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Ponte da Integração opera com restrições uma semana após inauguração

Atrasos em obras no Paraguai e pendências aduaneiras mantêm tráfego limitado; hoje, passagem ocorre apenas para caminhões vazios, em horário noturno

Ponte da Integração opera com restrições uma semana após inauguração
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Uma semana após a inauguração oficial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco (PY), opera com restrições e ainda distante da promessa de aliviar o fluxo intenso da fronteira. A combinação de obras viárias inacabadas no Paraguai e pendências operacionais nas aduanas impede a circulação regular de cargas e limita o uso da nova travessia.

A inauguração ocorreu em etapas e em datas distintas pelos governos dos dois países. No dia 19 de dezembro, Lula participou da cerimônia de entrega do complexo aduaneiro brasileiro. A liberação do tráfego, porém, foi definida de forma gradual, condicionada a acordos técnicos binacionais e à situação da infraestrutura de acesso no Paraguai.

Atualmente, a ponte funciona em regime provisório. Estão autorizados apenas caminhões vazios, exclusivamente no período noturno, das 22h às 5h. A restrição de horário foi adotada para reduzir o impacto viário em Presidente Franco, já que, sem um corredor rodoviário concluído, os veículos precisam atravessar áreas urbanas da cidade paraguaia.

O principal gargalo está no Paraguai. O Corredor Metropolitano del Este, conjunto de cerca de 30 quilômetros de rodovias projetado para conectar a ponte a municípios estratégicos da região de Ciudad del Este, permanece incompleto.

O trecho mais crítico é a ponte sobre o rio Monday, obra considerada essencial para desviar o tráfego pesado das áreas urbanas. De acordo com cronogramas oficiais, a conclusão está prevista apenas para o fim de 2026 ou início de 2027, o que inviabiliza, por ora, a passagem de caminhões carregados pela nova travessia.

Enquanto o corredor não é finalizado, os caminhões vazios são obrigados a circular por avenidas urbanas de Presidente Franco. Nos primeiros dias de operação, foram registrados episódios de desorganização no tráfego, formação de filas em pontos inadequados e incidentes envolvendo fiação aérea e galhos de árvores, que provocaram interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica e de serviços de telecomunicações.

Do lado brasileiro, a operação também ocorre de forma parcial. A aduana da Ponte da Integração foi recebida provisoriamente pela Receita Federal, que identificou inconformidades técnicas em vistorias, como falhas elétricas e problemas de acabamento.

Segundo o órgão, as irregularidades não impedem o funcionamento, mas exigem correções pela construtora responsável. Já a aduana da Ponte Tancredo Neves, na ligação com a Argentina, ainda não foi concluída, o que restringe o uso da nova ponte praticamente ao eixo Brasil–Paraguai.

O cronograma de ampliação do funcionamento segue condicionado à evolução das obras e a decisões administrativas conjuntas. A partir de janeiro, está prevista a liberação da passagem de ônibus de turismo fretados, também em horário noturno. A eventual autorização para veículos de passeio, motocicletas e pedestres deverá ser discutida apenas em março de 2026, no âmbito da Comissão Mista Brasil–Paraguai.

Com 760 metros de extensão e vão livre de 470 metros, o maior da América do Sul, a Ponte da Integração foi projetada para desafogar a Ponte da Amizade, por onde circulam diariamente cerca de 45 mil veículos e 100 mil pessoas. Por enquanto, porém, a nova estrutura opera abaixo de sua capacidade e depende da conclusão de obras complementares para cumprir o papel logístico e urbano para o qual foi concebida.

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