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Gustavo Magalhães expõe “A Pele da Pintura” no MUMA

Artista radicado em Curitiba mergulha na relação entre pintura, corpo e racialidade

Gustavo Magalhães expõe “A Pele da Pintura” no MUMA
Gustavo Magalhães. Foto: Mariana Pajuaba/Divulgação.Gustavo Magalhães. Foto: Mariana Pajuaba/Divulgação.
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Após uma temporada de sucesso com a curadoria FUSÃO na Caixa Cultural de Curitiba e em outras capitais do país, o artista visual Gustavo Magalhães lança sua nova exposição, intitulada “A Pele da Pintura”, a partir deste sábado (15), na Sala Célia Lazarotto do Museu Municipal de Arte (MUMA). A mostra, que reúne 22 obras inéditas, ficará em cartaz até 18 de maio.

Nesta nova curadoria, organizada pela Fabrícia Jordão, Magalhães aprofunda sua investigação sobre pintura e racialidade, tema que desenvolve desde 2019 em suas pesquisas de mestrado em Artes Visuais pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Além de explorar a materialidade da tinta, o artista também propõe uma reflexão sobre o corpo na pintura e as questões históricas e raciais brasileiras.

Diferente de sua série anterior, FUSÃO, em que unia madeiras encontradas em espaços públicos a imagens das redes sociais, o artista agora se concentra na pintura como um objeto autônomo em telas convencionais, explorando o manejo artesanal dessas peças. Gustavo destaca que “A Pele da Pintura” busca aproximar a pintura do corpo, indo além da imagem superficial sobre tela ou de outros suportes. 

De acordo com o artista, no processo de secagem da pintura, a camada externa da tinta oxidou primeiro, criando uma divisão entre uma superfície rígida e uma interna — fresca e maleável. Essa mescla das tintas permitiu experimentações com texturas de corpos. "Não estou pensando que a pele que rompo é a pele de um corpo humano, mas sim a pele da pintura, que é um corpo em si", explica Magalhães.

Além das questões visuais, o artista convida o público a refletir sobre as complexidades da identidade racial no Brasil. A questão da mestiçagem, tanto em sua prática artística quanto em sua identidade pessoal, é vista como um tema crucial na base e composição do seu trabalho. Parte dessa abordagem está no autorretrato, que, assim como em FUSÃO, é utilizado como uma via de diálogo entre o pintor, a arte e o público. 

"Quando estou ali na exposição, não estou apenas de corpo presente, mas minha imagem e o tempo de vida que levei para criar essas pinturas também estão ali", afirma. E complementa: "Me colocar dentro do problema das pinturas amadurece o debate. Assim, eu não estou apenas observando de fora, mas participando ativamente."

Magalhães trata a mestiçagem como um conceito abstrato e não como uma performance identitária obrigatória. Em sua visão, a miscigenação não apenas marca a identidade cultural brasileira, mas também se reflete na própria prática da pintura. Para ele, a pintura e a mistura de cores se tornam uma metáfora dessa diversidade, evidenciando a ampla gama de tonalidades de pele presentes no Brasil.

"A pele da pintura (sem título ou pardo)" (2025), óleo e cera de abelha sobre tela montada em painel de madeira e preparada com gesso tradicional. Foto: Rafael Dabul.

Sobre o artista

Natural de Goioerê (PR), Gustavo Magalhães mudou-se para Curitiba para cursar Licenciatura em Artes Visuais na Unespar. Sua prática artística investiga a materialidade da pintura e a ressignificação de imagens, estabelecendo diálogos com a historiografia da arte, seus cânones e signos.

Em 2023, realizou sua primeira exposição individual, “Ateliê Aberto”, transformando seu apartamento em um espaço expositivo efêmero. No mesmo ano, apresentou sua segunda mostra solo, “O Irretratável”, com curadoria de Rafael Rodrigues, na Soma Galeria. 

No ano seguinte, sua terceira exposição individual, “FUSÃO”, com curadoria de Ayala Prazeres, foi selecionada para o Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural, circulando por Rio de Janeiro, Recife, São Paulo e Curitiba. Seus trabalhos integram acervos de museus públicos, como o Museu de Arte do Rio e o Museu Paranaense.

Serviço

Exposição “A Pele da Pintura”  

Local: Sala Célia Lazarotto do Museu Municipal de Arte (MUMA)  

Endereço: Av. República Argentina, 3430. Portão. Curitiba - PR  

Abertura: 15 de março

Visitação: Até 18 de maio  

Horário: Terça a domingo, das 10h às 19h  

Entrada gratuita

Eric Rodrigues

Eric Rodrigues

Repórter, fotojornalista e documentarista. Jornalista e mestrando de comunicação pela UFPR. Participante do 15º Curso de Jornalismo Econômico do Estadão.

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