Na manhã desta sexta-feira (10) os moradores da ocupação “Resistência Forte”, foram despejados do terreno que ocupavam no bairro Campo Comprido. O despejo ocorreu em meio a tentativas dos advogados dos ocupantes e da Defensoria Pública do Paraná entrarem com ações contra a ordem de despejo.
Já na noite de quinta-feira policiais militares cercaram a ocupação. Depois de 14 dias no local, os ocupantes começaram a deixar o terreno por volta das 8h. Durante boa parte da manhã de sexta-feira um dos cruzamentos da via João Dembinski ficou interditada para retirada dos moradores.
Cerca de 250 policiais militares participaram da ação que ocorreu sem incidentes. “Não foram tomadas várias medidas que seriam adequadas, pois o juiz as ignorou. Mas não teve nenhum incidente de violência física, agressão ou discussão. Não gosto de dizer que um despejo foi pacífico, porque é um ato que faz parte da violência contínua sofrida pelo povo pobre no contexto social”, relatou a advogada popular Bárbara Esteche, que representa os ocupantes.
Cerca de 400 pessoas ocupavam uma área de aproximadamente 48 mil m². Oscarlinda Barbosa de Souza, de 66 anos, trabalhava na cozinha da ocupação. “Eu trabalho como diarista, quebrei minha clavícula e perdi meus trabalhos. O aluguel logo ia ser cobrado e eu não ia ter como pagar”, conta a idosa.
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A idosa se juntou à ocupação logo nos primeiros dias na esperança de conseguir uma moradia fixa em Curitiba. “Eu tenho uma neta também de 11 anos que tem diabete, e com o dinheirinho que ganhava dava para manter as coisas. Sem trabalho vou pagar aluguel como?”, diz.
Uma ordem judicial de reintegração de posse já havia sido aprovada no fim de abril e autorizava a ordem de despejo imediato dos ocupantes, autorizando inclusive o uso de força policial.
Em paralelo, a Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), deu entrada com recursos para conter a possibilidade de despejo da área. Agora a DPE junto ao Ministério Público entraram com novos recurso no Tribunal de Justiça do Paraná
A jovem Aline da Luz Silva, de 27 anos, relatou ao Plural a insegurança de não ter para onde ir. “Eu fui despejada, faltou pagar R$150 do meu aluguel, tentei negociar com o dono, mas não adiantou. Vim para ocupação achando que ia conseguir um lugar eu não tenho para onde voltar”, diz,
Aline, estava a 09 dias na ocupação junto com o marido e as filhas. Mãe de duas meninas, uma com 03 e outra com 05, a jovem também trabalhava na cozinha da ocupação. “É um ciclo eu preciso trabalhar para pagar aluguel, mas pra isso preciso pagar para alguém ficar com as minhas crianças e não consigo fazer isso”.
Até onde o Plural apurou as famílias voltaram para diferentes lugares de Curitiba. Alguns dos moradores foram para casa de parentes e outros voltaram para suas casas de aluguel com a insegurança de serem despejados novamente.