Depois de registrar 43 mortes decorrentes de intervenção policial em 2024, Londrina caminhava para um ano de letalidade policial baixa, como não se via há muitos anos. A tendência, no entanto, foi interrompida nesta terça-feira (data), quando cinco homens morreram durante uma operação da Polícia Militar em uma residência no Jardim Lindóia, na zona leste da cidade.
O episódio ocorreu dois dias após outra morte provocada por ação policial. No domingo, um homem foi morto pela PM dentro de sua casa, na zona norte de Londrina.
De acordo com a Polícia Militar, os cinco homens mortos nesta terça-feira integrariam uma quadrilha responsável pelo roubo de um ônibus de sacoleiros vindo do Paraguai, ocorrido na noite anterior. Ainda segundo a versão oficial, equipes do Batalhão de Choque e da Rotam foram até a residência após denúncia sobre a presença dos suspeitos no local. Ao chegarem, teriam sido recebidas a tiros e, diante da reação armada, os policiais efetuaram disparos. Todos os homens morreram no local.
A PM apresentou armas que, segundo a corporação, estavam com os suspeitos, além de parte das mercadorias que teriam sido roubadas do ônibus.
A reportagem ainda não conseguiu contato com as famílias dos mortos.
As mortes reacendem o debate sobre o uso da força policial em Londrina, especialmente após episódios recentes que geraram forte comoção social. No dia 19 de fevereiro deste ano, moradores de bairros periféricos fecharam avenidas e rodovias em protesto contra as mortes de Kelvin dos Santos, de 16 anos, e Wender da Costa, de 20, moradores da comunidade Nossa Senhora da Paz (Bratac).
Na ocasião, a Polícia Militar afirmou que houve confronto, versão contestada pelas famílias dos jovens, que alegam execução. A revolta da população levou à suspensão do transporte coletivo naquela noite. O inquérito instaurado para apurar o caso ainda não foi concluído.
Os dados oficiais sobre mortes decorrentes de atuação policial no Paraná são divulgados apenas uma vez por ano pelo Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Em levantamento paralelo realizado pela reportagem, Londrina soma agora 12 mortes atribuídas às polícias.