Nesta sexta-feira (30), a cidade de Paranaguá, no Litoral do Estado, repercute uma nova denúncia de assédio sexual envolvendo a gestão pública municipal. Desta vez, a vítima é uma adolescente de 16 anos, e o funcionário, um gerente da Secretaria de Serviços Urbanos.
A denúncia foi registrada na 1° Subdivisão Policial de Paranaguá, em outubro de 2025, mas só agora o caso ganhou conhecimento público. A vítima esteve acompanhada da mãe para efetuar o boletim de ocorrência, ao qual foi atendida pela equipe do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA).
No Boletim de Ocorrência a adolescente relatou que sofreu perseguição do colega de trabalho por meio de aplicativo nas redes sociais. O mesmo ainda teria se oferecido para custear produtos de interesse da menor. Em uma das conversas, o autor perguntou sobre a vida sexual da vítima e fez comentários.
Em relato às autoridades policiais, a adolescente disse que o acusado dizia que era alguém importante no ambiente de trabalho e, de acordo com ela, se aproveitava dessa questão para amedrontá-la.
Um decreto publico pela Secretaria Municipal de Governo em diário oficial confirmou a exoneração do acusado no mês seguinte ao registro da ocorrência.
3 casos em 1 semana
Apenas nesta semana, são três denúncias oficiais de assédio sexual que vêm à tona de dentro da Prefeitura de Paranaguá. Um número que provoca preocupação e medo.
A primeira denúncia surgiu com o chefe de gabinete do prefeito, que pediu exoneração do cargo após denúncias de assédio sexual. Em pronunciamento nas redes sociais, o acusado confirmou ter mantido contato com a vítima e afirmou que as mensagens trocadas não caracterizam assédio. "Tive contato com a pessoa, trocamos mensagens, ali fala de elogios, pode ser que tenha elogiado, não vejo mal nisso, não vejo assédio nisso", declarou.
Ele negou perseguição e disse que o afastamento visa garantir isenção na investigação. O ex-chefe de gabinete também afirmou que o caso está sendo usado politicamente e que confia no esclarecimento dos fatos.
O segundo caso trouxe ao público o caso da funcionária comissionada da Secretaria Municipal de Educação e Ensino Integral (Semedi) assediada sexualmente pelo colega de trabalho motorista do mesmo órgão.
A vítima alega ter recebido mensagens de cunho sexual explícito e ofensivo em abril de 2025. O caso é investigado pela Delegacia da Mulher de Paranaguá. A servidora afirma ter sido afastada da equipe após a denúncia e pede justiça.
Providências da Secretaria
A Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (SEMIPI) foi informada sobre a situação na cidade litorânea. Em resposta, a SEMIPI afirma que “repudia qualquer forma de violência contra a mulher. A pasta tem intensificado o fortalecimento de políticas públicas e a articulação da rede de proteção em todo o território paranaense, tratando o enfrentamento a esses crimes como uma prioridade absoluta da gestão”.
Ainda segundo a nota, “com foco específico no Litoral, foi estabelecido o Pacto pela Igualdade de Gênero e Qualidade de Vida das Mulheres em Paranaguá, em setembro de 2025. Assinado por diversas esferas do Poder Público, incluindo o Judiciário e a administração portuária, o documento firma seis compromissos estratégicos para reverter indicadores de vulnerabilidade na região através de ações integradas de prevenção, punição e acolhimento especializado”.
A SEMIPI lembra que “o pacto estabelece seis compromissos estratégicos focados na reversão dos indicadores de vulnerabilidade feminina, integrando ações de prevenção, punição e acolhimento. A iniciativa prevê o fortalecimento da rede de proteção local através da consolidação da Casa da Mulher Parnanguara e a implementação de programas como a Operação Mulher Segura e o De Homem para Homem, unindo órgãos como a SEMPI, o Judiciário e o setor portuário para garantir tanto a segurança física quanto a autonomia econômica das mulheres da região”.