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Ataque a religiões afro durante Carnaval de rua é denunciado à polícia em Foz

Homem grava e divulga vídeo com ofensas durante programação cultural dedicada a manifestações de matriz africana na Avenida Brasil

Ataque a religiões afro durante Carnaval de rua é denunciado à polícia em Foz
Blocos, afoxés e maracatus de matriz africana marcaram a 4ª edição do Carnaval da Brasil, em Foz do Iguaçu. Foto: Carlos Franco
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Um vídeo com ofensas a religiões de matriz africana, gravado e publicado durante a programação do Carnaval da Brasil, em Foz do Iguaçu, foi denunciado à Polícia Civil como possível crime de discriminação religiosa. A representação foi protocolada nesta sexta-feira (20) pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), na 6ª Subdivisão Policial do município.

Segundo a denúncia, o autor registrou apresentações realizadas na Avenida Brasil, no centro da cidade, e divulgou o vídeo em seu perfil no Facebook no dia 15 de fevereiro. Até o dia 18, a publicação somava 25,8 mil visualizações e 249 curtidas, números citados na peça como indicativos do alcance e do potencial de dano coletivo.

No vídeo, o homem afirma que “não tem porra de carnaval nenhum”, chama a apresentação de “centro de macumba” e diz que “carnaval é marchinha”, antes de usar expressões ofensivas para desqualificar as manifestações culturais e religiosas exibidas na avenida.

Assinada por Maria José de Souza El Saad, presidente do COMPIR, a denúncia sustenta que o conteúdo ultrapassa crítica cultural ao desqualificar práticas religiosas afro-brasileiras, reforçar estigmas históricos e atingir uma coletividade protegida por lei.

O enquadramento jurídico indicado é o artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que tipifica crimes de discriminação por motivo de religião, com agravamento de pena quando a conduta ocorre por meio digital e no contexto de atividade cultural aberta ao público.

Repercussão

Após a divulgação do vídeo, blocos e coletivos culturais do Carnaval da Brasil tornaram públicas manifestações de repúdio. Idealizador e organizador da festa, Clóvis Quadros afirmou que o episódio revela ignorância e desconhecimento religioso. Segundo ele, divergências de crença não podem servir de veto a manifestações culturais no espaço público. “O papel da cultura e da arte sempre foi provocar e dar espaço a expressões que nem sempre são bem recebidas”, disse. Para o organizador, atitudes desse tipo não podem ser aceitas nem normalizadas.

Grupos ligados a afoxés e maracatus também classificaram o episódio como intolerância religiosa e racismo religioso, destacando o papel central das expressões afro-brasileiras na formação cultural do Carnaval e na ocupação histórica do espaço público.

O Pisêres de Embaúba, coletivo musical de cultura popular que se apresentava no momento da gravação, afirmou que o ataque atingiu diretamente os grupos culturais presentes no evento. Em nota, declarou que o vídeo traz “palavras de ódio direcionadas às religiões de matriz africana” e desrespeita “os coletivos que constroem, com trabalho contínuo, a cultura popular da cidade”.

O Carnaval da Brasil chegou em 2026 à quarta edição, consolidado como iniciativa popular de resgate do carnaval de rua e valorização da cultura afro-brasileira em Foz do Iguaçu. No domingo em que o vídeo foi gravado, a programação reuniu afoxés, maracatus e blocos e foi encerrada com o desfile da Mocidade Unida do Porto Meira, única escola de samba ativa da cidade.

Procurado pela reportagem por meio da mesma rede social em que divulgou o vídeo, o autor não respondeu aos pedidos de contato até a publicação desta edição.

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