Ficamos tristes quando o amigo resolveu seguir novos caminhos e deixou de dar aulas no Colégio Positivo. Mesmo não trabalhando juntos continuamos tendo contatos, eventualmente combinávamos almoçar na Cantina Vesúvio. Às vezes o amigo aparecia de terno e gravata, pois vivenciava as lides do mundo jurídico tão conservador na indumentária.
No plano político a década de 1990 representou o triunfo do neoliberalismo. O Consenso de Washington, o fim da Guerra Fria, o “fim da História”, um mundo monopolar guiado pelo “Deus Mercado”. Com Collor iniciou-se a onda de privatizações. A demonização dos serviços públicos, da empresas públicas, o sucateamento das universidades e a liquidação do Estado de Bem-Estar Social. A mídia corporativa exaltava o “Novo Tempo” fazendo vistas grossas às falcatruas que ocorria nos processos de privatizações de estatais. Muita gente enriqueceu. O patrimônio público e o povo brasileiro empobreceram. Muitos aderiram, nós não! Eu passei a ser visto como um ser anacrônico e ultrapassado.
Veio o Plano Real que teve o mérito de domar a inflação, contudo, as estruturas econômicas e sociais continuaram inalteradas. O latifúndio não foi tocado; a questão ambiental foi negligenciada, a concentração da renda persistiu, o desemprego aumentou e o poder de compra do salário continuou muito baixo. A falácia de que tudo que era privado era melhor, tornou-se a mantra repetida por políticos e intelectuais comprometidos com o capitalismo triunfante. Na área da Educação , a iniciativa privada teve o campo livre para instalar faculdades, logo transformadas em universidades. O curso de Direito é o exemplo mais significativo de descaso com a qualidade do ensino, pois proliferaram na mesma proporção da ganância de empresários e políticos ansiosos em atender suas clientelas e aumentar seus cabedais.

Em termos profissionais, com o surgimento do curso Terceiro Milênio, passei a dar aulas no Curso Positivo. Comecei a dar aulas no Curso no final de 1991, o problema é que eu e já fazia parte para no ano seguinte dar aulas no Curso Expoente. O ano de 1992 foi difícil para mim, pois dei uma média de 60 aulas por semana. Cumpri o meu contrato com o Expoente e, no ano de 1993, passei a ser professor exclusivo do Curso Positivo. Você resolveu voltar para o magistério. Foi para o Bardhal onde se saiu muito bem. Logo foi chamado para o Expoente, onde foi o principal expoente daquele bom curso pré-vestibular. O Curso Positivo precisava de mais um professor de História. O amigo foi convidado e agradou tanto que está até hoje na empresa. Seu poder de reflexão, de síntese e de persuasão tem encantado todos os que já tiveram o privilégio de serem seus alunos.
Se a minha vida em termos profissionais ia bem, pois além da boa remuneração que recebia dando aulas, os meus livros didáticos vendiam como “pão quente” em todo país. Em uma das vendas para PNLD chegou à casa de 1 milhão de exemplares. É verdade que o governo pagava mal.
Uma tragédia veio então a abalar a minha vida. O falecimento do meu filho Thales Adriano, então com 17 anos. Lembro que o amigo e também o professor Luís Fernando Pereira (hoje professor da UFPR) foram até a chácara onde eu morava e ficaram uma tarde toda conversando. O amigo não imagina o quanto aquela visita foi boa para mim. A morte do meu filho me ensinou o quanto somos frágeis e precisamos das pessoas com as quais convivemos. Os professores do Curso, os amigos do futebol, a minha família, os alunos , os ex-alunos, o Padre Énio e Santo Agostinho fizeram com que eu continuasse lutando. Já se passaram 27 anos e o Thales está presente em minha vida todos os dias. É uma dor que alivia, mas não passa. A partir de então tornei-me mais tolerante, nada mais me abala, pois a dor de perder um filho é um sofrimento difícil de suportar.
Um abraço!