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Livro traz novos relatos sobre o "Massacre do Centro Cívico", em abril de 2015

Jornalista Louize Lazzarim ouviu 21 pessoas, entre elas o ex-governador Beto Richa, sobre o episódio que deixou mais de 200 pessoas feridas

Livro traz novos relatos sobre o "Massacre do Centro Cívico", em abril de 2015
A jornalista Louize Lazzarim: livro será lançado nesta sexta-feira (25) (Foto: divulgação)
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A jornalista Louize Lazzarim lança nesta sexta-feira (25) o livro “Sem intervalo para sorrir: Memórias de 29 de abril de 2015, o dia em que professores entraram em batalha para defender o ensino público”, com novos depoimentos sobre o episódio que ficou conhecido como “Massacre do Centro Cívico”, quando a Polícia Militar atacou manifestantes com bombas de gás e tiros de bala de borracha, em abril de 2015. O lançamento será a partir das 18h30, na sede do APP-Sindicato.

Servidores estaduais, professores e funcionários de escolas estavam em greve contra um pacote de medidas do então governador Beto Richa (PSDB), que incluía uma alteração no fundo de previdência do estado, aumento de impostos e redução de investimentos. Em fevereiro daquele ano, antes do "Massacre do Centro Cívico", deputados da base de apoio a Richa tiveram que deixar a sede da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em um camburão para fugir dos manifestantes.

No dia 29 de abril, quando o projeto seria votado, os servidores protestavam na frente da Alep. Os policiais dispararam bombas de efeito moral e tiros de borracha contra os manifestantes e também usaram sprays de pimenta. Mais de 200 pessoas ficaram feridas e muitas foram atendidas na sede da prefeitura, então comandada por Gustavo Fruet (PDT).

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PM jogou bombas sobre manifestantes em abril de 2015 (Vídeo: José Marcos Lopes/Plural)

Louize Lazzarim ouviu 21 pessoas para o livro, entre elas o presidente da APP-Sindicato na época, Hermes Leão, o ex-governador Beto Richa (PSDB) e o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT), além de trabalhadores da educação que ficaram feridos, policiais militares, um bombeiro e três jornalistas.

“Eu era aluna de escola pública e lembro que na época a gente estava em greve, ficou em casa por um bom tempo. Lembro de acompanhar algumas coisas pela TV, mas eu não entendia muito bem, ficou aquela coisa na minha memória”, disse Louize Lazzarim ao Plural. “Quando chegou a época de fazer estágio eu fiz na APP e sempre conversava com professores que estavam naquele dia. Aí finalmente fui entender com profundidade o que tinha acontecido e escolhi como tema do TCC”.

A jornalista conta que não foi recebida pelo ex-governador Beto Richa. “Ele só respondeu às perguntas por um documento do Google. Assumiu que foi um dia muito ruim para a história do Paraná e pediu desculpas para os professores. Mas citou dados sobre a Paranaprevidência e disse que os professores não precisavam ter se manifestado daquela forma, porque a Paranaprevidência ainda está funcionando. E ele continua com o discurso de que havia black blocs, que alguns professores foram pegos com pedras de petit pavet e estavam com coquetéis molotov. Na verdade era vinagre e outro composto para reduzir os efeitos do gás de pimenta”, contou Louize.

O trabalho durou cerca de um ano, entre pesquisas teóricas e entrevistas. Louize Lazzarim lembra que um jornalista que fazia a cobertura foi mordido na perna por um cachorro da PM e que o deputado Rasca Rodrigues (PMDB) ficou ferido. O prédio da prefeitura de Curitiba foi esvaziado para atendimento de feridos. A sede do Tribunal de Justiça também foi utilizada para prestar assistência. Uma creche localizada nas proximidades foi atingida e precisou retirar as crianças às pressas. Seis escolas da região suspenderam as aulas no dia 29 de abril de 2015.

Um dos personagens do livro é o professor de História Fabiano Stoiev, que estava no Centro Cívico naquele dia. “É urgente não esquecer. Muitos dos professores e funcionários que tomaram parte do 29 de abril de 2015 traziam na memória o exemplo das lutas anteriores, como o 30 de Agosto de 1988. E é nesse sentido que essa obra ganha uma relevância imensa: a de compartilhar a dor e a revolta, mas também a coragem dos que estiveram no Centro Cívico”, disse Stoiev.

Serviço

Lançamento do livro “Sem intervalo para sorrir: Memórias de 29 de abril de 2015, o dia em que professores entraram em batalha para defender o ensino público”, de Louize Lazzarim

Sexta-feira (25 de abril), a partir ds 18h30

Local: Auditório do APP-Sindicato (Avenida Iguaçu, 880, bairro Rebouças)

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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