“Mobilidade Criativa”, exposição multimídia de Luiz Gustavo Vidal, entra em cartaz nesta quarta-feira (5), com abertura às 18h45, no Museu Municipal de Arte (MuMA), para temporada com visitação gratuita. A mostra é um novo capítulo de um processo iniciado em 2010, com reflexões sobre o homem, o tempo e a tecnologia; a curadoria é de Marcelo Conrado e o acervo apresenta desde desenhos à mão livre, até obras de grande formato e em realidade aumentada. Na noite de estreia, também será lançado um livro assinado pelo artista.
Luiz Gustavo Vidal
Vidal é um artista curitibano, gestor cultural e mestre em direitos autorais. Aos 52 anos de idade, ele soma mais de 80 exposições no currículo e suas obras já foram exibidas em países como Estados Unidos, Espanha, Holanda, Catar, África do Sul, Singapura, Malásia e Tailândia. Autor do mural "Mobilidade Urbana" da fachada do Edifício 13 de Maio (de 7 metros de altura por 7 metros de largura, feito em azulejos no ano de 2018), ele foi um dos artistas brasileiros convidados para representar o país na Casa Brasil França, nas Olimpíadas de Paris de 2024.
Às vésperas do evento de abertura, entre os preparativos e os compromissos de trabalho como diretor do Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA), Vidal conversou com o Plural. Na entrevista, além de falar sobre “Mobilidade Criativa”, ele contou como surgiu a conexão com a arte e quais mestres são as influências de suas obras. Confira a seguir.
“Mobilidade Criativa” é uma exposição individual inédita?
Sim, a exposição “Mobilidade Criativa” é inédita, porém se trata de uma evolução de vários projetos com elementos de um processo iniciado em 2010 e dá continuidade a reflexões sobre a luta universal do homem em busca de mais tempo. Nesta mostra, a percepção da locomoção é a partida para a criação de novas formas, com elementos e suportes que se fundem com inovação e tecnologia, trazendo novas realidades da minha criação para o mundo das artes.
Parte dela foi aberta à visitação anteriormente?
Apenas um recorte do projeto que deu azo à exposição foi apresentado na Casa Brasil do Parc La Villette, espaço do Comitê Olímpico dedicado a nosso país durante as Olimpíadas de Paris 2024. Mas, naquela oportunidade, a proposta era outra, foi pintada uma tela de grande proporção em que o público pôde interagir com um filtro de realidade aumentada.
Como surgiu o convite para a mostra?
O convite especial para realizar esta exposição no MuMA, o único museu na cidade com uma sala exclusivamente voltada à arte digital, resultou do trabalho como pioneiro nacional na produção artística em ambiente 100% digital, através de óculos de realidade aumentada e filtros virtuais. Algumas de minhas obras já foram replicadas nos Estados Unidos, Espanha, Holanda, Catar, Cape Town, Joanesburgo, Singapura, Malásia e Tailândia, entre outros lugares.
A mostra é multimídia, um termo amplo que hoje define cenários completamente diferentes. Explique um pouco do que é o multimídia na exposição. Qual tipo de experiência o visitante irá encontrar?
Para se conectar com os conteúdos e narrativas, o público poderá visitar uma sala imersiva e ter uma experiência sensorial sofisticada, ampliando os limites entre realidade e imaginação, com projeções em 360 graus e sensações de profundidade e movimento.
Seis monitores também estarão reproduzindo filmes com várias obras minhas, mostrando criações que transitam em diversos suportes, tanto físicos quanto virtuais, inclusive com ocupações urbanas e imaginárias. Além disso, quem visitar o site "Mobilidade Criativa” poderá visitar virtualmente uma sala de exposições de 360º e interagir com filtros de algumas das obras.
Qual é o acervo da exibição “Mobilidade Criativa”?
No total, o visitante poderá conhecer um acervo composto por aproximadamente 15 obras, dentre as quais estão três esculturas de bronze; uma peça criada em ambiente 100% digital com óculos de realidade virtual e impressa em fine art; livros do artista (obras de arte no formato de livro, como meio de expressão); uma sala de projeção imersiva; e sete vídeos que mostram o processo e a trajetória de várias criações.
E a inspiração, como nasceram as obras?
Quando pequeno, eu sempre rabiscava sobre imagens em revistas, ora colocando bigodes e desenhando caretas, ora fundindo figuras sobre criações alheias. Segui desenhando e fazendo experiências, no processo, percebi que vários animais poderiam ser ‘substituídos’ por máquinas simples. Paralelamente, eu trabalhava com questões de traçados, fotografando riscos, cabelos e linhas, e, juntando todas essas ideias, surgiu o desejo de emancipação pela liberdade do movimento.

A série “Mobilidade” começou numa dessas brincadeiras em que eu desenhava sobre as fotografias, quando fiz a fusão da imagem de um elefante com uma bicicleta. Depois cheguei no formato dos desenhos que abordam a mobilidade urbana, onde os animais de locomoção de outrora são substituídos por máquinas simples, como a bicicleta. Nisso surgiu a narrativa da dança incessante da humanidade contra o tempo, com o nascimento de novas tecnologias que moldaram nosso cotidiano.
Quais as suas maiores influências nas artes visuais?
Na infância, desenvolvi uma forte conexão com as artes visuais, sendo que minhas primeiras influências foram as familiares (avó e mãe), elas despertaram o meu interesse pelo desenho e pela pintura desde cedo. Como autodidata, passei a estudar a trajetória de grandes artistas, mas as grandes lições não vieram de estilos ou traços, mas da persistência em acreditar no seu próprio caminho e desenvolver uma linguagem única. Nisso temos Goya, Andersen, Picasso, Portinari, Poty, Brennand, Hopper, Jeff Koons, Ai Weiwei e Yayoi Kusama, entre outros.
O seu trabalho conversa com quais outros nomes da criação multimídia?
Desconheço qualquer artista nacional que converse com o meu trabalho multimídia, mas entre os estrangeiros, o que mais se aproxima seria o Kaws (Brian Donnelly) – americano que mistura arte de rua, design de produto e arte contemporânea, algumas vezes, com criações multimídia.
Como se encaixam no acervo os tridimensionais “Boicicleta I e II”?
A incursão na tecnologia e inovação ocorreu quando pretendi dar vida ao mural em azulejos que fiz na trincheira da rua 13 de Maio, passei a ver a imagem com vida e saindo da moldura do prédio. Então comecei a buscar maneiras de fazer com que a obra transcendesse o suporte para ter um incremento virtual. Depois de o desenho estar consagrado na cidade, o “Boicicleta” passou a ter uma forma mais evoluída com traços mais soltos e maduros, transformando-se no “Boicicleta Estrutural”, com outra roupagem.

Você também está lançando um livro com o mesmo nome da exposição. É seu primeiro livro?
Sim, é meu primeiro livro individual de artes e tive bons amigos que me incentivaram na criação da obra, inclusive, dedico o apoio incondicional pelo processo à Patricia Mannarino, que auxiliou muito no brainstorm.
O livro tem uma abordagem diferente da habitual entre os artistas visuais, que têm mania de produzir publicações apenas com imagens e, no máximo, uma biografia e texto curatorial; nas páginas de “Mobilidade Criativa”, eu apresento a experiência do processo criativo de maneira aberta, trago histórias e mensagens para o leitor, de sorte a incentivar o ato da concepção de ideias.
Exposição “Mobilidade Criativa”
De Luiz Gustavo Vidal
Abertura na quarta-feira (5), às 18h45, no Museu Municipal de Arte - MuMA (Avenida República Argentina, 3430 – Portão). O livro “Mobilidade Criativa”, escrito por Luiz Gustavo Vidal, será lançado no evento.
Visitação a partir do dia 5 de fevereiro, temporada com visitação gratuita, de terça a domingo, das 10h às 19h.