassino, além de pedir para ele deixar o local, porque se tratava de uma festa particular. Guaranho deixou a Aresf, mas antes disso mostrou uma arma e falou que voltaria.

Neste ínterim Arruda, que era guarda municipal, foi até o carro e pegou sua arma. Quando o assassino retornou, gritava “aqui é mito” e dizia que “petista tinha que morrer” antes de atirar contra a vítima, que revidou e conseguiu atingir o criminoso.

Mérito

Os autos acusam Guaranho de homicídio e qualificam o crime por motivo fútil. “Ora, tais circunstâncias indicam particular gravidade ao delito de homicídio que extrapola a ordinária reprovabilidade contida no tipo penal, notadamente considerando que a multiplicidade de disparos em local de confraternização pode indicar audácia do agente e desconsideração com a vida de vítimas secundárias, a demonstrar particular desprezo com o bem vida”, diz a decisão do magistrado.

A defesa do acusado chegou a pedir que ele aguardasse os trâmites judiciais em liberdade, mas Arguello negou o pedido entendendo que “não houve modificação do cenário fático-jurídico” no andamento do processo.

Violência política

Nas redes sociais Guaranho mantinha diversas fotos alusivas às armas e mensagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

O próprio presidente, em 2018, disse “vamos fuzilar a petralhada”, durante um evento no Acre. Ele ainda usou um tripé de câmera para simular uma arma.

Os casos de ataques por motivação política cresceram neste ano. Até o fim de outubro deste ano, segundo levantamento do Plural, houve 23 casos de bolsonaristas agredindo petistas e 3 de petistas agredindo bolsonaristas.

Em Curitiba também houve casos de ameaças envolvendo estudantes de escolas particulares e universitários.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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