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Leis municipais que proíbem linguagem neutra são inconstitucionais, decide STF

Três leis foram derrubadas. Maioria do Supremo entendeu que cabe à União definir conteúdos, currículos e normas do ensino

Leis municipais que proíbem linguagem neutra são inconstitucionais, decide STF
Relator do caso, ministro André Mendonça considerou as leis inconstitucionais. Foto: Divulgação/STF
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O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais as leis municipais que proibiam o uso de linguagem neutra nas escolas municipais de Porto Alegre (RS), São Gonçalo (MG) e Muriaé (MG). O julgamento terminou na quinta-feira (24). 

O relator do processo, ministro André Mendonça, entendeu que cabe exclusivamente à União a definição de conteúdos, currículos e normas gerais do ensino. Somente os ministros Kássio Nunes Marques e Cristiano Zanin discordaram parcialmente do relator.

Em fevereiro, o Plenário do Supremo declarou inconstitucional, por unanimidade, parte de uma lei de Uberlândia (MG) com o mesmo teor. A legislação proibia linguagem neutra e “dialeto não binário” no material didático de escolas, mas o STF entendeu que as normas gerais de ensino são de competência da União. 

O Supremo também está analisando a legalidade de um decreto que proíbe o uso da linguagem neutra em Santa Catarina. Relator do caso, o ministro Kássio Nunes Marques já deu seu parecer pela inconstitucionalidade da norma. O julgamento começou na sexta-feira (25) e a conclusão da votação está prevista para maio.

A Câmara Municipal de Curitiba tem três projetos semelhantes. Dois foram apresentados por Eder Borges (PL), em 2021, e Marciano Alves (Solidariedade), em 2023, mas não chegaram a ser votados.

Eder Borges apresentou um novo projeto em março deste ano, proibindo o uso de linguagem neutra e determinando que caberá à Secretaria Municipal de Educação garantir a aplicação da norma culta da língua – o que cabe à União, segundo o entendimento do STF. Neste ano, os vereadores aprovaram uma moção de protesto contra uso de linguagem neutra em vídeo divulgado pela UFPR.

Na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado Denian Couto (Podemos) apresentou no ano passado uma Proposta de Emenda à Constituição do estado para proibir o uso de linguagem neutra no hino do Paraná e no hino nacional.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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