Pular para o conteúdo

Descumprimento de medida protetiva sobe 43% em Foz e expõe pressão sobre a rede de proteção

Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher recebeu 1.765 pedidos de medida protetiva em 2024 e atingiu recorde em 2025, com 1.977 casos

Descumprimento de medida protetiva sobe 43% em Foz e expõe pressão sobre a rede de proteção
Publicado:

Foz do Iguaçu - O número de registros de descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) em Foz do Iguaçu subiu 43,49% em um ano, de acordo com dados oficiais do CAPE/SESP-PR. Foram 269 registros em 2024 e 386 em 2025.

A elevação aparece no mesmo recorte em que o CAPE aponta 2.640 ocorrências de violência doméstica com vítima mulher em 2024 e 2.590 em 2025.

No Judiciário, a procura por proteção também avançou. O Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher recebeu 1.765 pedidos de medida protetiva em 2024 e atingiu recorde em 2025, com 1.977, conforme relatório estatístico atualizado da unidade.

A delegada-chefe da Delegacia da Mulher de Foz do Iguaçu, Giovana Antonucci, atribui o salto no descumprimento principalmente à ampliação da fiscalização e à formalização dessas violações. “Houve uma melhora significativa na fiscalização das medidas protetivas de urgência”, declarou, ao relacionar o cenário à atuação das patrulhas Maria da Penha e ao aumento de registros. Para ela, “é uma melhora no registro e na fiscalização”.

Flagrante depende do tempo de resposta, diz delegada

De acordo com Antonucci, o desfecho de um descumprimento de MPU depende do enquadramento legal e do tempo de resposta por parte das equipes de segurança. “Só há hipóteses de fazer a prisão em flagrante se a situação for recente”, explicou. Ela relatou que, em parte dos casos, a vítima aciona as forças de segurança, mas o agressor deixa o local antes do atendimento. “A vítima acionou a PM, a Guarda Municipal, só que o autor agressor se evadiu do local”, afirmou.

Sem flagrante, a delegada aponta que a violação é registrada e comunicada ao Judiciário, além da instauração do procedimento policial pelo crime de descumprimento. “Encaminhamos ao Judiciário”, disse. Na rotina local, descreveu o escalonamento de resposta ao infrator. “Primeiro tornozeleira eletrônica, depois prisão preventiva do agressor”.

Antonucci afirmou ainda que o aumento dos descumprimentos das MPUs, por si só, não indica piora na resposta institucional. Como referência, citou um dado que, conforme ela, é acompanhado pela rede de atendimento: “Desde 2017, não se tem nenhuma mulher com medida protetiva vigente vítima de feminicídio”.

Patrulha Maria da Penha

O juiz Ariel Nicolai Cesa Dias, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Foz do Iguaçu, também relacionou a alta ao crescimento da procura por proteção e ao incentivo ao registro das ocorrências. “Eu tenho a percepção que esse aumento de descumprimento acontece exatamente pelo incentivo ao registro”, declarou.

O magistrado apontou ainda limites operacionais no atendimento em campo. Ele citou situações em que a vítima aciona as autoridades ao perceber a violação, mas o agressor já não está no local quando a equipe chega. “Muitas vezes é questão de minutos para a pessoa se evadir”, afirmou.

Na avaliação do juiz, o tempo entre o chamado e a chegada das patrulhas costuma definir o resultado da resposta em campo. Ele defendeu reforço de estrutura e efetivo. “A gente precisa, sim, de mais estrutura, de mais equipes. Tem a Patrulha Maria da Penha da Guarda e a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, mas são equipes reduzidas. A gente precisa de mais viaturas e mais agentes para ter uma resposta mais eficaz”.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

Todos os artigos

Mais em Foz do Iguaçu

Ver todos

Mais de Rogerio Galindo

Ver todos

De nossos parceiros