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Governo Ratinho vai comprar blindado que lança água para dispersar multidões e 93 cães farejadores

Secretaria afirma que "grupos radicais têm adotado táticas agressivas, como a destruição de símbolos capitalistas e confrontos diretos com as forças policiais"

Governo Ratinho vai comprar blindado que lança água para dispersar multidões e 93 cães farejadores
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A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) publicou dois editais, no valor total máximo de R$ 9.626.160, para a aquisição de 93 cães farejadores e de um Veículo Lançador de Água (VLA) para o Batalhão de Polícia de Choque da Polícia Militar. Os dois pregões eletrônicos serão realizados ainda neste mês,

O pregão para a compra do blindado lançador de água prevê um preço máximo de R$ 4.338.160, o equivalente a U$ 844.000, e será realizado no próximo dia 13. Na justificativa para a aquisição, a Sesp afirma que o equipamento "representa uma necessidade essencial para modernizar os recursos do Batalhão de Polícia de Choque". "Diante do cenário atual de manifestações violentas e distúrbios civis, torna-se imprescindível a aquisição de um Veículo Lançador de Água (VLA) para atender às demandas de enfrentamento dessas situações", afirma o edital.

Segundo a justificativa, o número de manifestações populares vem crescendo desde 2013 e "grupos radicais têm adotado táticas agressivas, como a destruição de símbolos capitalistas e confrontos diretos com as forças policiais, colocando em risco a integridade física dos profissionais de segurança". A Sesp afirma ainda que "a atuação desses grupos violentos envolve o uso de artefatos pirotécnicos, coquetéis molotovs e a construção de barricadas com materiais perigosos, criando um ambiente hostil e perigoso para a tropa de choque".

O veículo deverá ter autonomia de 500 quilômetros e capacidade para armazenar 60 litros de gás lacrimogêneo, 100 litros de espuma, 60 litros de corante e um sistema de canhão de água com capacidade para disparar 1,2 mil litros por segundo. O edital diz ainda que o veículo deve oferecer uma "variedade de disparo de misturas: simples água, água com líquido gerador de espuma, água misturada com gás lacrimogêneo, água misturada com tinta corante ou água misturada com gás lacrimogêneo e tinta corante em conjunto".

A assessoria da Sesp informou que atualmente a PM conta com apenas um veículo lançador de água, utilizado para dispensar tumultos sem uso de força letal. “A Secretaria da Segurança Pública do Paraná informa que a Polícia Militar do Paraná conta com um Veículo Lançador de Água. Ele é utilizado como equipamento de menor potencial ofensivo para dispersar pessoas em manifestações e distúrbios civis, como por exemplo de brigas de torcidas organizadas e operações de reintegração de posse”, diz a nota enviada pela Secretaria.

Bombardeados sem molotov

Apesar da justificativa da Sesp para a compra do blindado, as últimas grandes manifestações políticas que terminaram com violência registradas no estado foram na década passada. Em 29 de abril de 2015, durante o governo de Beto Richa (PSDB), a Polícia Militar disparou balas de borracha e jogou bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes contrários ao projeto que alterava o sistema de previdência dos servidores estaduais, que protestavam na frente da Assembleia Legislativa do Paraná. Não há registro de manifestantes com coquetéis molotov ou que tenham construído barricadas. O episódio ficou conhecido como "Massacre do Centro Cívico".

Outro episódio ocorreu na prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 7 de abril de 2018. Nenhum dos apoiadores de Lula portava coquetéis molotov ou construíram barricadas, mas os manifestantes foram dispersados por bombas de gás lacrimogêneo pela PM, que fazia a segurança na sede da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, assim que o helicóptero com Lula pousou no local. Já os manifestantes que pediam a prisão de Lula, que estavam do outro lado do prédio, foram poupados.

Cães farejadores

A licitação para a compra dos cães terá um valor máximo de R$ 5.288.000 e o pregão está marcado para o próximo dia 24. Os valores unitários máximos por animal variam de R$ 30 mil a R$ 72.500 e o julgamento das propostas será realizado de acordo com critério de menor preço.

O edital traz as especificações dos animais: 13 cães de faro para entorpecentes, com idade entre 12 e 36 meses, no valor unitário máximo de R$ 57.500; 29 machos com idade entre 20 e 36 meses, com valor máximo de R$ 60 mil; dez machos com idade entre 12 e 20 meses e dez fêmeas da mesma faixa etária, por R$ 60 mil cada; cinco cães adultos para proteção (R$ 57.500 cada); oito cães filhotes para faro e proteção (R$ 46.500); um animal de faro para detecção de manchas de sangue (R$ 72.500); sete filhotes entre 3 e 5 meses (R$ 30 mil) e dois cães de faro para detecção de cadáveres humanos (R$ 70 mil cada).

A Sesp especificou as raças que poderão ser adquiridas para cada categoria (pastores alemão, belga e holandês, os bracos alemão, húngaro, de avergne e francês, retriever do labrador, beagle, bloodhound, border collie, weimaranar, blue heeler e red heele).

Os animais deverão ser identificados com microchip e os fornecedores precisarão apresentar atestados de saúde dez dias antes da entrega, atestando que os cães não apresentam sinais de doenças infectocontagiosas e parasitárias, que estão livres de miíases e aptos para viagem. Todos os animais devem estar vacinados.

A Sesp informou que conta com um efetivo de cerca de 200 cães em todas as regiões do Estado e em todas as corporações. Os animais atuam em conjunto com membros Polícia Militar (Batalhão de Polícia de Choque e Batalhão de Polícia Rodoviária), Corpo de Bombeiros e em operações da Polícia Científica, Polícia Penal e Polícia Civil. No Corpo de Bombeiros, eles atuam em conjunto ao Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost).

Segundo a Secretaria, os cães apoiam policiais e bombeiros paranaenses em ações de detecção de drogas e explosivos, fiscalizações de veículos, salvamentos em desastres e busca por pessoas desaparecidas. Os animais também atuam em operações de controle de multidões e patrulhamento.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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