A merendeira Fedora Vargas, de 45 anos, atualmente trabalha na Escola Estadual Maria Pereira Martins, no Barreirinha, em Curitiba. Fedora é venezuelana e chegou ao Brasil em 2017 para fugir da crise humanitária.
O caminho até chefiar a cozinha da escola foi longo. Fedora entrou por Manaus e em 2019, por intermédio de uma conhecida, chegou à Curitiba. A família demorou dois anos para mudar do Amazonas ao Paraná.
“Como grande parte dos imigrantes, no princípio, tivemos dificuldades devido à falta de informações, aprendizado do idioma e acesso aos serviços”, relembra.
Na capital paranaense começou a trabalhar como terceirizada no Colégio Estadual da Guarda Mirim do Paraná, no bairro Ahú. A experiência no ramo do turismo em cozinhar na Venezuela ajudou a profissão, embora a proporção de gente fosse muito maior: 900 alunos.
O talento e dedicação de Fedora logo renderam bons frutos também na Escola Estadual Maria Pereira Martins. “Hoje eu tenho liberdade para comandar totalmente a cozinha”, conta.
Dividindo o tempo entre os cuidados com a família e o trabalho, Fedora reconhece a influência que a profissão exerce em sua vida doméstica. “Servindo na escola eu entendi que o aprendizado e a boa nutrição estão intimamente relacionados e que aprender fica muito mais fácil depois de uma boa refeição”, afirma.
A lição, segundo Fedora, marca também a vida de muitos estudantes. “Nestes quatro anos de escola, diversos alunos se formaram e seguiram suas vidas. Mesmo assim, se encontro um ou outro na rua, eles me cumprimentam com saudades. No fim, não temo afirmar que como ‘tia da cantina’ a gente marca a vida dos alunos quase tanto quanto os professores”, diz.
(AEN)