Foi publicada nesta semana, no Diário Oficial da União (DOU), autorização para que a Força Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, seja utilizada no território indígena Tekoha Guasu Guavira, na região oeste do Paraná, entre as cidades de Guaíra e Terra Roxa.
O documento, assinado pelo ministro Ricardo Lewandoski, autoriza que a Força Nacional esteja no território por 90 dias. A articulação para isso deve ser feita pelo Governo do Estado, mas a coordenação é da Polícia Federal (PF).
Até terça-feira (27) uma comitiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) esteve em comunidades indígenas Ava Guarani. De acordo com o Governo Federal, as visitas serviram para “dar visibilidade às violações de direitos enfrentadas por essas comunidades e reforçar medidas de proteção às lideranças indígenas ameaçadas”.
Racismo
Desde janeiro deste ano indígenas pedem proteção. O território é alvo de ataques por parte de fazendeiros e grileiros da região. Ademais, crianças e adolescentes indígenas sofrem bullying e preconceito por parte de colegas e até de educadores, segundo relato dado ao Ministério dos Direitos Humanos.

As lideranças ressaltaram que o preconceito racial está diretamente relacionado à resistência de autoridades locais em reconhecer os direitos territoriais dos Ava Guarani. O próprio governador do Estado, Ratinho Jr. (PSD), chamou os povos tradicionais do Oeste do Estado de “índios paraguaios”.
Indígenas paranaenses já sofreram atentados a tiros e vivem sob ameaça constante de ruralistas do local.
A portaria assinada pelo ministro prevê que “as atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado”.