O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) informou nesta sexta-feira (19) que o leilão da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba será em janeiro, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O edital será publicado em novembro. A concessão será no valor de R$ 1,1 bilhão por ano e, segundo Pimentel, o objetivo será manter a tarifa “muito próxima” dos atuais R$ 6.
Segundo a Prefeitura, a nova concessão terão o leilão de cinco lotes – dois de BRTs (incluindo as linhas que circulam em canaletas exclusivas) e três regionais (Norte, Sul e Oeste) com contrato de operação de 15 anos. A linha Turismo terá outro edital. O valor de remuneração estimado para os cinco lotes no período, de acordo com a Prefeitura, é de R$ 18 bilhões.
Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs, estima que a tarifa poderá ficar nos atuais R$ 6 pelos próximos dois anos. “A nova concessão não vai impactar significativamente nos gastos. E no período de transição da atual concessão para a nova, de até dois anos, a tarifa ficará congelada em R$ 6”, disse ele.
A Prefeitura informou que o projeto prevê um investimento de R$ 3,7 bilhões em 15 anos, com a aquisição de 245 ônibus elétricos em cinco anos, 149 ônibus a diesel modelo Euro 6 no início do contrato e mais 1.084 veículos ao longo de 15 anos. Também prevê a construção de dois eletropostos públicos, nos terminais Capão Raso e Capão da Imbuia, com 42 carregadores, nos próximos cinco anos, e infraestrutura com 107 carregamento nas garagens. Também estão programadas a construção e requalificação de 16 estações-tubo, a reformulação de traçados de 30 itinerários e a criação de cinco novas linhas.
Defasagem
O novo modelo não deverá acabar com a defasagem no sistema de transporte coletivo. Neste mês, a tarifa paga às empresas concessionárias do transporte coletivo de Curitiba por passageiro ficou R$ 1,68 acima do valor pago na catraca, como mostrou o Plural no último dia 9. A chamada tarifa técnica é calculada mês a mês e diferença entre o valor arrecadado na catraca e o pago às empresas é coberto pelo tesouro municipal.

Enquanto a Prefeitura banca parte das tarifas, as empresas do transporte coletivo lucraram R$ 88 milhões entre janeiro e agosto deste ano. O valor é incorporado à tarifa técnica – e representa, em média, 12% do valor total por passageiro (cerca de R$ 1,63 da tarifa média de R$ 7,96). De janeiro a agosto, o déficit acumulado foi de R$ 173,9 milhões, valor coberto pelo tesouro municipal. Por mês, as empresas receberam em média R$ 11 milhões a título de rentabilidade justa. Se a média for matinda, até dezembro as concessionárias deverão receber R$ 132,9 milhões, um aumento de 16% em relação aos R$ 114,8 milhões pagos em 2024.
Cálculo no escuro
A Urbs atrasou em quase um ano a publicação mensal do detalhamento do cálculo da tarifa paga às empresas, como mostrou o Plural com exclusividade no último dia 17. A empresa informou ao Ministério Público do Paraná que uma das razões para o atraso foi a perda de "arquivos que faziam parte dos estudos do cálculo da tarifa técnica". O problema teria sido causado por uma "falha no servidor onde estavam armazenados todos os arquivos em rede da Urbs".

Depois disso, a vereadora Laís Leão (PDT) protocolou um pedido de informações] questionando a confiabilidade dos cálculos da tarifa técnica sem os estudos que foram perdidos. Ela pediu ainda que a empresa explique o que tem sido feito para atualizar o sistema que apresentou falha.