O Ministério das Minas e Energia informou nesta terça-feira (14 de outubro) que um incêndio na subestação Bateias da Copel, em Campo Largo, causou um apagão em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o incêndio atingiu o reator da subestação às 0h32 desta terça.
Segundo o ONS, o incêndio causou o desligamento toda a subestação de 500 kilovolts (kV) e interrompeu a transmissão entre as subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste, o que também atingiu os sistemas Norte e Nordeste. O apagão durou aproximadamente duas horas.
O Operador Nacional do Sistema informou que uma reunião com os principais agentes envolvidos na ocorrência seria realizada nesta terça. Outro encontro está previsto para ocorrer até sexta-feira (17). Segundo a Copel, o incêndio atingiu um reator operado por Furnas.
O ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que o corte no fornecimento de energia foi causado por um problema técnico. “Não é falta de energia. É um problema na infraestrutura que transmite a energia. Quando se fala em apagão, a gente sempre lembra aqueles tristes episódios de 2001 e de 2021 que, na verdade, aconteceram por falta de energia e falta de planejamento. Hoje, nós temos muita energia", afirmou o ministro.
Queda na qualidade
Furnas foi incorporada em 2024 pela Eletrobras, privatizada em 2022, no fim do governo de Jair Bolsonaro. Em 16 de agosto de 2023, 25 estados ficaram sem energia após falha em uma linha de transmissão no Ceará. Segundo o Sindicato dos Urbanitários no Distrito Federal, pelo menos 1,5 mil funcionários foram demitidos após a privatização.
Já a qualidade dos serviços prestados pela Copel também vem caindo desde que a companhia foi privatizada pelo governo de Ratinho Júnior (PSD), em agosto de 2023. Em abril deste ano, a companhia passou a figurar entre as três piores concessionárias de energia do Brasil, segundo ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O ranking da Aneel leva em conta o Desempenho Global de Continuidade (DGC), índice obtido com base na duração e na frequência das interrupções no fornecimento de energia. O DGC é calculado a partir da comparação da DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e da FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora). No ano passado, o DGC da Copel subiu de 0,86 para 0,92 e a companhia caiu para a 29ª posição, à frente apenas da CEE, do Rio Grande do Sul, e da Equatorial, de Goiás.

Em fevereiro do ano passado, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) informou que 50 sindicatos rurais relataram prejuízos causados por interrupções no fornecimento de energia. Segundo a Faep, no último quadrimestre de 2023 foram registradas mais de 38 mil interrupções, aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022, de acordo com dados da Aneel.
Os problemas continuaram, o que levou a Faep a fazer uma nova cobrança em abril deste ano. A Federação lembrou ainda que houve aumento significativo do custo da energia no campo. Em cinco ano, de acordo com a Faep, a tarifa subiu 76,4%, enquanto a tarifa residencial teve reajuste de 45,1%. "Com o fim dos subsídios, a tarifa rural se equiparou à urbana, mas a qualidade do serviço continua defasada", afirmou a Faep.
Em maio, em discurso para os investidores, o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slavieiro, previu mais pagamentos de dividendos para os acionistas até 2027. Quando era majoritariamente estatal, a companhia distribuía no máximo 50% dos lucros anuais. Em 2023, com a transformação da empresa em corporação, a fatia de lucros que pode ser distribuída subiu para 75%. Em maio, a Copel previu o pagamento de R$ 1,3 bilhão para os acionistas.

No início deste mês, a Copel informou que foi premiada como a melhor transmissora de energia do Brasil, no 1° Prêmio ONS de Qualidade na Operação. Segundo a companhia, são mais de 9,6 mil km de linhas de transmissão e 53 subestações em oito estados brasileiros.
Segue a nota do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre o apagão desta terça-feira:
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirma que nesta terça-feira, 14 de outubro, às 0h32, houve uma ocorrência no Sistema Interligado Nacional (SIN) que provocou a interrupção de cerca de 10.000 MW de carga, afetando os quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
A ocorrência teve início com um incêndio em um reator na Subestação de Bateias, no Paraná, desligando toda a subestação de 500 kV e ocasionando a abertura da interligação entre as regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste. No momento, a região Sul exportava cerca de 5.000 MW para o Sudeste/Centro-Oeste.
Na região Sul houve perda de aproximadamente 1.600 MW de carga. Nas demais regiões, houve atuação do ERAC- Esquema Regional de Alívio de Carga. No Nordeste a interrupção foi da ordem de 1.900 MW, no Norte, de 1.600 MW e no Sudeste, de 4.800 MW.
Assim que identificou a situação, o ONS iniciou ação conjunta com os agentes para restabelecer a energia nas regiões. O retorno dos equipamentos e a recomposição das cargas se deu de maneira segura, logo nos primeiros minutos, sendo que em até 1h30min todas as cargas das regiões Norte, Nordeste, Sudeste/Centro - Oeste foram restabelecidas. As cargas da região Sul foram recompostas totalmente por volta de 2h30min após a ocorrência.