Ao abrir a sessão plenária da 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados, realizada neste sábado (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou Foz do Iguaçu como referência histórica da integração regional e afirmou que o município ocupa papel central na formação política do bloco.
O encontro foi realizado no Parque Nacional do Iguaçu, com vista às Cataratas, um dos principais pontos turísticos da América Latina.
“É uma alegria receber vocês em Foz do Iguaçu. Esta cidade é especial”, destacou Lula ao justificar a escolha da cidade para marcar o encerramento da presidência pro tempore brasileira do Mercosul. Segundo ele, foi ali que, há quatro décadas, líderes sul-americanos deram passos decisivos para a aproximação entre Brasil e Argentina, processo que culminaria na criação da aliança.
No discurso, o presidente mencionou a Declaração do Iguaçu, assinada em 1985 pelos então presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín, como um dos marcos políticos que pavimentaram o caminho institucional do Mercosul. Para Lula, o documento simbolizou a opção pela cooperação regional em um cenário internacional ainda marcado por rivalidades e desconfianças.
Ao relacionar passado e presente, o presidente recorreu a uma metáfora para reforçar a defesa da integração. “Em um mundo em que erguer muros parece mais fácil do que construir pontes, esse exemplo merece ser lembrado”, disse, ao associar a trajetória de Foz à necessidade de fortalecer o multilateralismo e o diálogo entre países vizinhos.
A cúpula reuniu os presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do Uruguai, Yamandú Orsi, além de Lula. A Bolívia, que se tornou Estado Parte do Mercosul em agosto de 2024, participou por meio do chanceler Fernando Aramayo Carrasco, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Ponte da Integração
Lula também citou a Ponte da Integração Brasil–Paraguai, inaugurada na sexta-feira (19), como expressão contemporânea desse projeto político. A estrutura liga Foz do Iguaçu (PR) a Presidente Franco, no Paraguai, e foi financiada integralmente com recursos da margem brasileira da Itaipu Binacional.
Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2005, a obra recebeu investimento total de R$ 712 milhões. Segundo o presidente, a ponte materializa a continuidade da lógica de cooperação defendida desde a origem do Mercosul ao facilitar a circulação de pessoas e mercadorias em uma das regiões de fronteira mais dinâmicas da América do Sul, com potencial para movimentar bilhões de dólares entre as economias brasileira e paraguaia.
A cúpula marcou o fim da presidência brasileira do Mercosul, exercida desde julho. De acordo com Lula, o semestre foi dedicado ao fortalecimento da integração regional, à ampliação da agenda comercial do bloco e à condução de negociações internacionais estratégicas.
A partir de janeiro, o comando do Mercosul passa ao Paraguai, sob a presidência de Santiago Peña. Ao mencionar a transição, o presidente afirmou que a reunião em Foz simboliza o início de uma nova etapa para o bloco, que deverá manter a integração regional e o desenvolvimento econômico como eixos centrais.
Ao encerrar o discurso, Lula também relacionou o simbolismo de Foz do Iguaçu ao momento das negociações internacionais do bloco, em especial o acordo com a União Europeia. “Não é por acaso que estamos aqui em Foz do Iguaçu. Queremos mostrar ao mundo que a integração regional é parte da solução, inclusive para ampliar acordos comerciais como o que estamos negociando com a União Europeia”, concluiu.