A Secretaria de Estado da Educação (Seed) divulgou a lista com as 50 escolas estaduais que poderão ser transformadas em colégios cívico-miliares, modelo abandonado pelo governo federal e contestado na Justiça. O edital 125/2025 da Seed define que a consulta à comunidade será nos dias 17 e 18 de novembro. O documento é assinado por Roni Miranda, o secretário da Educação que diz valorizar professoras e professores que trabalham doentes (veja alista abaixo).
Atualmente o Paraná tem 312 colégios cívico-militares. Se todas aderirem na consulta deste mês o Estado passará a ter 362 colégios em que policiais militares ganham mais que professores. Segundo a APP-Sindicato, os policiais contratados para atuar como monitores ganham R$ 5,5 mil por mês, enquanto o piso do magistério é de R$ 4,9 mil para jornadas de 40 horas de trabalho semanal.
"De públicas essas consultas têm muito pouco, considerando que as convocações são tímidas e o governo cria todo tipo de restrição para impedir o diálogo dos setores contrários com a comunidade escolar", criticou o deputado federal Tadeu Veneri (PT). "E mesmo quando o resultado é pela rejeição, o governo dá um jeito de repetir o processo até conseguir o resultado que deseja que é uma educação baseada na repressão e obediência".
A expansão do modelo é possível porque a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou um projeto do governo para permitir que escolas de tempo integral sejam incluídas no programa e passem a obrigar alunos a cortarem o cabelo. Submissos ao Executivo, deputados e deputadas da base de apoio a Ratinho preferiram ignorar duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) que estão sendo analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma ADI argumenta que a lei aprovada em 2020 no Estado é inconstitucional. Outra questiona o uso de recursos da educação para pagar o salário de policiais militares no Estado de São Paulo. Se o modelo for declarado inconstitucional, o governo do Paraná será obrigado a enterrar o modelo.

Criados em 2020 no Paraná, até agora os colégios cívico-militares não deram nenhuma prova de avanço pedagógico. Das sete escolas estaduais do Estado com as melhores notas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), só duas são militarizadas. Os estabelecimentos ainda têm denúncias de assédio, agressões e abusos que não foram esclarecidos pela Seed.
A falta de resultados educacionais claros mostra que o modelo é um projeto ideológico do governo e de deputados de extrema direita. Além de desvalorizar educadores, a militarização permite que filhos de pobres sejam constantemente vigiados por militares, enquanto os filhos do governador estudam em uma escola particular de alto nível.

Das 50 escolas selecionadas, 11 ficam em Curitiba e as demais em Apucarana, Sabáudia, Arapongas, Engenheiro Beltrão, Cafelândia, Cascavel, Vera Cruz do Oeste, Japurá, São Tomé, Assaí, Dois Vizinhos, Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, Marmeleiro, Guarapuava (duas), Ivaiporã, Joaquim Távora, Abatiá, Laranjeiras do Sul, Loanda, Itaúna do Sul, Paiçandu, Maringá, Lobato, Antonina, Guaratuba, Paranaguá (três), Pontal do Paraná, Nova Esperança, Ponta Grossa (quatro), Toledo, Umuarama e Pérola. Veja a lista no edital da Seed: