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Indígenas podem ficar em área que disputam com fazendeiros, decide Justiça

Povo Kaingang tem documentos que comprovariam posse da terra antes de 1988

Por mattia
Indígenas podem ficar em área que disputam com fazendeiros, decide Justiça
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Através de duas ações na Justiça, o Ministério Público Federal conseguiu suspender a retirada do povo indígenas Kaingang da Terra Indígena Apucarininha no município de Tamarana, na região de Londrina. A Justiça Federal concedeu uma liminar para autorizar o ingresso de agentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na Fazenda Tamarana, que atualmente está em disputa de posse entre os fazendeiros e os 300 indígenas que ocuparam a área em setembro de 2023.

De acordo com os ocupantes, o território pertenceria ao povo Kaingang mas foi assinado aos proprietários atuais por um erro de demarcação. Os donos da fazenda reclamaram pela ocupação e entraram com uma ação de reintegração de posse, que foi suspensa por conta da liminar concedida pela Justiça Federal de Londrina na última terça-feira (21). Apesar desta decisão, os indígenas serão obrigados a desocupar a parte administrativa da fazenda para consentir aos proprietários de continuar na atividade de plantios, por outro lado os donos terão livre acesso a propriedade com a exceção da área ocupada pelos kainanges. Além dos proprietários, também aos representantes da Funai será concedido de ingressar na zona para verificar a correta demarcação do terreno.

Embora a ocupação do terreno tenha ocorrido apenas dois meses atrás, o conflito entre os indígenas e os proprietários da fazenda Tamarana começou em 1988. Naquele ano, a Funai determinou os limites da terra indígena Apucaraninha, compreendendo também parte da terra atualmente em disputa.  De acordo ao MPF, várias escrituras publicas e outros documentos oficiais do estado demonstrariam que o terreno pertenceria ao povo Kaingang. A área destinadas as indígenas naquela região seria de 6,3 mil hectares.

Em 2015, um documento elaborado pelo Instituto de Terras, Cartografia e Geociência do Governo do Estado teria confirmado que a área indígenas de Apucarana seria de 5613 hectares e que corresponderia a parte do terreno da fazenda Tamarana. A propriedade já havia sido ocupada pelos indígenas em 2017 e a questão sobre a efetiva propriedade da terra foi levada ao STF em 2019.

Naquela ocasião, o ministro Dias Toffoli suspendeu a liminar que havia determinado a devolução da área aos proprietários e pediu a busca de uma solução "célere e categórica" desta disputa solicitando uma audiência de conciliação, que não solucionou o caso. "Nestes trinta anos, pouco ou quase nada foi feito para resolução do conflito territorial, mantendo um clima de insegurança e enfrentamento entre os indígenas e os proprietários limítrofes da TI Apucaraninha”, afirmou o procurador Raphael Otávio Bueno Santos por meio da assessoria de imprensa do MPF.

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